Apesar de representar uma parcela menor dos tumores malignos, o câncer cerebral segue como uma das doenças mais complexas da Oncologia. De acordo com o neurocirurgião, Ricardo Ono Maruyama, um dos principais desafios está justamente na identificação inicial dos sintomas, que muitas vezes podem ser confundidos com condições comuns do dia a dia.
“Os tumores cerebrais e, principalmente, as metástases cerebrais podem se desenvolver em áreas ‘silenciosas’, ou seja, regiões do cérebro que inicialmente não provocam sintomas evidentes. Muitas vezes, o paciente só percebe alterações quando a lesão já atingiu tamanho maior”, explica.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), os tumores do sistema nervoso central, que incluem cérebro e medula espinhal, correspondem entre 1,4% e 4% dos cânceres malignos registrados no País. Ainda assim, o impacto pode ser devastador, especialmente quando o diagnóstico acontece em fases mais avançadas.
“O mais importante é não normalizar sintomas neurológicos novos ou persistentes. Muitas vezes, o próprio paciente percebe que existe algo diferente acontecendo. Investigar precocemente pode mudar completamente a história da doença”, alerta o especialista.
Todos os anos, mais de 12 mil novos casos são diagnosticados no Brasil. Entre crianças e adolescentes, o câncer cerebral é a segunda principal causa de morte por câncer, atrás apenas das leucemias. Nesse cenário, o Maio Cinza surge como importante movimento de conscientização sobre os sinais de alerta, a necessidade de diagnóstico precoce e os avanços no tratamento da doença.
Sintomas podem surgir de forma silenciosa
Segundo o neurocirurgião, reconhecer precocemente mudanças pode impactar diretamente as chances de sucesso no tratamento e na preservação da qualidade de vida do paciente. Entre os sinais que merecem atenção estão:
- dores de cabeça persistentes e progressivas;
- náuseas sem causa aparente;
- alterações visuais;
- tonturas;
- convulsões;
- perda de força muscular;
- dificuldades na fala;
- lapsos de memória e
- alterações no equilíbrio.
“Sintomas persistente por mais de duas semanas devem ser investigados com avaliação clínica e exames de imagem”, alerta o especialista.
Exames de imagem mudam o prognóstico do câncer cerebral
Segundo o médico, o avanço tecnológico tem transformado significativamente o diagnóstico e o tratamento dos tumores cerebrais. Exames como ressonância magnética e PET Scan permitem identificar lesões de forma cada vez mais precoce, aumentando as chances de sucesso terapêutico.
“A boa notícia é que já conseguimos diagnosticar tumores cerebrais em estágios muito mais iniciais graças à evolução dos métodos de imagem. Isso muda completamente o prognóstico do paciente, porque quanto mais cedo temos acesso à doença, maiores são as possibilidades de controle e preservação da qualidade de vida”, afirma o médico.
Os avanços nos exames de imagem e nas abordagens terapêuticas também têm mudado o perfil dos pacientes diagnosticados com tumores cerebrais. Segundo o especialista, já é possível identificar lesões em fases mais iniciais, inclusive em pessoas mais jovens, muitas vezes antes do surgimento de sintomas neurológicos graves.
Ao mesmo tempo, o aumento da expectativa de vida da população brasileira fez crescer o número de idosos em tratamento oncológico, incluindo pacientes com câncer cerebral. “Hoje, avaliamos muito mais o perfil clínico e funcional do paciente do que a idade em si”, afirma o neurocirurgião.
“GPS cirúrgico” aumenta precisão e reduz sequelas em cirurgias cerebrais
Além do diagnóstico precoce, a neurocirurgia também passou por importantes inovações. Entre os recursos mais modernos está a Neuronavegação, tecnologia que auxilia o cirurgião na localização exata da lesão cerebral durante o procedimento.
“A Neuronavegação funciona como um ‘GPS cirúrgico’. Ela permite definir uma via de acesso mais segura e realizar uma ressecção tumoral mais precisa, reduzindo danos aos tecidos cerebrais adjacentes e diminuindo o risco de sequelas”, detalha o especialista.
Outro avanço importante é o uso do Potencial Evocado Intraoperatório, técnica de monitorização eletrofisiológica realizada durante a cirurgia. “Essa tecnologia permite monitorar funções motoras, visuais e de linguagem em tempo real, enquanto o tumor é retirado. Isso aumenta significativamente a segurança cirúrgica e ajuda a preservar funções neurológicas essenciais”, explica.
No tratamento do câncer cerebral, a atuação multidisciplinar também faz diferença nos resultados clínicos e na qualidade de vida dos pacientes.
Metástase cerebral ainda é um dos maiores desafios da oncologia
Mesmo com todos esses avanços, o neurocirurgião reforça que os casos de metástase cerebral ainda representam um dos maiores desafios da Oncologia neurológica. “O grande objetivo da neurocirurgia oncológica não é apenas tratar a doença, mas devolver qualidade de vida ao paciente. Em muitos casos de metástase cerebral, esse continua sendo um dos maiores desafios da especialidade”, pontua.
Para o médico, um dos principais alertas do Maio Cinza é incentivar a população a não ignorar sintomas neurológicos aparentemente simples, especialmente pacientes com histórico oncológico. “Quando os sinais surgem de forma persistente, progressiva ou diferente do habitual, é fundamental procurar avaliação médica, principalmente em pacientes com histórico de câncer, que possuem mais risco de desenvolver metástases cerebrais”, oriente o neurocirurgião do IBCC Oncologia.
O médico alerta que, muitas vezes, o próprio paciente percebe que existe algo diferente acontecendo. O mais importante é procurar avaliação médica especializada e questionar a necessidade de uma investigação neurológica. “Comunicar ao médico sintomas como dores de cabeça novas, tonturas, desequilíbrio, falhas de memória ou dificuldades na fala, além de questioná-lo e propor uma investigação mais detalhada, pode mudar completamente a história da doença”, reforça o neurocirurgião.
Fonte: Portal CidadeVerde.
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