Teresina - PI, Segunda Feira, 23 de Fevereiro de 2026
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Entenda como esses medicamentos podem causar vícios em jogos, compras e sexo

Mais de 250 pacientes no Reino Unido relataram desenvolver compulsões por jogos, sexo e compras após uso de agonistas da dopamina

 

Remédios | CANVARemédios | Foto: CANVA

Medicamentos usados no tratamento de distúrbios do movimento, como a Síndrome das Pernas Inquietas e o Parkinson, podem estar associados ao desenvolvimento de comportamentos compulsivos, incluindo vício em jogos, compras e sexo. Mais de 250 pessoas no Reino Unido realizaram denúncias à emissora BBC. 

Segundo a reportagem, as pessoas relataram sentir esses impulsos após o uso de agonistas da dopamina, como o Ropinirole. Mesmo após deixarem de ser a primeira opção para a Síndrome das Pernas Inquietas, os medicamentos continuam sendo prescritos no mesmo nível.

O presidente do Comitê de Saúde do Parlamento britânico pediu revisão dos alertas, e o governo chamou as descobertas de “extremamente preocupantes”.

RELATO

Um dos relatos feitos à emissora trata-se de Emma, que desenvolveu Síndrome das Pernas Inquietas durante a gravidez e, anos depois, passou a usar Ropinirole. Após iniciar o tratamento, afirma ter desenvolvido compulsão por jogos e compras. 

Ela diz que só percebeu a possível relação com o medicamento após o marido pesquisar sobre os remédios. Mesmo relatando o vício ao médico, o comportamento não foi associado ao remédio. Emma pediu a troca da medicação, mas estima ter perdido ao menos £ 30 mil e afirma que a situação “arruinou” sua vida financeira.

Vamos ficar endividados por Deus sabe quanto tempo para pagar isso.

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Emma/Foto: BBC 

COMO A MEDICAÇÃO AGE

O medicamento age aumentando a atividade da dopamina, substância ligada ao controle do movimento, à motivação e ao sistema de recompensa. Esse estímulo pode desencadear comportamentos impulsivos.

Pacientes relataram casos de vício em jogos, sexo e compras, além de dívidas, fim de casamentos e até envolvimento em crimes. Muitos não tinham histórico prévio desse tipo de conduta.

Estima-se que cerca de um em cada seis pacientes com Parkinson que usam esses remédios desenvolva algum comportamento impulsivo. Apesar disso, a frequência não é detalhada nas bulas, que são criticadas por descreverem os riscos de forma genérica.

HIPERSEXUALIDADE

A BBC também revelou o caso de uma família em que pai e filho tiraram a própria vida após o homem desviar mais de R$ 4 milhões para sustentar compulsões por sexo e antiguidades, comportamento associado ao uso do medicamento.

Após a publicação, outros homens relataram hipersexualidade. Um deles, identificado como Michael, afirmou ter passado a procurar profissionais do sexo e manter múltiplas relações, apesar de ser casado. Ele disse que nunca teve esse tipo de comportamento antes do remédio e que hoje se sente preso à compulsão, sem conseguir pedir ajuda.

“Eu sei que preciso de ajuda, mas as pessoas que podem me ajudar, eu não consigo procurar”, afirma. “Não tenho para onde ir.”

A apuração também apontou que a fabricante, GSK, já tinha conhecimento, desde 2000, de um caso de abuso sexual ligado ao uso do medicamento Ropinirole, onde um homem foi preso pelo crime contra uma criança de 7 anos. O episódio foi citado em relatório interno que relacionava a droga a comportamentos sexuais considerados “desviantes”.

O QUE DISSE A GSK?

Segundo a BBC, a empresa afirma que informou o regulador britânico sobre o caso e compartilhou relatórios de segurança, sustentando que o medicamento é amplamente testado, aprovado e que os efeitos colaterais estão descritos na bula. A empresa também negou ter patrocinado um estudo sobre disfunção sexual realizado em 2005.

Já a agência reguladora do Reino Unido disse que os alertas só foram incluídos em 2007, após análise das evidências, e que as bulas não podem listar todos os comportamentos possíveis.

Pacientes alegam que não foram devidamente alertados e enfrentam dificuldades para buscar reparação. Em outros países, há ações judiciais em andamento, incluindo decisões que consideraram a influência do medicamento em crimes e processos que pedem indenização por perdas financeiras e danos pessoais.

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