Instabilidade pode gerar dúvidas sobre débito, duplicidade e devolução de valores; entenda como funciona o processo
o que acontece com o dinheiro quando o aplicativo do banco cai? | Foto: Agência BrasilCom mais de 170 milhões de usuários e movimentações que somam trilhões de reais, o Pix se consolidou como a principal infraestrutura de pagamentos do Brasil. No entanto, quando o aplicativo do banco apresenta instabilidade no momento da transferência, muitos usuários ficam em dúvida sobre o destino do dinheiro e os riscos envolvidos.
O dinheiro sai da conta?
Quando a instabilidade ocorre durante o envio do Pix, a transação geralmente não é finalizada. De acordo com o Itaú, nesses casos, o valor não é debitado e permanece disponível na conta do cliente. O Pix só é considerado concluído quando todo o processo ocorre com sucesso, tanto para quem envia quanto para quem recebe.
Mensagens genéricas como “não foi possível enviar o valor” podem causar confusão. Por isso, a orientação oficial é aguardar a normalização do sistema antes de tentar novamente.
“Essa espera ajuda a garantir que a transação seja processada com segurança, evitando falhas ou o risco de envio em duplicidade”, orienta a instituição financeira.
O risco do pagamento duplicado
Embora o Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), do Banco Central, seja projetado para evitar transações repetidas, a duplicidade pode ocorrer. O risco está no banco emissor: se uma nova ordem de pagamento for enviada com um identificador diferente, mesmo para o mesmo valor e recebedor, o sistema pode processar o Pix novamente.
Segundo o Banco Central, “existe a possibilidade teórica de pagamentos duplicados”, dependendo do funcionamento do banco que envia a ordem. O advogado especialista em Direito Bancário, Fabiano Jantalia, explica que isso costuma acontecer quando o usuário refaz a transferência após uma mensagem de erro imprecisa.
Como recuperar o dinheiro
Se o valor for debitado e não chegar ao destino, ou se houver envio em duplicidade, o consumidor deve acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED). Apesar de ser mais conhecido em casos de golpes e fraudes, o MED também cobre falhas operacionais das instituições financeiras.
O Banco Central afirma que esse é “o melhor caminho” nesses casos. Para erros sistêmicos, como instabilidade ou duplicidade, o prazo para devolução costuma ser rápido.
“Para essa hipótese, o dinheiro deve ser devolvido em até 24 horas”, esclarece Jantalia.
Como provar o erro
Para evitar prejuízos, o consumidor deve guardar registros da tentativa de pagamento. Um print da tela de erro ajuda, mas pode não ser suficiente sozinho. O ideal é reunir:
- Comprovante do Pix, se houver;
- Extrato bancário com o débito;
- Print da mensagem de erro, com data e horário;
- Protocolo de atendimento do banco.
Segundo especialistas, a responsabilidade das instituições financeiras é objetiva, conforme o Código de Defesa do Consumidor. Isso significa que, se a falha causar prejuízos materiais ou morais, o cliente pode buscar indenização, a depender da análise de cada caso.
“A responsabilidade existe, mas tudo depende da situação concreta”, conclui Jantalia
Fonte: Portal MeioNews.
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