
Atualizada às 8h58
Seis pessoas foram presas na manhã desta quarta-feira (28), em Parnaíba, no litoral do Piauí, durante a Operação Cripto-Quimera, que investiga um grupo criminoso suspeito de aplicar golpes virtuais com falsas ofertas de investimentos em criptomoedas e lavar dinheiro. A investigação aponta que uma vítima em Goiás sofreu um prejuízo de R$ 250 mil, após criminosos movimentarem mais de R$ 477 mil de suas contas bancárias.
A operação foi deflagrada pela Polícia Civil de Goiás, com apoio das forças de segurança do Piauí e de São Paulo. Ao todo, foram expedidos 33 mandados judiciais, sendo 14 de prisão temporária e 19 de busca e apreensão. As ações ocorreram em Parnaíba e nos municípios paulistas de São Paulo, Guarulhos, Osasco e Guarujá.
No Piauí, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão e seis de prisão. Durante a ação, os policiais apreenderam celulares e documentos que serão analisados para auxiliar nas investigações.
Segundo o superintendente de Operações Integradas da Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), delegado Matheus Zanatta, os suspeitos utilizavam contas de redes sociais de pessoas próximas às vítimas para divulgar falsas oportunidades de investimento, com promessas de ganhos elevados e imediatos.
Como funcionava o golpe das criptomoedas
As investigações começaram após uma ocorrência registrada em Goiânia, em março de 2023. Na ocasião, os criminosos invadiram o perfil de uma pessoa próxima à vítima em uma rede social e passaram a publicar anúncios de investimentos em criptomoedas, com promessas de rendimentos elevados em pouco tempo.
Acreditando na legitimidade das ofertas, a vítima entrou em contato com os responsáveis pelas publicações e foi direcionada a supostos atendentes e supervisores de uma plataforma de investimentos.
Durante as conversas, os investigados convenceram a vítima a instalar um aplicativo de suporte e acesso remoto no celular, sob a justificativa de que a ferramenta seria necessária para configurar uma carteira digital.
Com o acesso ao aparelho, os suspeitos realizaram diversas transferências bancárias em um intervalo de 24 horas. O total movimentado chegou a R$ 477.083,79. Desse valor, R$ 226.978,46 foram estornados, e o prejuízo efetivo ficou em R$ 250.105,33.
“O objeto dessa investigação é que os investigados subtraiam contas das redes sociais de pessoas ligadas às vítimas, começavam a anunciar falsos investimentos em criptomoedas com ganhos extraordinários e de forma imediata e com isso conseguiam cooptar as vítimas. Uma vez cooptadas as vítimas, esses investigados tinham uma falsa assessoria para que essas vítimas fizessem os investimentos, essa assessoria pedia para as vítimas instalarem um aplicativo informando que esse aplicativo seria para fazer os investimentos em criptomoedas e de forma remota, os investigados conseguiam subtrair e transferir valores dessas vítimas”, explicou Zanatta.
Grupo usava empresas de fachada para lavar dinheiro
De acordo com a investigação, o grupo tinha uma estrutura organizada, com divisão de tarefas para movimentar os valores e dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.
O esquema funcionava em etapas. Inicialmente, os recursos eram depositados em contas bancárias vinculadas a pessoas jurídicas recém-criadas ou empresas de fachada, usadas para simular transações comerciais legítimas.
Em seguida, os valores eram fragmentados e transferidos para contas de outros beneficiários em diferentes estados. Na etapa final, o dinheiro era distribuído por meio de dezenas de pequenas transações, transferências entre integrantes do grupo, movimentações em contas de estabelecimentos comerciais e saques em espécie.
Segundo a Polícia Civil, entre as pessoas identificadas na movimentação financeira havia indivíduos com registros criminais por tráfico de drogas, roubo majorado, receptação e estelionato.
“Esses valores eram transferidos para várias pessoas que pulverizavam esse dinheiro para empresas de fachadas, recém-criadas. Então aqui no Piauí, em Parnaíba, foram presas seis pessoas que ajudavam nessa pulverização dos valores e esses investigados vão responder por associação criminosa, fraude eletrônica e também lavagem de capitais”, afirmou o delegado.
Além das prisões e buscas, a operação prevê o sequestro judicial de bens e valores de aproximadamente R$ 250 mil, com o objetivo de assegurar a recuperação dos recursos relacionados ao prejuízo causado à vítima.
Os investigados poderão responder por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro, conforme a participação de cada um no esquema.
Seis pessoas foram presas em Parnaíba
O delegado Ayslan Magalhães, da 1ª Divisão de Repressão e Combate ao Tráfico de Drogas de Parnaíba, informou que os seis presos foram encaminhados à Central de Flagrantes. Os celulares e documentos apreendidos devem contribuir para aprofundar a investigação conduzida pela Polícia Civil de Goiás.
“Aqui em Parnaíba foram cumpridas nove buscas e seis mandados de prisão, todas as pessoas já presas na Central de Flagrantes e foram apreendidos celulares e outros documentos para robustecer esse inquérito policial da Polícia Civil de Goiás”, ressaltou Ayslan Magalhães.
Ainda segundo o delegado, uma das seis pessoas presas tinha antecedente criminal por estupro. Em um dos imóveis vistoriados, os policiais também encontraram elementos relacionados a uma investigação de tráfico de drogas realizada no início de outubro.
“Das seis pessoas, só uma tinha passagem criminal por estupro e em uma das casas foram encontrados elementos relacionados ao crime de tráfico de drogas, realizada no início do mês, e a gente vai dar seguimento a essa investigação”, acrescentou.
Ayslan afirmou que a maioria dos alvos estava desempregada e que a suspeita é de que eles fossem responsáveis por receber o dinheiro em suas contas bancárias e transferi-lo para outras contas, dificultando o rastreamento dos recursos.
“Os alvos são pessoas simples, a maioria desempregada e a gente acredita que o papel deles era só receber esse dinheiro na conta e pulverizar esse valor e transferir para outras contas. Então as pessoas viram a oportunidade de ganhar dinheiro fácil, aceitaram e agora vão responder por esses crimes”, destacou.
Operação teve atuação conjunta entre três estados
A Operação Cripto-Quimera foi coordenada pelo Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes (GREF), vinculado à Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC) da Polícia Civil de Goiás, com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública e das polícias civis do Piauí e de São Paulo.
Para o superintendente de Operações Integradas da SSP-PI, delegado Matheus Zanatta, a cooperação entre as forças de segurança é necessária para combater crimes cibernéticos e esquemas financeiros que ultrapassam as fronteiras estaduais.
“A integração entre as forças de segurança é essencial para combater grupos criminosos que utilizam ferramentas digitais para aplicar golpes e movimentar recursos ilícitos. Essas práticas envolvem estruturas que atuam em diferentes estados, o que exige compartilhamento de informações, inteligência policial e ações coordenadas. A atuação da Polícia Civil do Piauí nessa operação reforça o compromisso da Secretaria de Segurança Pública com o enfrentamento à criminalidade e a responsabilização dos envolvidos”, pontuou o delegado.
Fonte: Portal CidadeVerde.
Confira esta e outras matérias na íntegra pelo link: https://cidadeverde.com/parnaiba/135667/seis-pessoas-sao-presas-em-parnaiba-durante-operacao-contra-golpes-com-criptomoedas
