Com ares de discussão de relacionamento, o presidente Lula (PT) cobrou que os militantes voltem a ler o manifesto do PT, criticou o mercantilismo político e alertou que a eleição deste ano será uma “guerra”. O discurso do presidente foi na festa para comemorar os 46 anos do partido em Salvador.
“É importante que vocês voltem a ler o manifesto do PT, porque a filiação partidária não pode ser feita só porque alguém quer ser candidato a alguma coisa. A filiação partidária é uma opção de vida, você estar no partido porque acredita no manifesto, acredita na luta, você entra para somar, não entra para ser deputado, vereador, se não vira partido que nem os outros”, disse Lula.
A estratégia criticada por Lula foi adotada nas últimas eleições pelo PT do Piauí para aumentar a bancada parlamentar na Assembleia e na Câmara. A condução deu certo, mas o PT foi bastante criticado e incompreendido.
Lula atacou o que chamou de relação “mercantilizada” e disse que a política apodreceu.
“Vocês que são candidatos sabem como estar o mercado eleitoral neste país, você saber quanto custa um cabo eleitoral, sabe quanto custa um vereador e o preço de cada candidato nesse país, o que é uma vergonha. Eu, sinceramente, tenho saudade do tempo que fazia comício, eu vendia camiseta, macacão, bola, fita métrica para ganhar dinheiro e comprar gasolina para ir ao comício”, disse.
O presidente alertou os militantes que a direita quer partidos iguais a eles, fez um resgate histórico de como era a campanha do PT em época que era uma “corneta em cima de um fusquinha”. Ele destacou os petistas históricos, lembrou do piauiense Nazareno Fonteles ao se aproximar do governador Rafael Fonteles, que estava na mesa de honra.
Ao falar por cerca de 1 hora, Lula lembrou que uma das premissas do manifesto do partido é dar “vez e voz” a quem não tem. Ele disse que o mandato de deputado não pode virar uma profissão e que em 1990 ficou sem mandato e nem por isso “ficou menor”. O presidente criticou o orçamento secreto e disse que o PT não pode ir para a vala comum.
Ele lembrou que brigas internas levaram o partido a reduzir o número de prefeituras e vereadores na região de São Paulo. “O que aconteceu, alguma coisa nós erramos”, disse.
Acabou Lulinha paz e amor
Na análise de Lula, a eleição deste ano será “uma guerra” e disse que acabou “Lulinha paz e amor”. Ele defendeu que os militantes reagem as fake News, para não ficarem calados.
“Temos que ser mais desaforados, porque eles são e nós não podemos ficar quietinhos”, orientou o petista. O presidente voltou a criticar as redes sociais e disse que as redes têm mais “mal do que bem”, mas que é necessário o PT criar uma narrativa política para vencer a eleição.
Não há como perder eleições
Lula disse que “não há como” perder as eleições, mas que apoiadores e militantes não podem se iludir. Ele ressaltou ainda que PT “não está com essa bola toda” em todos os estados.
“Temos que tratar de fazer as alianças necessárias para a gente ganhar as eleições. Um acordo político é uma coisa tática para gente poder governar esse país. E estamos mais sabidos, muito mais preparados”, afirmou.
“Se depender do que nós fizemos comparado a eles, nós já ganhamos essas eleições, mas não é isso que vai decidir. Não se iluda. O que vai ganhar essas eleições é a nossa narrativa política”, disse.
Ele afirmou que sente saudade dos tempos em que o partido vendia camisetas para custear os comícios: “Agora é dinheiro rolando para tudo quanto é lado”.
Lula disse que o PT precisa ir para a periferia e conversar com o eleitorado, incluindo os evangélicos e destacou que 90% deles recebem bolsa família.
“A eleição vai ser uma guerra e temos que estar preparados para ela para ganhar em alto nível. Saibam que estou motivado para cacete porque o que está em jogo não é só ganhar as eleições, precisamos pensar em um outro projeto para esse país, para despertar os corações”, disse.
O evento na Bahia funcionou como um pontapé da campanha eleitoral, com Lula buscando mobilizar a militância e indicar as linhas gerais da estratégia eleitoral.
Comitiva do Piauí
Do estado participaram do encontro na Bahia, o governador Rafael Fonteles, o ministro Wellington Dias, o presidente do PT, Fábio Novo, os secretários João de Deus (Sasc), Zenaide Lustosa (Mulheres), vereador Dudu, o deputado Gil Carlos e o ex-secretário de Educação, Washington Bandeira, pré-candidato a vice na chapa de reeleição de Rafael Fonteles.
Fonte: Portal CidadeVerde.
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