Pesquisa indica que 91% dos participantes tiveram ganhos emocionais após reduzir a conexão no celular
Estudo da Universidade de Alberta revela o impacto da desconexão na saúde mental | Foto: DC Studio/MagnificFicar sem acesso à internet no celular pode melhorar significativamente o bem-estar emocional e a capacidade de concentração. É o que aponta um estudo da Universidade de Alberta, no Canadá, publicado no periódico científico Pnas.
A pesquisa acompanhou 467 voluntários que aceitaram bloquear o Wi-Fi e os dados móveis dos smartphones por duas semanas. Ao fim do experimento, 91% dos participantes apresentaram melhora na saúde mental e no foco em tarefas do cotidiano.
Segundo os pesquisadores, a redução da conexão diminuiu a sobrecarga de informações e permitiu que os participantes dedicassem mais tempo a atividades físicas, encontros presenciais e momentos de descanso.
O experimento da desconexão
Para realizar o estudo, os voluntários instalaram um aplicativo capaz de bloquear completamente o acesso à internet móvel por 14 dias. Durante o período, funções básicas dos aparelhos, como chamadas telefônicas e mensagens SMS, permaneceram disponíveis.
Os participantes foram divididos em grupos para que os pesquisadores comparassem os resultados com maior precisão. De acordo com os autores, os efeitos positivos da desconexão apareceram rapidamente e atingiram a maioria dos envolvidos.
A principal explicação apontada pelo estudo é que a ausência de estímulos constantes abriu espaço para atividades consideradas mais saudáveis, como exercícios físicos, socialização presencial e contato com a natureza.

Grupo de amigos conversando | Reprodução/Freepik
Menos estímulos, mais concentração
O estudo também reforça uma percepção comum entre usuários de smartphones: o excesso de informações pode provocar fadiga mental e dificultar a concentração.
A psicóloga Bianca Dalmaso, do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que a rotina atual é marcada por estímulos contínuos.
Recebemos ou temos acesso a uma quantidade muito grande de informações e isso acaba exigindo que o nosso cérebro processe estímulos constantes, o que pode levar à fadiga mental.
Além da sobrecarga cognitiva, as notificações frequentes contribuem para interrupções repetidas ao longo do dia.
Sons de notificações e a tentação de checar redes sociais fazem com que interrompamos as tarefas, prejudicando a atenção sustentada e a produtividade.
Segundo os especialistas, reduzir o acesso à internet no celular ajuda a diminuir o chamado “sequestro de atenção” provocado pelos aplicativos e pelas redes sociais.
Redes sociais e impacto emocional
Os pesquisadores também observaram efeitos relacionados ao uso intenso das redes sociais. De acordo com Bianca Dalmaso, a exposição frequente a conteúdos idealizados pode favorecer sentimentos de ansiedade, comparação e frustração.
Com menos tempo online, os participantes passaram a investir mais em descanso real e em interações presenciais, fatores considerados importantes para o equilíbrio emocional.
O estudo aponta que a redução do tempo conectado pode contribuir para uma relação mais saudável com a própria rotina e diminuir a sensação constante de comparação com a vida de outras pessoas.
Estratégias para reduzir os danos
Embora nem todos consigam passar longos períodos desconectados, especialistas defendem pequenas mudanças para reduzir os impactos do excesso de uso do celular.
Bianca Dalmaso recomenda que o usuário defina um objetivo antes de desbloquear o aparelho.
Vale se perguntar ‘por que estou acessando agora?’, o que ajuda a evitar o uso automático.
Outras medidas recomendadas incluem:
- organizar a tela inicial e esconder aplicativos de redes sociais;
- ativar o modo “Não Perturbe” durante estudos, trabalho e sono;
- evitar o uso do celular em refeições e encontros com amigos;
- reservar algumas horas ou um dia da semana para um “jejum digital”.
(Com informações da Agência Einstein)
Confira esta e outras matérias na íntegra pelo link: https://www.meionews.com/bem-estar/ficar-sem-internet-no-celular-pode-aumentar-a-felicidade-veja-o-que-diz-estudo-56401
