Brasil foi retirado da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco europeu
União Europeia oficializa veto e carne brasileira será barrada em setembro | Foto: Reprodução
Entenda o motivo do veto
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou todas as informações necessárias para comprovar que os produtos exportados cumprem as regras adotadas pelo bloco sobre o uso de determinados antimicrobianos na produção animal. A legislação europeia restringe substâncias utilizadas como promotores de crescimento em rebanhos e exige garantias sanitárias dos países exportadores.
Na lista divulgada em 2024, o Brasil aparecia entre os países autorizados a vender produtos de origem animal para a União Europeia. Agora, o país foi retirado da relação, enquanto outros integrantes do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, permanecem habilitados a exportar para o mercado europeu.
Impacto para o agronegócio brasileiro
A decisão gera preocupação no setor agropecuário por atingir um dos principais mercados consumidores das proteínas brasileiras. Dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mostram que a União Europeia é atualmente o terceiro maior destino da carne bovina brasileira em valor exportado, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Considerando todas as carnes, o bloco europeu ocupa a segunda posição entre os principais compradores.
Especialistas avaliam que a medida pode aumentar os custos de adequação para exportadores brasileiros, especialmente em áreas ligadas à rastreabilidade, certificação sanitária e compliance exportador. O setor também teme que as exigências europeias provoquem impactos em outras cadeias produtivas ligadas ao comércio internacional.
Setor produtivo contesta decisão
Entidades do agronegócio afirmam que o Brasil possui sistemas rígidos de controle sanitário e rastreamento. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) destacou anteriormente que a carne brasileira atende às exigências dos principais mercados internacionais e que o país possui um dos sistemas de inspeção agropecuária mais robustos do mundo.
Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) declarou que o Brasil cumpre as exigências sanitárias da União Europeia e que continuará trabalhando junto ao governo para prestar os esclarecimentos necessários. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também manifestou preocupação com os possíveis reflexos da medida sobre o comércio entre os dois blocos.
Como o Brasil pode voltar a exportar
A própria Comissão Europeia informou que o Brasil poderá retornar à lista de países autorizados assim que comprovar o cumprimento dos requisitos exigidos. Para isso, especialistas apontam dois caminhos: ampliar as restrições ao uso dos antimicrobianos questionados ou demonstrar, por meio de sistemas de rastreabilidade, que os produtos destinados ao mercado europeu não utilizam essas substâncias.
Enquanto o governo brasileiro tenta negociar uma solução diplomática, a decisão europeia acende um alerta para o agronegócio nacional. O veto passa a valer em setembro e pode afetar diretamente exportações de setores considerados estratégicos para a economia brasileira.
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