Dados do Ministério do Desenvolvimento Social apontam forte redução da insegurança alimentar grave entre grupos historicamente mais vulneráveis entre 2022 e 2024
Fome cai mais de 70% entre mulheres, negros e crianças no Brasil | Foto: Roberta Aline/MDSA insegurança alimentar grave, condição que caracteriza a fome, caiu mais de 70% entre mulheres, pessoas negras e crianças no Brasil entre 2022 e 2024, segundo dados apresentados nesta quinta-feira (18) pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). O levantamento mostra que a redução foi de 77,7% nos lares chefiados por mulheres, 75,5% entre famílias lideradas por mulheres negras, 73,4% nos domicílios chefiados por pessoas negras e 72,4% entre crianças e adolescentes menores de 18 anos.
Queda da fome entre os mais vulneráveis
Os números foram obtidos a partir da comparação entre os dados da Rede Penssan, de 2022, e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), de 2024. Os resultados foram apresentados pela secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, durante o evento Sustentar 2026, realizado em Florianópolis, Santa Catarina.
Segundo a secretária, os avanços estão relacionados à retomada do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), em 2023, que permitiu a criação do Plano Brasil Sem Fome, estratégia voltada para ampliar a proteção social, fortalecer a geração de renda e aumentar o acesso da população à alimentação adequada.
Estratégia priorizou grupos mais afetados
De acordo com Valéria Burity, o plano foi elaborado a partir do entendimento de que fatores como classe social, raça e gênero influenciam diretamente os índices de fome no país. Por isso, as políticas públicas foram direcionadas principalmente para os grupos mais vulneráveis.
“Os resultados mostram que essa estratégia deu certo. Conseguimos reduzir a fome de forma mais intensa entre crianças e adolescentes, nos lares chefiados por mulheres e nos lares chefiados por pessoas negras. É importante destacar esses avanços porque eles dizem muito sobre o projeto de país que temos o compromisso de construir, um país que combate a fome ao mesmo tempo em que enfrenta as desigualdades”, afirmou a secretária.
Menores índices históricos no Norte e Nordeste
Os dados apresentados pelo MDS também apontam que 2024 registrou os menores índices históricos de insegurança alimentar grave em algumas regiões do país. No Norte, a taxa ficou em 6,2%, enquanto no Nordeste foi de 4,8%. Já nos domicílios localizados em áreas rurais, o índice chegou a 4,6%.
O ministério destaca que a melhora dos indicadores está associada a fatores como crescimento econômico, redução da inflação dos alimentos, queda do desemprego e retomada da política de valorização do salário mínimo.
Milhões saíram da pobreza
Entre 2022 e 2025, segundo os dados divulgados, 5,2 milhões de pessoas deixaram a extrema pobreza e outras 21 milhões saíram da condição de pobreza no Brasil. O governo atribui os resultados à combinação de políticas sociais, programas de transferência de renda e ações voltadas à geração de emprego e renda.
Além disso, o III Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Plansan) foi apontado como uma das principais estratégias para consolidar os avanços obtidos. Entre as medidas previstas estão o fortalecimento da agricultura familiar, a ampliação do crédito rural, o incentivo às compras públicas de alimentos e o apoio à comercialização de produtos da sociobiodiversidade.
Agricultura familiar e povos tradicionais
O novo plano também reconhece a importância da agricultura familiar, dos povos indígenas, das comunidades quilombolas e de outros povos e comunidades tradicionais na produção sustentável de alimentos.
Segundo o MDS, a proposta busca fortalecer sistemas alimentares mais resilientes, ampliar o acesso à terra, água e território, além de enfrentar desigualdades raciais, étnicas e de gênero, consideradas fatores estruturais relacionados à insegurança alimentar no país.
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