Teresina - PI, Quinta Feira, 19 de Fevereiro de 2026
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Seu filho não gosta de certos legumes? Pesquisa indica que genética influencia

A dificuldade de fazer uma criança aceitar determinados alimentos é uma situação comum em muitas famílias. Legumes como o brócolis, por exemplo, costumam provocar caretas, rejeição imediata e até náusea em alguns pequenos. Mas apesar desse comportamento ainda ser frequentemente interpretado como birra ou seletividade exagerada, estudos recentes indicam que a explicação pode estar no DNA.

De acordo com o Dr. Fabiano de Abreu Agrela, pós PhD em neurociências e especialista em genômica, a rejeição alimentar infantil nem sempre tem origem psicológica ou comportamental. Em atendimentos clínicos e análises genéticas realizadas com famílias, o neurocientista observou padrões claros que associam a recusa por determinados alimentos a predisposições genéticas específicas.

“Analisei dados genéticos de dezenas de crianças e entrevistei seus familiares sobre o comportamento alimentar. Em todos os casos, foi possível identificar diferenças genéticas relacionadas à rejeição de certos alimentos”, explica.

“Essas crianças não estavam ‘com frescura para comer’, mas reagindo a estímulos que o próprio organismo interpreta como desagradáveis ou potencialmente nocivos”.

 

Genes ligados à rejeição de alimentos

Um dos exemplos observados envolve crianças com hipermobilidade, condição caracterizada por maior elasticidade dos tecidos. Essa característica pode interferir na sensibilidade oral e na forma como texturas e sabores são percebidos.

“Essas crianças apresentavam rejeição alimentar real, associada a uma condição física. Em muitos casos, os pais só descobriram a hipermobilidade a partir dessas análises”, relata o Dr. Fabiano de Abreu Agrela, autor do estudo realizado através do GIP – Genetic Intelligence Project, projeto de análise avançada em bioinformática e epistasia criado para interpretar o genoma humano como um sistema integrado, dinâmico e funcional em parceria com o CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito.

No caso de alimentos como o brócolis, por exemplo, o especialista cita a atuação do gene TAS2R38, responsável pela percepção de sabores amargos. Em algumas pessoas, esse gene faz com que certos vegetais tenham um gosto extremamente intenso, descrito como químico ou até venenoso.

“O que o intestino sente, o cérebro interpreta como risco. A partir disso, cria-se uma aversão neuroquímica como mecanismo de proteção. Trata-se de uma resposta instintiva, ligada à sobrevivência, e não a uma escolha consciente da criança.”, explica.

Após o diagnóstico, a orientação é substituir os alimentos rejeitados por outros com valor nutricional semelhante.

“Se a criança não tolera brócolis, existem diversas alternativas que oferecem as mesmas vitaminas e minerais. O importante é garantir o aporte nutricional sem forçar o consumo”, afirma o neurocientista.

 

É diferente de alergias

Mas o Dr. Fabiano de Abreu Agrela destaca ainda que esses casos não se confundem com alergias alimentares, já que os sintomas costumam ser mais sutis. Durante as análises, ele também identificou crianças com desconforto ao consumir leite que apresentavam predisposição genética à intolerância à lactose, mesmo sem diagnóstico formal.

Elas não tinham sintomas graves, mas o organismo já sinalizava dificuldade na digestão”, observa.

De acordo com o Dr. Fabiano, a nutrigenética amplia o diálogo entre famílias, médicos e nutricionistas, permitindo planos alimentares mais individualizados e eficientes. Ele também reforça que testes genéticos estão cada vez mais acessíveis.

“Ainda existe a ideia de que exames genéticos são caros, mas hoje eles estão muito mais disponíveis. Com informação adequada, é possível evitar conflitos à mesa e cuidar melhor da saúde da criança”, conclui.

 

Fonte: Portal CidadeVerde.
Confira esta e outras matérias na íntegra pelo link: https://cidadeverde.com/noticias/451002/seu-filho-nao-gosta-de-certos-legumes-pesquisa-indica-que-genetica-influencia

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