Apuração questiona cálculos da dívida da Neo Química Arena
Neo Química Arena | Foto: Danilo Fernandes/Meu TimãoO Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apura se o Corinthians sofreu uma possível cobrança indevida da Caixa Econômica Federal referente à dívida do financiamento da Neo Química Arena. A investigação foi aberta após uma representação apontar uma suposta divergência de R$ 255,75 milhões nos cálculos do débito.
O documento apresentado ao MP foi elaborado a partir da análise de dados públicos feita por Anísio Costa Castelo Branco, que se apresenta como perito criminal investigador.
O promotor Cássio Conserino, responsável por outras investigações relacionadas ao Corinthians, instaurou um procedimento administrativo preparatório para analisar o caso e determinou a realização de uma perícia detalhada sobre os cálculos da dívida da arena.
Segundo Conserino, caso a diferença apontada seja confirmada, a situação poderia, em tese, configurar possível gestão temerária por parte de dirigentes que tenham autorizado os pagamentos. Neste momento, porém, o procedimento tem natureza administrativa e não criminal.
MP abre procedimento para investigar os cálculos
Em entrevista à Record, Conserino afirmou que a diferença apontada na representação é de tal magnitude que, em tese, poderia até levantar a possibilidade de o financiamento já ter sido quitado.
Atualmente, Corinthians e Caixa consideram um saldo de aproximadamente R$ 640 milhões referente à dívida da Neo Química Arena.
A possibilidade levantada pelo promotor considera o artigo 940 do Código Civil. A norma prevê que quem cobrar judicialmente uma dívida já paga ou exigir valor superior ao devido pode ter de pagar ao devedor o dobro do que foi cobrado em excesso, nas hipóteses previstas pela legislação.
Assim, caso fosse comprovado que a Caixa cobrou indevidamente R$ 255 milhões, o valor a ser devolvido poderia chegar a aproximadamente R$ 510 milhões. A aplicação dessa regra, no entanto, dependeria da confirmação da irregularidade e de eventual discussão judicial.

Neo Química Arena, estádio do Corinthians | Foto: Jhony Inacio/Meu Timão
Representação aponta diferença de R$ 255 milhões
A representação de Anísio Costa Castelo Branco contesta o valor atribuído à dívida pela Caixa em uma cobrança judicial apresentada em 22 de agosto de 2019.
Segundo o documento, o banco apontou naquele momento um débito de R$ 536,09 milhões, partindo de um saldo principal informado de R$ 423,94 milhões.
A representação afirma que não foram localizadas nos autos do processo as planilhas e memórias de cálculo detalhadas que permitissem acompanhar, de forma transparente, a evolução do financiamento original de R$ 400 milhões até o saldo apresentado pela instituição financeira.
Cobrança de 2019 é contestada
Outro ponto questionado envolve a composição dos valores em atraso e a aplicação da multa contratual de 10%.
De acordo com a representação, a Caixa teria aplicado a multa sobre o saldo devedor total, e não apenas sobre as parcelas que estavam efetivamente vencidas.
O documento também aponta supostas inconsistências entre documentos internos do próprio banco.
Representação aponta saldo menor que o cobrado
A partir de uma reconstrução matemática dos valores, a representação afirma que o saldo devedor em 22 de agosto de 2019 seria de R$ 280,34 milhões, e não de R$ 536,09 milhões.
A diferença entre os dois valores é de aproximadamente R$ 255,75 milhões, quantia que fundamenta a suspeita de cobrança superior ao montante efetivamente devido.
Os cálculos apresentados na representação, porém, ainda serão submetidos à perícia determinada pelo Ministério Público. Portanto, a divergência apontada no documento não representa, neste momento, uma conclusão oficial de que a Caixa tenha cobrado valores indevidos.
Promotor cita possível gestão temerária
Conserino afirmou que, caso a perícia confirme a diferença apontada e sejam identificadas outras circunstâncias relevantes, poderá ser analisada eventual responsabilidade de dirigentes que tenham autorizado os pagamentos.
Neste momento, contudo, o MP-SP trata o caso como um procedimento administrativo preparatório, e não como uma investigação criminal.
Confira esta e outras matérias na íntegra pelo link: https://www.meionews.com/esportes/ole/mp-investiga-possivel-cobranca-indevida-de-r-255-milhoes-da-caixa-ao-corinthians-574178
