O medo, a dúvida e a sensação de impotência costumam aparecer quando uma mãe descobre que seu filho é atípico e, muitas vezes, é da própria vulnerabilidade que nasce a força necessária para continuar. Essa é a porta de entrada do primeiro episódio da série “Janelas de Natal”, que foi exibida neste sábado (22) na TV Cidade Verde.
O programa começa com o quadro “Mitos e Verdades sobre o Autismo”. A neuropediatra Maria do Socorro Melo responde dúvidas que muitas vezes fazem parte do dia a dia e nem sempre consegue uma explicação clara.
Mitos e Verdades sobre autismo
Foto: TV Cidade Verde
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É verdade que pessoas autistas não têm empatia?
MITO
“As pessoas que têm autismo, nascem com o cérebro diferente. Portanto, elas têm dificuldades de acessar, através dos olhos do interlocutor, o pensamento deles, o pensamento dele próprio e dá uma resposta conveniente”, esclarece a neuropediatra Maria do Socorro Melo.
Todo autista tem habilidades extraordinárias?
MITO
“Nem todo autista tem talentos extraordinários. Ele pode vir a ter, e é muito bom quando tem. Porque o autismo tem graus, e os graus mais afetados juntam-se a outros transtornos. Por exemplo, a deficiência intelectual”.
Janelas de Cuidado
A primeira reportagem da série mostra os sinais dos transtornos do neurodesenvolvimento e os métodos de avaliações comportamentais que ajudam no diagnóstico precoce e como a terapia baseada em evidências, as estratégias mais atuais aplicadas na AMA-PI, buscam aprimorar a interação e o desenvolvimento de crianças com TEA.
O episódio conta a história de Sílvia Pereira, mãe de dois meninos autistas, que relembra os momentos de desespero e insegurança vividos antes de encontrar apoio especializado.
“Eu entrei em desespero, que eu não sabia mais o que eu fazia, ele era muito agitado, me mordia, me batia, às vezes eu perdia um pouco a paciência, não vou mentir”, relata Sylvia sobre os sintomas que o filho mais velho tinha e ela não sabia mais o que fazer.
A virada de chave aconteceu quando ela conheceu a Associação dos Amigos do Autista do Piauí (AMA-PI). Ali, encontrou acolhimento, orientação e o início de uma transformação na vida dos filhos, que com os atendimentos necessários, têm reduzidos os sintomas e melhorado a qualidade de vida de toda a família.
A AMA-PI há 25 anos atende pessoas com autismo no estado. Apesar de necessitar de reparos e melhorias estruturais, o local recebe diariamente cerca de 25 famílias em busca de atendimento, acompanhamento e diagnóstico. São aproximadamente 200 atendimentos/mês.
Entre os serviços oferecidos na instituição está o método ABA (Análise do Comportamento Aplicada), um dos pilares da evolução de Jonathan, filho de Sylvia. A coordenadora Thais Linhares explica como cada criança recebe um plano terapêutico individual.
“É uma aprendizagem contínua. O autismo não tem cura, mas conseguimos reduzir prejuízos e ampliar habilidades”, explica. Os avanços são registrados em relatórios e gráficos, que ajudam a ajustar o tratamento sempre que necessário.
Sobre a Análise do Comportamento Aplicada (ABA):
• Ciência do comportamento: A ABA é uma ciência que aplica princípios do aprendizado para melhorar comportamentos sociais e ensinar habilidades.
• Fundamentada em dados: odas as intervenções são baseadas em dados de pesquisa, registros de progresso e metas pré-estabelecidas.
• Objetivos: Os objetivos incluem aumentar comportamentos socialmente significativos, reduzir comportamentos indesejáveis e desenvolver habilidades.
• Foco no vínculo e desenvolvimento: O foco é criar um vínculo humanizado e estimular o desenvolvimento através de um processo leve e divertido, diferente das práticas tradicionais.
Segundo Thais, muitos pais chegam desacreditados, mas recuperam a esperança ao verem os primeiros progressos. “Quando mostramos resultados, eles começam a confiar no processo”, afirma.
“Hoje em dia ele já consegue sentar, conversar comigo, eu pergunto se está doente, ele não fala exatamente onde dói, mas ele pega a minha mãozinha e leva para mostrar onde está doendo.
Ele não gostava muito de toque e tudo. Hoje já me abraça, já me beija, fica mais grudadinho a mim”, conta Sílvia sobre o filho.
Neuroplasticidade
O neurologista pediátrico Ítalo Martins destaca como é feito o diagnóstico de autismo. Ele reforça que se trata de um diagnóstico principalmente clínico, baseado na observação do comportamento, no histórico relatado pela família e em ferramentas específicas de avaliação.
Em alguns casos, exames de imagem, testes genéticos ou avaliações complementares podem ser recomendados. “O essencial é não ter medo de procurar ajuda ao notar qualquer atraso no desenvolvimento”, orienta o neuropediatra.
Além da metodologia, há um princípio essencial guiando boa parte das intervenções: a neuroplasticidade cerebral — a capacidade do cérebro de se adaptar e criar novas conexões, especialmente na infância. É essa plasticidade que torna o diagnóstico precoce tão determinante.
Janelas da Esperança
Foto: TV Cidade Verde
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Segundo Rosália Sousa, diretora pedagógica da AMA-PI, a série abre novas possibilidades para a instituição.
“Abrimos a janela para que a AMA consiga ampliar sua estrutura física e seus atendimentos”, afirmou.
Para o pequeno Arthur, integrante da AMA, a série também é uma forma de aprendizado pessoal. “A janela me ajuda a ter mais paciência”, disse ele.
A mãe de Arthur, Jessié, destaca que o programa representa oportunidades de desenvolvimento para o filho.
“Essa janela é para que ele aprenda a ler e a escrever”, completou.
Fonte: Portal CidadeVerde.
Confira esta e outras matérias na íntegra pelo link: https://cidadeverde.com/janelasdenatal/132007/janelas-de-cuidado-especial-destaca-diagnostico-precoce-do-autismo
