
Dor de cabeça, febre, gripe ou aquela dor que aparece de repente. Diante de sintomas comuns, é frequente recorrer a um medicamento que já foi usado anteriormente ou seguir a indicação de familiares e amigos. Apesar de parecer uma solução prática, o uso de medicamentos sem orientação de um profissional de saúde pode trazer riscos e até dificultar a identificação e o tratamento correto de uma doença.
Segundo Nathalia Carvalho, enfermeira e coordenadora do curso de Enfermagem, um dos principais problemas da automedicação é que o mesmo sintoma pode estar relacionado a diferentes condições de saúde. Por isso, utilizar um medicamento apenas para aliviar a manifestação pode mascarar sinais importantes.
“Um sintoma não necessariamente indica uma única doença. Ao tomar um medicamento por conta própria, a pessoa pode aliviar temporariamente o desconforto, mas não tratar a causa do problema. Além disso, existem riscos relacionados à dose, ao tempo de uso e às interações com outros medicamentos”, explica.
Nem todo medicamento é inofensivo
A percepção de que alguns medicamentos são “fracos” ou conhecidos pela população também pode contribuir para o uso indiscriminado. Analgésicos, anti-inflamatórios e antialérgicos, por exemplo, podem provocar efeitos adversos quando utilizados de maneira inadequada ou em excesso.
Outro cuidado importante envolve os antibióticos. A utilização sem indicação e, principalmente, a interrupção do tratamento antes do período recomendado podem contribuir para o desenvolvimento de bactérias resistentes, dificultando tratamentos futuros.
“Não existe medicamento completamente livre de riscos. O que é seguro para uma pessoa pode não ser para outra, dependendo da idade, das condições de saúde, de outros medicamentos utilizados e de diversos fatores individuais. Por isso, a avaliação de um profissional é importante antes de iniciar um tratamento”, destaca Nathalia.
E quando já existe um medicamento em casa?
A sobra de medicamentos de tratamentos anteriores também merece atenção. Reutilizar uma receita antiga para um novo episódio de sintomas pode ser inadequado, mesmo que a manifestação pareça semelhante.
A orientação é evitar compartilhar medicamentos, não utilizar prescrições antigas para novas situações e buscar atendimento de um profissional de saúde quando os sintomas persistirem, se intensificarem ou apresentarem sinais de alerta.
“Medicamento não deve ser escolhido apenas pela experiência anterior. O tratamento precisa considerar o que está acontecendo naquele momento e as características de cada paciente”, orienta a enfermeira.
Fonte: Portal CidadeVerde.
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