
O pesquisador Luiz Eduardo Silva Brito, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), desenvolveu um projeto que une inteligência artificial e saúde com o objetivo de apoiar o diagnóstico precoce do glaucoma. Seu trabalho “Plataforma Web Para Detecção Automática Do Glaucoma Utilizando Deep Learning”, orientado por Flávio Herique Duarte de Araújo, foi agraciado no Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica 2026, na área Ciências Exatas e da Terra e Engenharias, categoria Bolsista de Iniciação Tecnológica. Esse é o primeiro prêmio recebido por Brito em sua trajetória acadêmica.
A premiação ocorre no dia 10 de agosto, na abertura da 8ª Reunião de Trabalho dos RICs e Coordenadores(as) de Iniciação Científica e Tecnológica – Edição 2026, a ser realizada na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), nos dias 10 e 11.
O Conselho Brasileiro de Oftalmologia estima que existam aproximadamente 1 milhão de pessoas com Glaucoma no Brasil — e cerca de 70% delas ainda não receberam diagnóstico, devido ao seu caráter assintomático em estágios iniciais. A doença é a principal causa de cegueira irreversível no país. O glaucoma atinge entre 1% a 2% da população em geral, mas este índice costuma aumentar com a idade, subindo para 3,4% entre quem tem mais de 40 anos e podendo alcançar 10% dos idosos com mais de 80 anos.
Segundo Brito, sua pesquisa surgiu a partir da disponibilização da SMDG-19, um grande banco de dados unificado que padroniza imagens de fundo de olho de 19 conjuntos públicos e que reúne milhares de imagens de fundo ocular para estudos relacionados ao glaucoma. “Inicialmente, o foco do trabalho foi desenvolver modelos de inteligência artificial capazes de identificar sinais da doença de forma automática a partir dessas imagens. Para isso, utilizei o YOLOv8n (modelo da família de detecção de objetos da Ultralytics YOLOv8) para detectar a região do disco óptico e a ResNet-50 (Rede Neural Convolucional de 50 camadas, amplamente utilizada em visão computacional) para classificar as imagens entre casos com e sem glaucoma”, explicou. Após o treinamento e a avaliação dos modelos computacionais, os resultados mostraram que eles conseguiam identificar padrões importantes nas imagens, apresentando um bom desempenho.
Com os modelos já desenvolvidos, a segunda etapa da pesquisa foi a criação da plataforma GlaucomaVisionAI, que integra todo esse processo em uma interface simples e intuitiva. Nela, o usuário pode enviar uma imagem retiniana e receber automaticamente o resultado da análise realizada pelos modelos de inteligência artificial. “Os resultados desse trabalho também contribuíram para a publicação de um artigo no SBCAS (Simpósio Brasileiro de Computação Aplicada à Saúde) 2025 destacando a aplicação de redes neurais convolucionais para a detecção automática do glaucoma em imagens retinianas”, concluiu.
Prêmio
Para Brito, receber o prêmio de destaque na Iniciação Científica e Tecnológica tem um significado muito especial. “Mais do que um reconhecimento pelo trabalho desenvolvido, ele mostra que alunos de instituições públicas podem alcançar grandes resultados quando têm dedicação, oportunidades e acreditam no próprio potencial”, afirmou.
O jovem destacou que toda sua trajetória trajetória foi construída na educação pública, desde o Núcleo Municipal de Educação Vereador Francisco das Chagas Rodrigues, passando pelo CETI Maria de Carvalho, até a Universidade Federal do Piauí. “Por isso, representar o Piauí, o curso de Sistemas de Informação do Campus Senador Helvídio Nunes de Barros, em Picos, e minha cidade natal, Santo Antônio de Lisboa, é motivo de muito orgulho.”
O pesquisador também acredita que a conquista também pode servir de inspiração para outros estudantes. “Ela mostra que, quando traçamos objetivos, nos dedicamos e seguimos firmes na luta diária, aquilo que parece impossível pode se tornar possível. O mais importante é nunca deixar de acreditar em si mesmo e no seu potencial. Hoje sou prova de que o esforço vale a pena. Por isso, sou muito grato à minha família, aos amigos e aos meus orientadores, que estiveram ao meu lado durante toda essa caminhada, oferecendo apoio, incentivo e orientação. Também deixo meu agradecimento ao CNPq, que desempenha um papel fundamental no incentivo à pesquisa e à formação de novos pesquisadores no Brasil, tornando conquistas como essa possíveis.”
Luiz Eduardo Silva Brito é pesquisador com atuação em projetos na pesquisa e desenvolvimento nas áreas de Inteligência Artificial e Visão Computacional desde 2023 e é graduado em Sistemas de Informação pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Ele também atua como professor no curso de Desenvolvimento de Sistemas pela Seduc desde 2025.
Fonte: Portal CidadeVerde.
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