
O aumento dos gastos públicos e a tramitação de propostas com forte impacto fiscal no Congresso Nacional podem agravar a situação das contas públicas brasileiras e prejudicar a percepção a respeito do país no cenário internacional. O alerta é da economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, que conversou com o SBT News.
Segundo Cristiane, tanto as medidas adotadas pelo governo Lula (PT) para estimular a economia quanto as chamadas “pautas-bomba” em discussão no Congresso contribuem para a deterioração do quadro fiscal. Embora considere os dois movimentos preocupantes, ela avalia que os gastos direcionados diretamente à população tendem a ter impacto mais imediato sobre a inflação.
“Quando a população tem mais dinheiro na mão, tende a gastar e consumir mais, o que acaba gerando inflação mais à frente”, afirmou Cristiane durante participação no Poder Expresso desta sexta-feira (12). De acordo com ela, esse tipo de despesa costuma exercer maior pressão sobre a inflação e, consequentemente, sobre os juros.
Cristiane destacou que o Brasil já enfrenta um desequilíbrio entre despesas e receitas públicas. O país vive há algum tempo um processo de expansão dos gastos, que já superam as receitas nos dados acumulados em 12 meses. Esse cenário deve persistir nos próximos anos, especialmente diante da expectativa de desaceleração da atividade econômica.
A economista ressaltou que um eventual aumento do déficit das contas públicas seria especialmente preocupante em um momento em que a fragilidade fiscal continua sendo um dos principais desafios da economia brasileira. A situação pode chamar a atenção das agências internacionais de classificação de risco, responsáveis por avaliar a capacidade de pagamento dos países.
“Quando analisamos as agências de classificação de risco, um dos principais fatores observados é a situação fiscal do país. O Brasil tem uma nota relativamente favorável. No entanto, se essas agências concluírem que o quadro fiscal continuará se deteriorando e que essa piora será ainda mais intensa nos próximos anos, existe o risco de rebaixamento da nota de crédito do país”, disse.
“Isso seria ruim para a percepção do país no cenário internacional, especialmente por se tratar de uma economia emergente. Um rebaixamento sinaliza maior percepção de risco e pode afastar investidores, afetando não apenas a situação financeira do país, mas também sua credibilidade”, acrescentou.
Além das preocupações com as contas públicas, Cristiane avalia que o cenário fiscal também cria desafios para o Banco Central. A piora das contas do governo é acompanhada de perto pela autoridade monetária, já que pode aumentar as expectativas de inflação e exigir juros elevados por mais tempo.
Para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 16 e 17 de junho, a economista avalia que a autoridade monetária deverá manter uma postura cautelosa. Entre os fatores de preocupação estão a alta dos preços do petróleo no mercado internacional e a piora das projeções de inflação para os próximos anos.
Fonte: Portal CidadeVerde.
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