Teresina - PI, Terça Feira, 03 de Fevereiro de 2026
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Como o excesso de informações afeta a nossa inteligência existencial

A sensação de que algo importante está acontecendo enquanto não estamos olhando para a tela se tornou um traço marcante da vida contemporânea. Conhecido pela sigla FOMO, do inglês “Fear of Missing Out”, o fenômeno descreve o medo constante de ficar por fora de informações, tendências, conversas ou experiências.

Impulsionado pelo fluxo enorme e ininterrupto de conteúdos nas redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de notícias, esse comportamento vai além da ansiedade momentânea e começa a afetar dimensões mais profundas da vida psíquica, como a inteligência existencial.

A inteligência existencial está ligada à capacidade de refletir sobre propósito, sentido de vida, valores e escolhas conscientes. Quando o indivíduo vive em estado permanente de alerta informacional, essa dimensão tende a ser enfraquecida. O excesso de estímulos fragmenta a atenção, dificulta a autorreflexão e reduz o espaço mental necessário para perguntas fundamentais sobre quem somos, para onde estamos indo e por que fazemos o que fazemos.

“O medo de ficar por fora das atualizações, mesmo que inúteis, consome nosso cérebro e tira o foco de outras atividades mais proveitosas”, afirma a auditora e pesquisadora do CPAH, Flávia Ceccato, autora do livro Descobrindo a Inteligência Existencial: Ferramentas, Insights e Implicações.

“O FOMO cria uma falsa sensação de urgência, o que mantém o indivíduo preso ao externo nessa situação, enquanto questões internas, que exigem silêncio e profundidade, são constantemente adiadas”, alerta.

Sobrecarga de informações

Do ponto de vista cognitivo, o excesso de informações sobrecarrega os sistemas de atenção e tomada de decisão. O cérebro passa a operar em modo reativo, respondendo a notificações, tendências e estímulos imediatos, em vez de atuar de forma deliberada. Esse funcionamento contínuo em estado de alerta reduz a capacidade de fazer escolhas alinhadas a valores pessoais, um dos pilares da inteligência existencial.

“Outro impacto muito importante está na construção da identidade, quando nos comparamos constantemente com narrativas editadas e recortes idealizados da vida alheia, o indivíduo tende a medir suas próprias escolhas a partir de parâmetros externos. Isso enfraquece o senso de autoria da própria trajetória e alimenta uma percepção de inadequação constante, como se sempre estivesse faltando algo para estar ‘no lugar certo’”.

“Quando a mente está ocupada demais tentando acompanhar tudo o que acontece fora, ela perde a capacidade de elaborar o que acontece dentro. A reflexão existencial não surge no excesso, mas no espaço”, afirma.

Raízes bem mais profundas

O crescimento do FOMO também reflete uma mudança cultural mais ampla, em que estar informado passou a ser confundido com estar preparado ou realizado. No entanto, informação sem reflexão não gera sabedoria. A inteligência existencial depende da capacidade de selecionar, filtrar e atribuir significado, habilidades que se perdem quando tudo parece igualmente urgente e relevante.

“Diante disso, repensar a relação com o consumo de informações não é apenas importante, é fundamental para preservar a saúde mental e existencial. Reduzir estímulos não significa se alienar, mas criar condições para que a mente volte a operar com profundidade”, destaca Flávia Ceccato.

 

Fonte: Portal CidadeVerde.
Confira esta e outras matérias na íntegra pelo link: https://cidadeverde.com/noticias/450079/como-o-excesso-de-informacoes-afeta-a-nossa-inteligencia-existencial

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