Teresina - PI, Terça Feira, 16 de Junho de 2026
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NR-1 expõe um problema invisível: ambientes de trabalho também adoecem

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Com a inclusão dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), prevista na atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), empresas passaram a revisar fatores que podem impactar a saúde mental dos trabalhadores. Embora temas como liderança, carga de trabalho e relações interpessoais estejam entre os principais focos de atenção, especialistas alertam que as condições físicas dos ambientes corporativos também devem fazer parte dessa avaliação.

Segundo Priscilla Bencke, arquiteta, especialista em neurociência aplicada à arquitetura e ao comportamento humano, a própria NR-1 estabelece uma conexão direta com a NR-17, norma que trata da ergonomia e das condições ambientais de trabalho.

“A NR-1 já determina que as condições previstas na NR-17 sejam consideradas no gerenciamento dos riscos, incluindo os psicossociais. Isso significa que não é possível falar em saúde mental sem olhar para o ambiente físico onde as pessoas trabalham”, afirma.

Para a especialista, a regra vai além da conformidade legal. Ela explica que fatores como ruído excessivo, falta de privacidade, iluminação inadequada, temperatura desconfortável e ambientes superlotados podem gerar impactos emocionais importantes, pois contribuem para aumento da ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração e esgotamento mental.

“O ambiente físico não é neutro. Ele pode favorecer o bem-estar e a saúde das pessoas ou acelerar processos de adoecimento que já estão em curso”, destaca Priscilla.

O que a neurociência já sabe sobre os ambientes corporativos

Estudos nas áreas de neurociência e neuroarquitetura mostram que diferentes características dos espaços influenciam diretamente o funcionamento do cérebro e o comportamento humano.

Entre os fatores apontados pela especialista estão a exposição à luz natural, associada à regulação do sono e do humor; o conforto acústico, que reduz estados contínuos de alerta e estresse; a ergonomia, relacionada não apenas à postura física, mas também à sobrecarga cognitiva; e a qualidade do ar e da ventilação, que impactam a capacidade de concentração.

Além disso, elementos naturais como vegetação, madeira e iluminação inspirada na natureza, também vêm ganhando destaque em pesquisas científicas por sua capacidade de reduzir o estresse e promover bem-estar.

“A presença de elementos naturais ajuda na recuperação emocional após situações de pressão e contribui para uma sensação maior de equilíbrio durante a jornada de trabalho”, explica Bencke.

O erro de tratar saúde mental apenas como benefício

No entanto, um dos principais equívocos das empresas é concentrar esforços apenas em ações voltadas ao indivíduo como programas de meditação, terapia ou treinamentos de gerenciamento do estresse, sem avaliar os fatores organizacionais que podem estar na origem do problema.

“Os riscos psicossociais precisam ser mapeados na organização, não apenas nas pessoas. Isso inclui analisar jornadas de trabalho, relações interpessoais, processos, lideranças e também o ambiente físico”, afirma Priscilla.

Ela ressalta ainda que, outro ponto de atenção é a adoção de soluções pontuais que não enfrentam as causas do problema, “criar uma sala de descompressão, por exemplo, não resolve situações de excesso de pressão, assédio ou ambientes inadequados. É preciso atuar na raiz dos fatores que impactam a saúde dos trabalhadores”.

 

Fonte: Portal CidadeVerde.
Confira esta e outras matérias na íntegra pelo link: https://cidadeverde.com/noticias/457797/nr-1-expoe-um-problema-invisivel-ambientes-de-trabalho-tambem-adoecem

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