Luciano Mourão destaca que morcego reservatório não é típico do país e transmissão é diferente da Covid-19.
Morcego e o vírus Nipah. | Foto: Reprodução/ Montagem: MeioNewsO vírus Nipah tem sido motivo de preocupação para muitos brasileiros, especialmente na época do Carnaval, quando as transmissões de doenças tendem a se tornar mais favoráveis em virtude das aglomerações. Em entrevista à Rede Meio Norte, o médico infectologista Luciano Mourão esclareceu dúvidas sobre a infecção e reforçou que a população pode ficar tranquila.
Segundo o especialista, o morcego relacionado ao vírus “não é característico da nossa região, do nosso país”. Ele explicou ainda que esses animais funcionam como reservatórios do vírus, podendo contaminar outros animais, principalmente porcos.
“Então as pessoas que sofrem acidentes com esses morcegos, arranhaduras, mordeduras ou que ingerem carnes de porcos tem uma probabilidade grande de serem infectadas só que na realidade não é uma doença típica aqui da nossa região, do nosso país”, disse.
O especialista ressaltou que o Nipah não é uma doença nova. Segundo ele, os primeiros registros são de 1999 e costumam ser isolados. Ele alertou, no entanto, que o vírus pode evoluir para formas graves.
“É um vírus que pode evoluir realmente com formas graves esse vírus tem afinidade pelas vias respiratórias e infelizmente também pelo sistema neurológico ou seja, pelo cérebro então ele pode causar encefalite e realmente tem um risco de causar um número elevado de mortes em pessoas infectadas”.
Sem motivo para pânico
O infectologista apontou que, embora seja compreensível o temor após o impacto mundial da COVID-19, o Nipah possui características diferentes.
O Nipah é um vírus que tem outras características, ele não é um vírus novo, a transmissão é diferente, não é por via aérea, prioritariamente, como era a Covid, ou seja, o Nipah não se espalha com tanta velocidade, e nós não temos aqui o reservatório que é esse tipo de morcego. Então, não precisa a população ficar alarmada, temerosa.
Segundo ele, mesmo que uma pessoa infectada possa viajar ao país, a transmissão entre pessoas não ocorre de forma rápida.
“Então a gente não precisa ficar tão preocupado. A OMS não liberou nenhum alerta com relação a isso. Então, os países próximos, ali vizinhos, não estão em alerta máximo, não é nada que a população precise ficar preocupada exageradamente”, afirmou.
