
O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) determinou que a Meta forneça, em até três dias, dados que possam ajudar a identificar a origem e a circulação de um documento falso atribuído à Polícia Federal (PF) e divulgado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
A decisão também alcança a rede social X, antigo Twitter. O tribunal quer obter registros de acesso, endereços de IP e outras informações relacionadas aos perfis envolvidos na publicação do material.
A determinação foi assinada na terça-feira (6) pelo desembargador Sálvio Chaves, relator de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) movida pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG) contra Nikolas.
O processo apura possíveis práticas de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. A ação pode resultar, caso as acusações sejam comprovadas e haja decisão nesse sentido, em sanções previstas na legislação eleitoral.
Segundo a decisão, a falsidade do documento já é considerada um fato incontroverso no processo. Agora, o TRE-MG busca descobrir quem produziu o arquivo, como ele começou a circular e quais perfis participaram da disseminação.
Dados solicitados à Meta
A Meta deverá fornecer informações relacionadas a perfis envolvidos na publicação, entre eles @nikolasferreirateam e @easyfatos.
O tribunal solicitou registros de acesso, endereços de IP e informações sobre o envio original da imagem. A empresa também deverá apresentar, caso esteja disponível, o arquivo original publicado pelo perfil @easyfatos.
A Meta terá ainda de informar as datas e os horários exatos de publicação e eventual retirada do conteúdo.
No caso da publicação feita por Nikolas, a empresa deverá apresentar dados sobre publicação e remoção, além de informações relacionadas a visualizações, alcance, respostas, compartilhamentos e outras interações registradas pela plataforma.
O objetivo é reconstruir a cadeia de circulação do documento nas redes sociais.
Documento atribuído à PF era falso
O documento que circulou nas redes sociais simulava um relatório da Polícia Federal e afirmava que a corporação não havia encontrado indícios de crime nas conversas entre Nikolas Ferreira e o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
A Polícia Federal confirmou que o material não havia sido produzido pela corporação.
O documento passou a circular nas redes sociais após a divulgação de mensagens trocadas entre Nikolas e Vorcaro.
Ação contra Nikolas
Rogério Correia entrou com a ação contra Nikolas e questiona a divulgação do documento. Segundo a acusação apresentada no processo, a publicação pode configurar abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante o processo eleitoral.
A decisão desta terça-feira não representa um julgamento definitivo sobre as acusações.
O TRE-MG determinou novas medidas para reunir provas e esclarecer a origem do documento e a forma como ele foi disseminado.
O relator também decidiu, neste momento, não requisitar um processo administrativo da Polícia Federal citado pela parte autora. Segundo a decisão, não ficou suficientemente esclarecido qual seria o objeto desse procedimento e de que maneira o conteúdo poderia contribuir para a investigação eleitoral.
Com os dados solicitados às plataformas, o tribunal deverá analisar a circulação do documento e as informações relacionadas às publicações antes de avançar na análise do caso.
Conversas entre Nikolas e Vorcaro
As mensagens entre Nikolas e Vorcaro vieram a público em setembro. Em um dos diálogos, o deputado chama o empresário de “Dani” e afirma que gostaria de ter mais proximidade com ele.
Em outro trecho, Nikolas pede ajuda para uma demanda relacionada à liberação de um ativo minerário. O pedido foi feito em um áudio enviado ao empresário em março de 2025.
O deputado afirma que um advogado e ex-assessor precisava de auxílio em relação ao ativo e se coloca à disposição para intermediar o contato.
“Ei, Dani, tudo bom? Como você está? Como estão as coisas aí? Desculpa te incomodar num domingo, é jogo rápido, também não quero tomar muito seu tempo”, disse Nikolas.
Na sequência, ele explica que havia sido procurado pelo advogado e que poderia fazer a ponte com Vorcaro.
Nikolas também menciona um fórum realizado em Londres e pede desculpas ao empresário. O deputado afirma que não sabia que o Banco Master estava envolvido no evento quando publicou críticas sobre a participação de autoridades brasileiras no encontro.
“Não fazia ideia que era este o banco do Dani. Senão, obviamente, eu não teria postado, já teria conversado anteriormente”, afirmou.
Após a divulgação das conversas, Nikolas negou irregularidades e afirmou que nunca recebeu dinheiro de Vorcaro.
Vorcaro diz ter pago voos
Também foram divulgadas mensagens nas quais Vorcaro afirma ter bancado “todos os voos” utilizados por Nikolas. A declaração foi feita em uma conversa com o empresário Flávio Carneiro, em abril de 2024.
“Esse Nikolas, eu banquei todos os voos”, escreveu Vorcaro.
As mensagens não esclarecem quantos voos teriam sido pagos pelo empresário nem a qual período a declaração se refere.
Durante o segundo turno das eleições de 2022, Nikolas utilizou um jato de Vorcaro em atividades de campanha. Posteriormente, o uso da aeronave foi divulgado pela imprensa.
Nikolas afirmou que não sabia quem era o proprietário do avião quando aceitou o convite para participar das atividades e que só descobriu depois que a aeronave pertencia a Vorcaro.
Fonte: Portal CidadeVerde.
Confira esta e outras matérias na íntegra pelo link: https://cidadeverde.com/ultimas/464263/tre-mg-manda-meta-e-x-rastrearem-origem-de-documento-falso-divulgado-por-nikolas
