Teresina - PI, Terça Feira, 16 de Junho de 2026
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A epidemia do cansaço: por que tantas mulheres e crianças vivem exaustas?

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Sentir-se cansado ao final de um dia intenso é esperado. O que preocupa especialistas é o fato de que, para muitas pessoas, o cansaço deixou de ser uma condição passageira e passou a fazer parte da rotina. Mesmo após uma noite de sono, mulheres relatam exaustão constante, dificuldade de concentração, irritabilidade e sensação de sobrecarga. Ao mesmo tempo, crianças apresentam alterações de comportamento, problemas de sono e dificuldade para lidar com emoções.

O fenômeno tem chamado a atenção de profissionais da saúde, que observam um aumento significativo dos efeitos físicos e emocionais provocados pelo excesso de estímulos, pela hiperconectividade e pelas exigências cada vez maiores da vida moderna.

Para a ginecologista Dra. Camila Bolonhezi, a exaustão feminina muitas vezes vai além do desgaste físico.

“As mulheres costumam acumular múltiplas funções ao longo do dia. Além das demandas profissionais, muitas assumem a maior parte da organização da casa, dos cuidados com os filhos e da gestão da rotina familiar. Essa sobrecarga contínua pode gerar impactos importantes na saúde hormonal e no bem-estar geral”, explica.

Segundo a especialista, o estresse crônico pode desencadear alterações menstruais, queda da libido, dificuldades para dormir e até influenciar a fertilidade.

“O organismo não foi feito para permanecer em estado constante de alerta. Quando isso acontece por períodos prolongados, o corpo começa a emitir sinais de que algo não está funcionando adequadamente”, afirma.

A psiquiatra Dra. Bianca Bolonhezi destaca que a sociedade passou a normalizar o esgotamento, transformando o excesso de tarefas em um comportamento esperado.

“Vivemos uma cultura que valoriza a produtividade acima de tudo. Muitas pessoas sentem culpa ao descansar e acreditam que precisam estar sempre disponíveis, conectadas e produzindo. Esse padrão contribui diretamente para o aumento dos quadros de ansiedade, estresse e burnout”, observa.

De acordo com a médica, o cansaço emocional costuma se manifestar de diferentes formas.

“Nem sempre ele aparece apenas como falta de energia. Muitas vezes surgem irritabilidade, dificuldade de concentração, sensação de sobrecarga, alterações de sono e até sintomas físicos como dores de cabeça e desconfortos gastrointestinais”, explica.

O impacto desse cenário também chega às crianças. Para a pediatra Dra. Mariana Bolonhezi, a infância tem sido marcada por agendas cada vez mais preenchidas e pelo excesso de estímulos.

“Hoje muitas crianças passam o dia entre escola, atividades extracurriculares, compromissos e telas. Em alguns casos, há pouco espaço para o descanso, para o brincar livre e para momentos de relaxamento, que são fundamentais para o desenvolvimento saudável”, afirma.

A especialista alerta que o cansaço infantil nem sempre é percebido pelos adultos.

“Diferentemente dos adultos, as crianças nem sempre verbalizam que estão exaustas. Elas podem demonstrar isso por meio de irritabilidade, dificuldade de aprendizagem, alterações de comportamento, agitação excessiva ou problemas relacionados ao sono”, explica.

As três especialistas concordam que o problema exige um olhar amplo, capaz de considerar não apenas questões físicas, mas também emocionais e sociais. Para elas, a exaustão constante não deve ser encarada como algo normal ou inevitável.

“Descansar não é um luxo, mas uma necessidade biológica. Quando ignoramos os sinais de esgotamento, aumentamos o risco de desenvolver problemas que afetam a saúde física, emocional e a qualidade de vida de toda a família”, concluem.

Em um cenário em que o cansaço se tornou quase um símbolo da vida moderna, o alerta dos especialistas é claro: desacelerar, respeitar os limites do corpo e valorizar momentos de descanso são atitudes essenciais para preservar a saúde de adultos e crianças.

 

Fonte: Portal CidadeVerde.
Confira esta e outras matérias na íntegra pelo link: https://cidadeverde.com/noticias/457799/a-epidemia-do-cansaco-por-que-tantas-mulheres-e-criancas-vivem-exaustas

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