
Cansaço frequente, mal-estar ou desconfortos passageiros costumam ser ignorados na correria do dia a dia. O problema é que, em muitos casos, as hepatites virais sequer apresentam sintomas. Essa característica faz com que milhares de pessoas convivam com a doença sem saber, permitindo que ela avance silenciosamente e cause danos graves ao fígado ao longo dos anos.
O alerta ganha ainda mais força durante o Julho Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre as hepatites virais. A iniciativa busca chamar a atenção para a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento dessas infecções, que continuam sendo um importante problema de saúde pública.
De acordo com o professor e infectologista Herion Alves, a falta de sintomas é um dos principais obstáculos para o controle da doença. “Muitas pessoas infectadas, especialmente pelos vírus das hepatites B e C, permanecem assintomáticas por muitos anos. Como a doença pode evoluir silenciosamente, muitas vezes o diagnóstico ocorre apenas quando já existem complicações hepáticas avançadas”, explica.
As hepatites virais são infecções que provocam inflamação do fígado e podem se manifestar de forma aguda ou crônica. No Brasil, os principais tipos são as hepatites A, B, C, D e E. Entre elas, as hepatites B e C exigem atenção especial devido ao maior potencial de cronificação, podendo evoluir para cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado.
Embora muitos pacientes não apresentem sinais aparentes, alguns sintomas podem surgir durante a evolução da doença. Entre eles estão cansaço excessivo, febre, náuseas, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura, fezes claras e coceira pelo corpo.
As formas de transmissão variam conforme o tipo de hepatite. As hepatites A e E estão associadas principalmente ao consumo de água e alimentos contaminados e às condições inadequadas de saneamento. Já a hepatite B pode ser transmitida por relações sexuais desprotegidas, contato com sangue contaminado e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. A hepatite C é transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado, compartilhamento de objetos perfurocortantes e realização de procedimentos sem a devida esterilização dos materiais. Já a hepatite D ocorre apenas em pessoas previamente infectadas pelo vírus da hepatite B.
Segundo o especialista, conhecer as formas de transmissão é fundamental para reduzir o número de novos casos e combater mitos que ainda cercam a doença. “Muitas pessoas acreditam, por exemplo, que hepatites B e C podem ser transmitidas pelo compartilhamento de talheres, abraços ou aperto de mãos, mas isso não é verdade. A informação correta é uma ferramenta importante de prevenção”, destaca.
Por evoluírem de forma silenciosa, as hepatites virais reforçam a importância dos exames de rotina. A recomendação é que toda pessoa adulta realize pelo menos uma vez na vida os testes para hepatites B e C, mesmo sem apresentar sintomas. A atenção deve ser redobrada para alguns grupos, como gestantes, profissionais de saúde, pessoas com múltiplos parceiros sexuais, usuários de drogas injetáveis ou inaláveis, pessoas privadas de liberdade e quem recebeu transfusão sanguínea antes de 1993.
“O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento oportunamente, reduzindo o risco de cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado. Além disso, ajuda a interromper a cadeia de transmissão e proporciona melhor qualidade de vida aos pacientes”, afirma Herion Alves.
Vacinação: principal forma de prevenção
Entre as medidas preventivas mais eficazes estão a vacinação contra as hepatites A e B, o uso de preservativos, a não utilização compartilhada de objetos perfurocortantes, a correta esterilização de materiais utilizados em procedimentos invasivos e os cuidados com higiene pessoal e alimentar. Atualmente, não existem vacinas de uso rotineiro no Brasil para hepatites C e E. Já a imunização contra a hepatite B também protege contra a hepatite D, já que essa infecção depende da presença do vírus B para se desenvolver.
Neste Julho Amarelo, a orientação dos especialistas é clara: não esperar o surgimento dos sintomas para procurar atendimento. Fazer os testes, manter a vacinação atualizada e adotar hábitos preventivos são atitudes capazes de reduzir significativamente os impactos das hepatites virais e evitar complicações que podem comprometer a saúde por toda a vida.
Fonte: Portal CidadeVerde.
Confira esta e outras matérias na íntegra pelo link: https://cidadeverde.com/noticias/459280/hepatites-podem-avancar-sem-sintomas-e-causar-danos-graves-ao-figado
