
Um estudo multidisciplinar encabeçado por pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em parceria com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), registrou o avanço de um tratamento mais eficaz contra o câncer cerebral a partir de uma nova nanoformulação. Durante testes de laboratório, a tecnologia potencializou em até 55 vezes a atividade citotóxica contra as células cancerígenas em comparação com o quimioterápico temozolomida (TMZ).
“Espera-se que a inovação tecnológica aplicada com a utilização de nanoformulações com quitosana otimize o tratamento atualmente disponível com temozolomida, minimize os efeitos colaterais presentes e, finalmente, melhore o prognóstico dos pacientes com esse tipo de câncer”, explicou Helber Negreiros, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas (PPGCF) da UFPI que integra a equipe que lidera a pesquisa.
A pesquisa encontra-se atualmente em fase pré-clínica, com a equipe trabalhando na padronização de um modelo animal para a realização das próximas etapas de testes. Os resultados alcançados até o momento, observados em ensaios in vitro com células humanas, foram publicados em periódico científico internacional em 2026. Orientador da pesquisa, o professor João de Castro e Sousa enfatiza a importância da inovação científica no estudo.
“Este projeto é importante porque busca enfrentar um dos principais desafios no tratamento do glioblastoma: a dificuldade de fazer o medicamento alcançar de forma mais eficiente o local do tumor e a resistência que pode surgir ao longo do tratamento. Ao associar a temozolomida à nanotecnologia, utilizando uma estratégia de administração intranasal, buscamos desenvolver uma alternativa que possa melhorar o direcionamento e a ação do fármaco”, disse.
A pesquisa
O estudo une a nanotecnologia e a quimioterapia para tentar fazer com que os remédios cheguem de forma segura e direta ao cérebro, que possui uma barreira natural de proteção muito rígida que impede que substâncias do sangue cheguem ao tecido cerebral. Apesar de proteger o órgão, o mecanismo dificulta que remédios quimioterápicos tradicionais alcancem os tumores.
Foto: Reprodução/UFPI

No início do projeto, a equipe planejava usar um composto natural chamado ácido cafeico, mas os pesquisadores perceberam que as partículas ficariam grandes demais, impedindo o remédio de atravessar essa barreira. Inspirados por um estudo próprio de 2024, eles mudaram de estratégia e substituíram o ácido cafeico por quitosana, uma substância natural extraída da casca de crustáceos, associando-a a uma nanocápsula de gordura.
Foto: Reprodução/UFPI

A cápsula de gordura serve como um veículo microscópico para carregar o remédio, enquanto a quitosana, por ter carga elétrica positiva, ajuda as nanopartículas a grudarem melhor nas células tumorais e facilita a entrada do medicamento. Nos testes iniciais de laboratório, essa nova fórmula superou as expectativas, apresentando uma potência cerca de 55 vezes maior contra as células tumorais do que o medicamento usado de forma isolada.
A criação das nanopartículas foi feita no Laboratório Biotech Pharm da UFPB, e os testes biológicos com células humanas de tumor cerebral aconteceram no Laboratório de Pesquisa em Genética Toxicológica (LAPGENIC) da UFPI. Os próximos passos incluem testar a segurança e a eficácia da fórmula em camundongos com tumor cerebral.
“Nossa expectativa é concluir a caracterização da nanoformulação e avaliar sua atividade e segurança inicialmente em modelos in vitro. A partir dos resultados, pretendemos avançar para os estudos in vivo, utilizando um modelo experimental de glioblastoma. Esperamos que os resultados contribuam para ampliar o conhecimento sobre o uso da nanotecnologia no tratamento desse tumor e, futuramente, possam subsidiar o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas mais direcionadas e eficazes”, destacou o professor João de Castro e Sousa.
Fonte: Portal CidadeVerde.
Confira esta e outras matérias na íntegra pelo link: https://cidadeverde.com/ultimas/463391/pesquisadores-da-ufpi-desenvolvem-tecnologia-que-acelera-tratamento-do-cancer
