Teresina - PI, Quinta Feira, 09 de Julho de 2026
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Tentativa de sequestro de bebê no Piauí: o que se sabe e o que falta esclarecer

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A Polícia Civil do Piauí prendeu preventivamente a técnica de enfermagem suspeita de sequestrar um bebê na Nova Maternidade Evangelina Rosa, em Teresina, na última segunda-feira (06). Agora, as investigações seguem para detalhar pontos que ainda precisam ser esclarecidos sobre o crime.

Cidadeverde.com detalha a investigação já realizada pela Polícia Civil do Piauí desde o dia do crime e pontos que ainda precisam ser apurados.

O dia do crime

A tentativa de sequestro ocorreu por volta das 13h40, na Nova Maternidade Evangelina Rosa, em Teresina. A técnica entrou na unidade como funcionária, mesmo não sendo seu dia de plantão, se paramentado, e avistado a família da adolescente de 14 anos que havia dado à luz a um bebê.

“Ela é uma colaboradora da maternidade, então ela tem livre acesso. Ela adentrou, utilizava inclusive uma farda da própria maternidade, se aproximou do bebê, da família dizendo que iria fazer os exames necessários, colocou o bebê no colo primeiramente, depois entra no banheiro, coloca na sacola, faz a troca de roupa, a acompanhante da mãe percebe um movimento diferente porque não vê a criança, entra no banheiro e vê a sacola e que o bebê está ali dentro”, explica a delegada da DPCA, Rosa Chaib.

Foto: Benonias Cardoso/Cidadeverde.com

Rosa Chaib

Delegada Rosa Chaib

A informação é que ela era uma colaboradora antiga que participou ainda do processo de transição da antiga maternidade. No dia do crime, após flagrada com o bebê na sacola, ela pediu imediatamente a chamada de sua supervisora que compareceu ao local. A enfermeira supervisora relatou que a suposta autora não estaria de plantão no dia, mas teria ido à maternidade para resolver procedimentos administrativos.

“Os servidores do hospital, ao verem a situação e aparentemente sem entender, separaram a tia da criança e a coloca para levar a assistente social e psicólogo. Não há indícios ou elementos de que tenha sido uma ação orquestrada com outros servidores. Como ela trabalha em regime de plantão, ela estava no período de folga, tinha dado plantão no final de semana e no dia especifico tinha ido à unidade para tratar de procedimentos administrativos. Inclusive ficava dizendo a todo momento que teria que sair logo para realizar um exame, estaria fazendo um acompanhamento gestacional na rede privada”, afirma o delegado da DPCA, Hugo Alcantara.

As próximas investigações também vão tentar esclarecer melhor o passado da técnica de enfermagem.

“É um crime grave por isso que a Polícia Civil foi eficiente em captura-la logo. Já temos informes que ela alega que esteve grávida e perdeu o bebê, também disse que não lembra de nada do momento que chegou na maternidade, há uma informação ainda que ela está na qualidade de investigada em inquéritos por estelionato na 8ª Seccional, então o momento agora é de fazer o interrogatório, checar toda a vida pregressa”, afirma o delegado-geral, Luccy Keiko.

Indícios de gravidez psicológica

Foto: Benonias Cardoso/Cidadeverde.com

Hugo Alcântara

Delegado Hugo Alcântara

As investigações continuam e a Polícia Civil busca esclarecer se a técnica de enfermagem chegou a engravidar ou se apresentava um quadro de gravidez psicológica.

Até o momento, os investigadores apuraram que a suspeita realizou um chá de bebê há alguns meses e que a residência onde morava estava preparada para receber uma criança. Uma das linhas de investigação é de que ela possa ter vivido uma gravidez psicológica, hipótese que ainda será confirmada ou descartada durante o inquérito.

Segundo o delegado Hugo Alcântara, uma testemunha relatou que a investigada foi submetida a exames pela unidade de saúde do trabalho da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, ocasião em que teria sido constatado que ela não estava grávida.

“Segundo a testemunha, a suposta autora foi submetida a exames realizados pela unidade de saúde do trabalho da maternidade. De acordo com o relato da enfermeira ouvida, ela tomou conhecimento de que o exame constatou que não havia feto. Essa testemunha também informou que a investigada chegou a fazer um chá de fraldas e apresentava uma barriga gestacional. Até então, todos acreditavam na gravidez, mas ainda não temos informações se, em algum momento, ela realmente esteve grávida ou se se tratava de uma gravidez psicológica desde o início”, afirmou o delegado.

Foto: Divulgação / SSP

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Horas depois do crime, a técnica de enfermagem foi encaminhada ao Hospital Areolino de Abreu por familiares, onde acabou sendo presa. Foi recomendada a técnica que ela fosse internada na unidade por 24h. No momento da prisão, ela já estava pronta para deixar a unidade após cumprir o recomendado pela equipe médica.

“Recebemos o comunicado que havia sido expedido um mandado de prisão contra ela pelo crime de sequestro e nos dirigimos ao Hospital porque recebemos informações de que ela estava prestes a ter alta. Quando chegamos ao Areolino de Abreu falamos com a equipe médica que confirmou tanto que ela estava tendo alta, já havia sido feito o resumo de alta, como também que ela não estava grávida, um exame Beta HCG confirmou. Diante desse quadro, havendo totais condições para condução dela. Ela se recusou a falar durante a prisão e se manteve calada”, afirma o delegado Filipe Bonavides, coordenador geral da Força Estadual Integrada de Segurança Pública (FEISP).

A Maternidade pode ser responsabilizada?

Apesar de ter sido flagrada com a criança em uma sacola, a técnica de enfermagem não foi presa em flagrante. Segundo o delegado Hugo Alcantara, no dia do crime houve o registro de um boletim de ocorrência, realizado pela direção da maternidade horas após o ocorrido.

Questionado sobre o motivo de a suspeita não ter sido autuada em flagrante, o delegado afirmou que não há informações sobre a saída da técnica da maternidade. Ele acrescentou que, com o avanço das investigações, a polícia ouviu o diretor da unidade, a enfermeira-chefe e obteve imagens do circuito interno de segurança, que serão encaminhadas para análise.

Sobre uma eventual responsabilização da maternidade, Hugo Alcantara explicou que, neste momento, o inquérito policial tem como foco exclusivo a conduta da investigada.

“A responsabilização de uma pessoa jurídica é uma questão de direito civil. Eu, como delegado de polícia, presido um inquérito policial, que é um procedimento administrativo investigativo, que tem um objeto determinado e eu estou investigando propriamente a conduta da investigada que tentou sequestrar um bebê dentro da maternidade.”

O delegado afirmou que, diante da urgência do caso, a prioridade da equipe foi cumprir o mandado de prisão e reunir, o mais rápido possível, elementos que corroborassem a prática do crime atribuída à investigada. Segundo ele, o procedimento ainda está em andamento, novas pessoas serão ouvidas e outras diligências serão realizadas para esclarecer todas as circunstâncias do caso.

“O procedimento ainda vai evoluir, vamos ouvir mais pessoas, vamos tentar entender e preencher esse quebra-cabeça com o máximo de informações possíveis, mas até o momento é muito cedo para falar em eventual responsabilização. Obviamente é um caso muito chocante, identificamos algumas situações atípicas, mas é muito precoce eu, como delegado, estar falando de eventual responsabilização de pessoa jurídica, até porque foge da nossa alçada como investigador.”

Fonte: Portal CidadeVerde.
Confira esta e outras matérias na íntegra pelo link: https://cidadeverde.com/noticias/458980/tentativa-de-sequestro-de-bebe-no-piaui-o-que-se-sabe-e-o-que-falta-esclarecer

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