Governo dos Estados Unidos deve anunciar decisão sobre investigação comercial nesta quarta (15); tarifa de 25% colocaria o Brasil atrás apenas da China.
Brasil pode virar 2º país com maiores tarifas dos EUA se Trump confirmar sobretaxa | Foto: ReproduçãoO Brasil poderá se tornar o segundo país com as maiores tarifas de importação aplicadas pelos Estados Unidos, caso o governo do presidente Donald Trump confirme a proposta de impor uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. A decisão deve ser anunciada nesta quarta-feira (15), após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que aponta supostas práticas comerciais consideradas injustas pelo governo americano, incluindo críticas ao Pix.
Brasil pode subir no ranking de tarifas
Segundo dados da iniciativa Global Trade Alert (GTA), compilados pelo centro de estudos suíço St. Gallen Endowment, o Brasil ocupa atualmente a 13ª posição entre os países que enfrentam as maiores tarifas efetivas impostas pelos Estados Unidos, com média de 11,73%.
Se a tarifa adicional de 25% proposta pelo USTR for confirmada, o país passará para a segunda colocação, atrás apenas da China, que continua sendo o principal alvo da política tarifária do governo Trump.
De acordo com os cálculos do GTA, o Brasil também registraria o segundo maior aumento médio de tarifas no atual mandato de Trump, com alta estimada de 18%, superada apenas pelos produtos chineses.
Investigação mira comércio, Pix e plataformas digitais
A possível sobretaxa é resultado de uma investigação aberta em julho do ano passado com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite aos Estados Unidos adotar medidas contra países acusados de adotar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos.
No relatório, o USTR propõe a cobrança de tarifas sobre produtos brasileiros e lista seis áreas que motivaram a investigação. Entre elas estão comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.
O documento também faz críticas ao Pix, alegando que o Banco Central (BC) exerce simultaneamente as funções de regulador e operador do sistema de pagamentos, o que, segundo o governo americano, criaria um conflito de interesses e prejudicaria empresas dos Estados Unidos que atuam no setor.
Além disso, o relatório menciona decisões da Justiça brasileira envolvendo plataformas digitais, acordos comerciais firmados com México e Índia e supostas falhas no combate à pirataria e ao desmatamento ilegal.
Especialistas apontam fatores políticos
Embora os Estados Unidos tenham superávit comercial na relação com o Brasil, analistas avaliam que a investigação vai além da questão econômica.
O diretor do St. Gallen Endowment, Johannes Fritz, afirmou que a medida pode refletir fatores políticos e tecnológicos, citando o fato de o ex-presidente Jair Bolsonaro ter sido mencionado anteriormente por Trump ao justificar medidas comerciais contra o Brasil.
Já o professor Rodrigo Zeidan, da New York University Shanghai e da Fundação Dom Cabral (FDC), avalia que o anúncio das tarifas pode servir como instrumento para pressionar o Brasil a negociar.
Segundo ele, a estratégia tem sido utilizada pelo governo americano em outras disputas comerciais e nem sempre resulta na implementação integral das tarifas anunciadas.
Decisão sai nesta quarta-feira
A expectativa é que o governo dos Estados Unidos anuncie até esta quarta-feira (15) se manterá a proposta de impor a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros ou se haverá alterações após as negociações entre os dois países.
Caso a medida seja confirmada, o Brasil passará a enfrentar uma das maiores barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos, com impacto potencial sobre diversos setores exportadores e nas relações comerciais entre os dois países.
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