A poda de árvores na UFPI (Universidade Federal do Piauí) está causando protestos de estudantes e reação dos movimentos em defesa da arborização. Árvores como hura crepitans, conhecida como “árvore dinamite da Amazônia” e ipês foram cortadas no campus ministro Petrônio Portella, no bairro Ininga, zona Leste de Teresina. A reitoria, em nota, argumentou que as árvores que passaram por podas estão condenadas com cupins, há risco de acidentes e que serão substituídas com plantas nativas.
A estudante Hamanda Soares, que faz doutorado no setor de Biologia da UFPI, criticou a poda e disse que a ação pegou a comunidade ufpiana de surpresa.
“É uma poda feita de forma irresponsável, sem elaboração técnica. As árvores no setor de biologia têm história e memória e elas fazem parte de um ecossistema não só para a sombra das pessoas, mas para a produção de carbono e ninho para espécies. Em pleno B-R-O Bró virou uma matança de árvores”, afirmou Hamanda.
A doutoranda disse que os cortes das árvores acontecem no momento em que Teresina recebe o título de “capital amiga da árvore” e em pleno B-R-O Bró, de altas temperaturas.
A professora Ana Carolina, do projeto de extensão Reflorir do Departamento de Biologia da UFPI, destacou que a poda precisa ser feita no tempo certo para evitar impactos na árvore.
“Fazendo poda no pingo do B-R-O Bró impacta porque nesse período de sol forte, a árvore pode ficar debilitada e difícil de reabilitar. Melhor período de poda é quando tem chuvas”, disse.
O projeto Reflorir tem quatro anos e realiza ações de educação ambiental e de manejo de jardins.
As podas ocorreram em pés de mangas em frente à reitoria, no setor de Biologia e no estacionamento na biblioteca.

A assessoria da UFPI garante que as árvores estão condenadas por pragas e que serão substituídas por árvores nativas.
Veja nota:
A Coordenadoria de Sustentabilidade Ambiental (COSAM/PREUNI/UFPI) informa que os serviços de poda realizados no Campus Ministro Petrônio Portella foram definidos a partir de levantamento técnico, com o objetivo de reduzir riscos à segurança das pessoas e à infraestrutura da Universidade.
A intervenção priorizou árvores de grande porte em áreas de circulação e convivência, próximas a edificações e à rede elétrica, especialmente aquelas com comprometimento aparente ou necessidade de manutenção. A ação preventiva também considerou ocorrências anteriores, como quedas de galhos sobre veículo, tetos e salas de aula, situações que ofereceram riscos à comunidade universitária e provocaram interrupções no fornecimento de energia elétrica.
Os serviços foram programados para o período de estiagem, que oferece melhores condições para a operação dos equipamentos e reduz riscos associados a chuvas, ventos, descargas elétricas e instabilidade do solo. Além da segurança, a definição do período considera aspectos fitossanitários: podas realizadas em períodos chuvosos podem aumentar o risco de infecções por fungos e bactérias e da ocorrência de cancros, devido à alta umidade. Em períodos secos, por outro lado, a planta tende a cicatrizar e compartimentalizar os cortes de forma mais eficiente. O cronograma foi finalizado na última semana de agosto.
A COSAM informa ainda que as árvores serão monitoradas e que está prevista a reposição de espécies nativas na UFPI, especialmente nos espaços mais afetados. Os dados levantados também contribuirão para a elaboração do Manual de Arborização da UFPI.
A COSAM reconhece a importância ambiental, paisagística e social da arborização e reforça que as medidas adotadas buscam conciliar sua preservação com a segurança da comunidade universitária, do patrimônio público e dos serviços essenciais.
Fonte: Portal CidadeVerde.
Confira esta e outras matérias na íntegra pelo link: https://cidadeverde.com/ultimas/462118/cortes-de-arvores-na-ufpi-causa-protestos-reitoria-diz-que-ha-risco-de-acidente

