Teresina - PI, Domingo, 19 de Julho de 2026
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Podcast sobre Caso Castelo produzido por alunas da UFPI vence Expocom Nordeste

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Um podcast produzido por estudantes de Jornalismo da Universidade Federal do Piauí (UFPI), que resgata a história do Caso Castelo, conquistou o prêmio de Melhor Podcast do Expocom Nordeste 2026. Com a vitória, o trabalho Flores de Castelo garantiu vaga para representar a universidade na etapa nacional do Intercom, considerado o maior congresso de Comunicação do país.

O podcast foi desenvolvido por Antônia Bispo, Camila Tomaz, Jhulianna Cally, Maria Eduarda Rocha, Maria Vitória Silva e Rita de Kássia. Dividida em três episódios, a produção revisita um dos crimes de maior repercussão da história recente do Piauí: o assassinato de quatro adolescentes no Morro do Garrote, em Castelo do Piauí, em 2015.

Mais do que reconstruir os fatos, o trabalho propõe uma reflexão sobre memória, violência de gênero, justiça e os impactos do crime na vida das famílias e da sociedade. A narrativa foi construída a partir de meses de pesquisa documental, entrevistas com jornalistas, familiares das vítimas, delegados e representantes da rede de proteção às mulheres, além de uma visita ao município de Castelo do Piauí para aprofundar a apuração.

O Expocom reconhece os melhores produtos experimentais desenvolvidos por estudantes de Comunicação da região Nordeste. Os vencedores da etapa regional conquistam vaga para disputar a fase nacional do Intercom.

Projeto amadureceu anos depois da sala de aula

O podcast nasceu como trabalho da disciplina História do Jornalismo no Piauí, ministrada pela professora Aldenora Cavalcante. A proposta era que os alunos desenvolvessem uma produção em áudio sobre um episódio marcante da imprensa piauiense.

Segundo a professora, a escolha pelo Caso Castelo partiu das próprias estudantes.

“Foi um trabalho muito sensível. Nós discutíamos constantemente como abordar o tema com respeito às vítimas e às suas famílias, mas também de forma que o ouvinte compreendesse a importância e a delicadeza daquele acontecimento.”

Ela destaca que a iniciativa foi inteiramente idealizada pelo grupo.

“A ideia foi cem por cento delas. Meu papel foi orientar um grupo que já estava muito comprometido em fazer um trabalho de qualidade. Elas sempre traziam novas referências, dados e leituras, o que fez toda a diferença no resultado final.”

Após o encerramento da disciplina, o projeto permaneceu arquivado. Com maior experiência profissional, as estudantes decidiram retomá-lo, aprofundar a pesquisa e finalizar o podcast para publicação, com apoio das professoras Aldenora Cavalcante e Lívia Barroso, responsável pela disciplina de Radiojornalismo.

Para Lívia, o reconhecimento é resultado do comprometimento das alunas.

“Esse prêmio é, acima de tudo, mérito do excelente trabalho desenvolvido pelas nossas alunas. Nós, professoras, tivemos o papel de orientar e contribuir para o aperfeiçoamento do projeto, mas a dedicação, o talento e a responsabilidade com que elas conduziram a produção foram fundamentais para esse reconhecimento.”

O desafio de contar uma história tão delicada

Responsável pelo roteiro e pela narração, Maria Eduarda Rocha afirma que a conquista representa o reconhecimento de um trabalho desenvolvido com responsabilidade diante de um tema sensível.

“Receber o prêmio no Expocom Nordeste foi a confirmação de que todo esse cuidado fez sentido. O que mais nos emociona é perceber que uma história tão importante conseguiu alcançar outras pessoas. O prêmio celebra o nosso trabalho, mas, acima de tudo, ajuda a manter viva a memória das meninas de Castelo.”

Segundo ela, escrever e narrar o podcast foi uma das etapas mais difíceis da produção.

“Escrever aquele texto, reler inúmeras vezes, encontrar a entonação certa, saber onde fazer silêncio e, ao mesmo tempo, tentar não me emocionar foi um grande desafio. É muito difícil não se envolver com a história das meninas de Castelo.”

Maria Eduarda destaca ainda que a linguagem sonora foi um dos diferenciais do projeto.

“Cada detalhe comunica: um efeito, uma pausa, uma respiração, a forma como uma frase é dita. Esse cuidado com a linguagem sonora, aliado à força do texto, foi um dos grandes diferenciais do Flores de Castelo.”

Produção buscou evitar revitimização

A estudante Rita de Kássia, que participou da pesquisa e da edição dos episódios, afirma que todas as escolhas narrativas foram pensadas para preservar a memória das vítimas e evitar o sensacionalismo.

“Passamos muitas horas ouvindo relatos, reportagens e depoimentos. Cada trilha sonora, cada corte e cada escolha de edição foram feitos com muito cuidado para evitar qualquer abordagem espetacularizada e garantir que as vítimas não fossem revitimizadas.”

Para ela, o reconhecimento conquistado vai além da dimensão acadêmica.

“O prêmio valida todo o trabalho que realizamos, amplia a visibilidade do Flores de Castelo e fortalece o debate sobre os direitos das mulheres, o combate à violência de gênero e a importância de um jornalismo comprometido com a ética e a responsabilidade.”

O grupo foi o único representante da UFPI na etapa regional do Expocom Nordeste. Agora, as estudantes se preparam para apresentar o podcast na etapa nacional do Intercom, em Brasília.

“Levar esse projeto para Brasília representa a oportunidade de fazer essa lembrança atravessar ainda mais fronteiras. Desde o início acreditamos que algumas histórias precisam continuar sendo contadas para que nunca sejam esquecidas”, conclui Maria Eduarda Rocha.

 

Fonte: Portal CidadeVerde.
Confira esta e outras matérias na íntegra pelo link: https://cidadeverde.com/noticias/459540/podcast-sobre-caso-castelo-produzido-por-alunas-da-ufpi-vence-expocom-nordeste

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