Teresina - PI, Terça Feira, 03 de Fevereiro de 2026
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Lula projeta ida aos EUA em março para encontro ‘olho no olho’ com Donald Trump

Visita foi acertada em telefonema entre os presidentes e deve abordar relações bilaterais, democracia e crise na Venezuela.

 

Lula e Donald Trump durante encontro na 47ª Cúpula da ASEAN, em Kuala Lumpur, na Malásia | Reprodução/ Ricardo Stuckert/Presidência da RepúblicaLula e Donald Trump durante encontro na 47ª Cúpula da ASEAN, em Kuala Lumpur, na Malásia | Foto: Reprodução/ Ricardo Stuckert/Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (27) que pretende viajar a Washington, em março, para um encontro presencial com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo Lula, a ideia é ter uma conversa “olho no olho” para discutir a relação entre os dois países.

A declaração foi dada após a chegada do presidente brasileiro ao Panamá, onde participa do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe.

“Eu conversei com o Trump ontem, conversei com o Macron hoje, conversei com o Boric hoje e ainda vou falar com mais gente porque estou discutindo a questão do multilateralismo e da democracia no mundo inteiro. Espero marcar com o presidente Trump, no começo de março, uma viagem a Washington, porque os Estados Unidos e o Brasil são duas das principais democracias do Ocidente”, afirmou Lula.

O presidente disse ainda que acredita em uma retomada da normalidade nas relações internacionais.

 “Estou convencido de que vamos fortalecer o multilateralismo e fazer com que as economias voltem a crescer, porque é isso que o povo espera de todos nós”, completou.

Telefonema entre Lula e Trump

A visita foi combinada durante um telefonema entre Lula e Trump realizado na segunda-feira (26). De acordo com o Palácio do Planalto, a conversa durou cerca de 50 minutos e incluiu temas como a conjuntura internacional e a situação política da Venezuela.

Foi o primeiro contato entre os dois presidentes desde a ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela, no início do mês, que resultou na deposição e prisão do dirigente Nicolás Maduro, atualmente detido em território americano.

Lula, no entanto, já havia criticado publicamente a ação. Na última sexta-feira (23), classificou o episódio como uma “falta de respeito” e afirmou que a América Latina não vai “abaixar a cabeça para ninguém”.

Crise internacional

Durante o evento no Panamá, Lula avaliou que o mundo vive um momento “muito crítico” do ponto de vista político e afirmou que a Carta das Nações Unidas estaria sendo “rasgada”, com a prevalência da chamada “lei do mais forte” nas relações internacionais.

A expectativa é que o presidente brasileiro aproveite o atual cenário de instabilidade global para reforçar a defesa de uma reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), pauta recorrente desde seu primeiro mandato, em 2002.

Lula tem viagens previstas para a Índia e a Coreia do Sul em fevereiro. Apenas após o cumprimento dessas agendas, os governos brasileiro e norte-americano devem confirmar oficialmente a data da visita a Washington.

Situação da Venezuela

Questionado sobre a presença de militares norte-americanos no Caribe, Lula afirmou que deve conversar em breve com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e defendeu que os venezuelanos conduzam o próprio processo político.

“O povo venezuelano é quem vai encontrar uma solução para o seu destino. Não será o Brasil, não serão os Estados Unidos”, declarou.

Conselho da Paz

Outro tema abordado na conversa foi o convite feito ao Brasil para integrar o Conselho da Paz, iniciativa criada por Trump. Lula não confirmou se o país aceitará participar do órgão.

Segundo fontes da diplomacia, o governo brasileiro não tem pressa em responder e deve solicitar esclarecimentos técnicos sobre o estatuto do conselho. A avaliação é de que o Brasil não deve aderir a uma iniciativa com regras definidas de forma unilateral por Washington e sob presidência fixa dos Estados Unidos.

Durante o telefonema, Lula voltou a defender uma reforma ampla da ONU, com a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança.

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