Teresina - PI, Quinta Feira, 05 de Março de 2026
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Diabetes avança entre mulheres e já atinge 25% dos adultos no Brasil

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A Vigitel 2025, pesquisa telefônica do Ministério da Saúde, mostra que o diabetes teve alta de 135% entre 2006 e 2024. No período, a prevalência aumentou de 5,5% para 12,9%. No último ano, 14,3% das mulheres referiram diabetes, ante 11,2% da população masculina. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier, de Campinas, e membro do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia), a mulher tem mais diabetes porque muitas enfrentam jornada dupla de trabalho que, somada ao sedentarismo, falta de sono e sobrepeso, forma um verdadeiro coquetel Molotov no organismo.

O oftalmologista afirma que a visão flutuante e borrada é o primeiro sinal do diabetes. É causada pela diminuição da lágrima e pela oxidação do cristalino do olho. Por isso, muitas pessoas descobrem a doença durante uma consulta oftalmológica, que deve ser anual, independentemente de sintomas. Isso porque a maioria das doenças oculares é assintomática no início, e a visão perdida pode ser irrecuperável, especialmente quando o nervo óptico e a retina são danificados.

Chance de perda da visão é até 25 vezes maior

Queiroz Neto explica que o diabetes é uma doença progressiva e aumenta em até 25 vezes o risco de perda da visão. Isso porque, no diabético, quando a glicose entra no cristalino do olho, parte é transformada em sorbitol, o cristalino absorve mais água e a repetição desse processo leva à oxidação da lente do olho. Por isso, a catarata em diabéticos aparece mais cedo e, independentemente da idade, a cirurgia deve ser realizada para que a retina continue visível durante os exames.

Progressão

“O diabetes provoca uma inflamação generalizada no organismo, desidrata, altera o sistema imunológico e a circulação”, destaca. Por isso, com o tempo, pode reduzir a quantidade e a qualidade da lágrima e provocar desconforto diante das telas decorrente do olho seco. Toda a circulação, inclusive dos delicados vasos sanguíneos do fundo do olho, sofre alterações. Por isso, toda pessoa que tem diabetes deve fazer exames oftalmológicos periódicos. Caso enxergue manchas escuras ou muitas moscas volantes, deve consultar um oftalmologista imediatamente. Isso porque, explica, essas alterações podem estar associadas ao descolamento de retina, degeneração macular ou retinopatia diabética.

Tipos de diabetes

Uma evidência do maior risco de cegueira entre diabéticos foi comprovada por uma pesquisa recente desenvolvida em 41 países, incluindo o Brasil, pelo IDF (International Diabetes Federation), IAPB (agência de controle da cegueira ligada à OMS) e IFA (International Federation on Ageing). A pesquisa mostra que metade dos diabéticos só é diagnosticada anos depois de conviver com a doença e, quanto mais tardio o diagnóstico, maior a chance de perder a visão. Pior: quase um terço, 31%, nunca recebeu informação sobre retinopatia e edema macular, decorrentes do diabetes, importantes causas de perda definitiva da visão entre pessoas de 20 a 60 anos. O oftalmologista destaca que, no Brasil, o primeiro diagnóstico de diabetes muitas vezes acontece durante um exame de fundo de olho porque o brasileiro não tem o hábito de fazer check-up. A visão, ressalta, responde por 85% de nossa integração com o meio ambiente.

Por isso, determina a independência conforme envelhecemos.

Catarata, outras alterações oculares e sistêmicas

Além das alterações na retina, o diabetes dobra o risco de contrair catarata, segundo um estudo realizado no Reino Unido com mais de 50 mil pessoas. Queiroz Neto explica que isso acontece porque os depósitos de glicemia nas paredes do olho, somados às constantes oscilações dos níveis glicêmicos, aumentam a formação de radicais livres e aceleram o processo de envelhecimento do cristalino, lente interna do olho. O especialista afirma que o adiamento da cirurgia é contraindicado porque torna o procedimento mais perigoso ao impedir o bom acompanhamento de alterações na retina causadas pelo diabetes, como descolamento de retina, retinopatia diabética, formação de neovasos e degeneração macular. Todas essas condições são emergenciais e devem ser verificadas por um oftalmologista imediatamente.

A hiperglicemia, observa, também pode causar complicações cardiovasculares, insuficiência renal, amputação e danos nos nervos decorrentes da má circulação. Por isso, requer acompanhamento em conjunto de vários especialistas.

Tipos de diabetes

Queiroz Neto explica que 10% dos casos de diabetes são do tipo 1, causada por uma alteração no sistema imunológico que dificulta a produção de insulina pelo pâncreas. A falta de insulina, hormônio que transforma a glicose dos alimentos em energia, cria depósitos de glicemia no sangue. O tratamento para reequilibrar o organismo é feito com reposição de insulina. “Nos outros 90%, o diabetes é do tipo 2 e resulta da resistência das células à insulina, desencadeada pelo estilo de vida, e só em casos extremos é indicado o uso de insulina”, esclarece.

Tratamentos

Para o controle do diabetes, hipertensão arterial e colesterol alto, são indicados medicamentos que devem ser usados sob supervisão médica. O oftalmologista ressalta que o único tratamento para catarata é a cirurgia, que substitui o cristalino opaco pelo implante de uma lente intraocular que pode restaurar a visão para todas as distâncias; olho seco, aplicação de luz pulsada e colírio; casos avançados de retinopatia e degeneração macular seca, injeções intraoculares anti-VEGF; edema macular, fotocoagulação a laser para vasos anormais; e vitrectomia para sangramentos graves ou descolamento de retina.

Prevenção

As principais dicas do oftalmologista para prevenir o diabetes são:

Faça um hemograma completo anualmente, especialmente se passou dos 40 anos; pratique no mínimo 150 minutos por semana de atividade física; reduza o consumo de ultraprocessados, refrigerantes, frituras, doces e alimentos calóricos; inclua na dieta grãos integrais, legumes, verduras e frutas; desligue as telas uma hora antes de dormir; durma de seis a oito horas por noite.

“As alterações nos olhos passam despercebidas no início porque nosso cérebro se adapta. Para ter melhor qualidade de vida, coloque na agenda sua saúde”, finaliza.

 

Fonte: Portal CidadeVerde.
Confira esta e outras matérias na íntegra pelo link: https://cidadeverde.com/noticias/451903/diabetes-avanca-entre-mulheres-e-ja-atinge-25-dos-adultos-no-brasil

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