Campeão da Premier League em 2016 perde pontos por punição financeira e vive colapso esportivo
Kanté com a taça da Premier League após o título na temporada 2015/16 | Foto: Getty ImagesUma década depois de conquistar a Premier League 2015/16, em uma das maiores zebras da história do futebol, o Leicester City vive um dos momentos mais delicados de sua trajetória. Punido com a perda de seis pontos na Championship por violar regras financeiras, o clube passou a ocupar a 21ª colocação, com 32 pontos, e só permanece fora da zona de rebaixamento para a terceira divisão pelo critério de saldo de gols.
A sanção foi aplicada por uma comissão independente após a constatação de infrações às regras de lucro e sustentabilidade da liga inglesa, considerando um ciclo de três anos encerrado na temporada 2023/24. O Leicester classificou a punição como “desproporcional” e informou que avalia quais medidas jurídicas poderá adotar. A perda de pontos agravou ainda mais a situação esportiva da equipe na segunda divisão.

“3 anos, 200 milhões (de libras) perdidos, 2 rebaixamentos”: torcedores do Leicester protestam — Foto: Getty Images
Do auge ao declínio
Após o título histórico de 2016, o Leicester conseguiu manter relevância por alguns anos. Conservou parte do elenco campeão, como Jamie Vardy, que permaneceu até 2025, fez campanhas competitivas e voltou a erguer um troféu em 2021, com a conquista da Copa da Inglaterra. No entanto, a partir de 2022/23, a trajetória passou a ser marcada por instabilidade, rebaixamentos e decisões financeiras arriscadas.
Segundo o economista César Grafietti, a crise atual é resultado de uma “composição de erros esportivos”. Rebaixado em 2022/23, o Leicester tinha a sétima maior folha salarial da Premier League e a maior já registrada por um clube que caiu de divisão. Mesmo após reduzir custos em cerca de 48%, manteve a folha mais alta da história da Championship. Promovido novamente em 2023/24, fez uma campanha fraca na elite em 2024/25, terminou com apenas 25 pontos e voltou a ser rebaixado.
“O clube retorna à Premier League com grande prejuízo, monta um elenco caro e pouco competitivo, cai novamente e segue na segunda divisão com custos elevados e receitas muito menores”, analisa Grafietti.
A atual crise também recai sobre a diretoria. O presidente Aiyawatt ‘Top’ Srivaddhanaprabha, CEO do grupo King Power, o diretor de futebol Jon Rudkin e a ex-CEO Susan Whelan, que deixou o cargo em outubro, são apontados por torcedores como responsáveis pelo colapso. Desde o último rebaixamento, o clube tem sido alvo de protestos frequentes no King Power Stadium.
Impacto esportivo imediato
Dentro de campo, os reflexos são claros. O Leicester não venceu nas últimas cinco partidas da Championship, acumulando quatro derrotas e um empate. O técnico Martí Cifuentes foi demitido há duas semanas, e o clube segue sem comandante efetivo. O ex-jogador Andy King, integrante do elenco campeão de 2015/16, assumiu interinamente enquanto a diretoria busca uma solução.

Andy King, campeão da Premier League em 2016 como jogador, é o atual técnico interino do Leicester — Foto: Getty Images
A combinação de punição financeira, má gestão e desempenho esportivo abaixo do esperado coloca em risco a permanência do Leicester na segunda divisão e ameaça empurrar o ex-campeão inglês para um cenário impensável há dez anos: a terceira divisão do futebol inglês.
