Teresina - PI, Terça Feira, 17 de Fevereiro de 2026
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Após seca extrema, Piauí pode enfrentar novo cenário crítico em 2026

Mapa de dezembro com seca extrema (vermelho), seca grave (laranja) e seca moderada (mais claro)

Em 2025, o Piauí enfrentou um cenário de seca em todas as regiões do estado. O monitoramento mensal realizado pela Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) apontou que, em janeiro, a seca era classificada como fraca a moderada, mas evoluiu ao longo do ano, chegando ao nível de seca extrema no meio de 2025.

Esse cenário pode se repetir em 2026, influenciado por fatores como as mudanças climáticas. No ano passado, foram registrados níveis de seca moderada, grave e extrema. Segundo o climatologista-chefe da Semarh, Pedro Aderaldo, a seca extrema apresentou redução nos dois últimos meses de 2025.

“Percebemos que em 2025, no início do ano, por se enquadrar no período chuvoso, as secas foram mais fracas a moderada, no entanto, a partir de julho se observou uma entrada realmente no período onde não tinha chuvas, percebemos uma intensificação da seca sendo ela mais extrema. Se formos observar todo o ano ele foi totalmente completo por secas. Uma das características foi a grande presença de seca. Se formos analisar novembro e dezembro, já houve um abrandamento porque se iniciou as chuvas, mesmo que espaçadas e isoladas, mas trouxe uma diminuição da seca no território”, narra.

Foto: Renato Andrade / Cidadeverde.com

A seca moderada é caracterizada por alguns danos às culturas e pastagens; córregos, reservatórios ou poços com níveis baixos; além de algumas faltas de água em desenvolvimento ou iminentes, com pedidos de restrições voluntárias no uso da água.

A seca grave ocorre quando há perda provável de culturas ou pastagens, escassez de água mais comum e imposição de restrições no uso.

No monitoramento de dezembro, 56 municípios do Piauí estavam em situação de seca extrema, estágio em que há grandes perdas de culturas e pastagens, além de escassez generalizada de água ou restrições severas.

“A região mais castigada foi a Sudeste do estado. Os municípios que fazem divisa com a Bahia, Pernambuco. Ali é uma região que nos preocupa muito até mesmo para o ano de 2026. Recentemente fui em Betânia e a gente percebe olhando do alto de um morro os rios totalmente secos, a vegetação totalmente seca, o solo com regolito, quartzo aflorando, camadas de solo quase inexistentes. Os animais magros. Essa região foi uma das mais castigadas”, explica o climatologista.

Risco de nova seca severa

Foto: Divulgação / Semarh

Para 2026, novos parâmetros foram analisados para prever a ocorrência de seca no estado. Ao avaliar a normal climatológica, média dos principais dados meteorológicos de uma região calculada ao longo de um período padrão de 30 anos, a previsão é que ela fique abaixo da média na região Sul do Piauí.

A normal climatológica é classificada como acima da média (mais quente ou mais chuvoso que o normal), abaixo da média (mais frio ou mais seco) ou dentro da normalidade.

“A gente percebe que até abril, que se passarmos uma linha no meio do estado, a porção norte vai ter uma normal climatológica variando de normal ou abaixo, e a porção Sul totalmente abaixo. A gente percebe até pela pré-estação chuvosa e pelo início da estação chuvosas que as chuvas estão isoladas em determinados municípios. As de uma ou duas horas com grandes volumes nos preocupa para 2026, porque intensifica a seca. A gente torce para que essas previsões mudem, mas o ano de 2026 a seca também será semelhante à de 2025. Se chovesse como choveu na região norte, 100mm, 150mm, em poucas horas, se chovesse isso em 30 dias era uma realidade totalmente diferente para o agricultor, para todos, até para quem mora nas cidades”, conta.

As mudanças climáticas têm alterado de forma crescente os padrões de chuva e a ocorrência de secas no Piauí e em outros estados do Nordeste. O estado tem registrado redução e maior irregularidade das precipitações, o que contribui para secas mais intensas e frequentes, além de temperaturas mais elevadas.

“O grande problema das mudanças climáticas são esses dias com chuvas mais intensas e, além disso, períodos secos cada vez maiores. Observamos com o passar dos anos que os períodos secos estão maiores, antes se resumiam há seis meses e agora passamos para 7 meses, 8 meses, e com períodos chuvosos menores onde esses períodos chuvosos com as chuvas setorizadas em dias isolados, ou em poucas horas, o que é um cenário totalmente ruim para o agricultor e população de modo geral”, pontua.

Estações para cobrir vazios de informação

Foto: Renato Andrade / Cidadeverde.com

Para aprimorar o monitoramento na região Sul do Piauí, a Semarh instalou 10 estações meteorológicas em áreas abertas onde havia vazios de informação. Os equipamentos foram instalados em topos de morros e longe das cidades e devem coletar dados a cada minuto sobre as condições climáticas nessas localidades.

Arraial, Picos, Pio IX, Vera Mendes, Paes Landim, Canto do Buriti, São João do Piauí, Raimundo Nonato, Lagoa do Barro do Piauí e Betânia do Piauí são as cidades que receberam as estações. A etapa de aquisição de dados ainda está em fase de testes.

“Com essa aquisição de dados base vão se passar a entender um pouco mais detalhado e real, de minuto em minuto, do que se passa lá com relação à temperatura, chuvas, umidade do solo, pressão, uma série de parâmetros climáticos e meteorológicos que vai passar a entender e compreender a realidade de convivência com a seca, de gestão dos recursos hídricos, uma série de dados”, finaliza.

Fonte: Portal CidadeVerde.
Confira esta e outras matérias na íntegra pelo link: https://cidadeverde.com/noticias/450748/apos-seca-extrema-piaui-pode-enfrentar-novo-cenario-critico-em-2026

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