Crianças e idosos são os que mais correm risco de estresse por calor. Hidratação, uso de bonés e protetor solar são medidas importantes para amenizar efeitos.
Com o Brasil passando por uma nova onda de calor, que pode elevar em até 7°C acima da média as temperaturas em algumas regiões, cresce o alerta para os efeitos das altas temperaturas no corpo.
De acordo com os especialistas, os “extremos de idade”, isto é, crianças e idosos, são os que mais correm risco de estresse por calor. Isso porque, além de terem organismos mais vulneráveis, muitas vezes não manifestam a necessidade de ingerir líquidos, o que pode levar à desidratação.
De forma geral, dois quadros são preocupantes e podem levar até a morte por alta exposição ao calor:
- Exaustão térmica (ou exaustão pelo calor), quando há uma perda excessiva de sais e líquidos devido ao calor;
- Insolação, quadro em que a temperatura corporal fica muito elevada, causando a disfunção de diversos sistemas do organismo.
Apesar da insolação ser considerada o caso mais grave, ambas as situações geram risco de morte. Caso não seja tratada, a exaustão térmica pode levar a um quadro de insolação.
Abaixo, nesta reportagem, entenda um pouco mais sobre cada um dos quadros e como se proteger das altas temperaturas.
Exaustão térmica (ou exaustão pelo calor)
Caracterizada pela perda excessiva de sais (eletrólitos) e líquidos devido ao calor, na exaustão térmica há uma diminuição do volume de sangue, provocando diversos sintomas nocivos, entre eles o desmaio e o colapso.
Segundo a Mayo Clinic, dos Estados Unidos, em climas quentes, o corpo se resfria pela transpiração e o suor regula a temperatura.
“Sabemos que o controle da temperatura corporal se dá pela evaporação do suor. Quando isso não acontece adequadamente, o corpo continua aumentando sua produção [de suor]. E, pelo suor, além da perda de líquidos, também perdemos eletrólitos, como o sódio”, explica Amanda Gonzales, cardiologista da Unidade de Cardiologia do Exercício do Hospital Sírio-Libanês.
“Ainda que a temperatura corporal não aumente tanto, essa perda contínua de eletrólitos, sem uma adequada reposição, pode levar ao colapso circulatório, o que chamamos de exaustão térmica”, comenta Amanda Gonzales.
Quando há um esforço excessivo em dias muito quentes, o corpo pode perder a capacidade de resfriamento – o que pode ter ocorrido nas longas peregrinações a Meca.
Calor e sol forte em São José dos Campos (Vale do Paraíba) — Foto: Reprodução/TV VanguardaComo resultado, aparecem sintomas de exaustão, que podem começar repentinamente ou progredir com o tempo. Os sintomas da incluem:
- Tontura
- Sensação de desmaio iminente
- Fraqueza
- Fadiga
- Dor de cabeça
- Visão embaçada
- Dores musculares
- Náusea
- Vômitos
Se a exaustão não for tratada, pode causar a insolação, que eleva a temperatura corporal a 40ºC ou mais – a temperatura considerada normal varia entre 36ºC e 37,2ºC. (veja mais sobre insolação abaixo)
Diferentemente da insolação, na exaustão pelo calor não há confusão ou descoordenação. Além disso, a temperatura corporal tende a ser normal.
Para tentar minimizar os efeitos da perda de eletrólitos em um ambiente de calor excessivo, a cardiologista explica que é importante sempre equilibrar o consumo de água, sódio e potássio. Ou seja, além de água “pura”, a pessoa também deve fazer a reposição de eletrólitos, com bebidas isotônicas, por exemplo, além de descansar em lugar fresco.
Insolação
Na insolação a temperatura corporal fica muito elevada, causando a disfunção de muitos sistemas do organismo e podendo ser fatal.
A insolação pode acontecer após horas de esforço físico ou dias de exposição a um clima quente. Nesse tipo de distúrbio, a temperatura coporal ultrapassa os 40 °C e o cérebro sofre de disfunção.
Entre os principais sintomas da insolação estão:
- Tonturas
- Sensação de desmaio iminente
- Má coordenação motoroa
- Fadiga
- Dor de cabeça
- Visão embaçada
- Dores musculares
- Náusea
- Vômitos
Devido à disfunção cerebral, a pessoa também pode ficar confusa e desorientada, sofrer convulsões ou entrar em coma. Em geral, há o aumento das frequências cardíaca e respiratória.
O tratamento para a insolação deve ser imediato, com medidas de resfriamento do corpo como imersão em água fria e líquidos resfriados aplicados por via intravenosa.
A pessoa deve ser levada ao hospital para monitoramento do quadro e controle mais efetivo da temperatura corporal.
Como se proteger do calor?
Os especialistas indicam que as principais medidas para evitar quadros de insolação e de exaustão térmica são:
- Se hidratar constantemente, seja com água, sucos ou isotônico. A ingestão de líquidos evita a desidratação e minimiza os efeitos de uma possível insolação. Atenção: bebidas alcóolicas não são indicadas para se hidratar;
- Usar roupas leves, que não apertem o corpo;
- Utilizar chapéu ou boné. Proteger a cabeça é essencial para evitar o superaquecimento do corpo, além de evitar queimaduras no couro cabeludo e bloquear parcialmente a radiação solar;
- Passar protetor solar. É importante aplicar antes de sair de casa e, idealmente, levar para que, ao longo do dia, possa ser reaplicado em um intervalo de aproximadamente três horas;
- Nos momentos mais quentes do dia ao longo do carnaval, tentar permanecer na sombra, ou em locais menos abertos.
Fonte: Portal G1.
Confira esta e outras matérias na íntegra pelo link: https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/12/27/insolacao-x-exaustao-termica-quais-os-riscos-das-altas-temperaturas-e-quando-ficar-em-alerta.ghtml
