Ele ainda apontou que o crescimento de Flávio ocorreu dentro de seu próprio campo político, citando movimentos de lideranças como Ratinho Junior, Romeu Zema e Ronaldo Caiado.
Wellington Dias teceu duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro. | Foto: Agência BrasilEm entrevista à BBC News Brasil, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), fez duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), ao comentar declarações do parlamentar sobre o uso de terras raras brasileiras pelos Estados Unidos.
Ao ser questionado sobre o tema, Dias destacou a importância da autonomia nacional e respondeu: “Quando a gente fala em soberania é disso que estamos falando. O Brasil não quer ser submetido a ninguém, nem à China, nem aos Estados Unidos. Nós queremos ser dono do nosso nariz.”
CRÍTICAS AO POSICIONAMENTO
O ministro foi ainda mais direto ao classificar a postura do senador: “Antipatriota e entreguismo. Não consigo imaginar termos um presidente que se coloca de joelhos para outro presidente e ainda mais um presidente com tanta instabilidade como o presidente dos EUA neste momento (…)”
Na mesma linha, reforçou que a visão expressa por Flávio não representa a maioria das instituições ou da população brasileira. “Essa posição de Flávio Bolsonaro não é a da maioria do Senado, do Congresso ou do povo. Nós queremos um povo soberano, um povo que não se submete, que não quer ser colônia de ninguém. Já fomos colônia de Portugal. É isso que a gente quer? Não. Isso já passou. Hoje, somos um país independente.”
CENÁRIO ELEITORAL
Durante a entrevista, Wellington Dias também comentou projeções eleitorais que indicam um eventual empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro em um possível segundo turno.
Segundo o ministro, o governo não subestimou adversários: “Não. A gente nunca subestimou nenhum candidato. Mas nós temos um presidente que, em várias eleições, perdeu em pesquisas e ganhou no voto.”
Ele ainda apontou que o crescimento de Flávio ocorreu dentro de seu próprio campo político, citando movimentos de lideranças como Ratinho Junior, Romeu Zema e Ronaldo Caiado.
COMPARAÇÃO COM 2022
Ao analisar o cenário eleitoral, Dias evitou falar em facilidade, mas indicou condições mais favoráveis em relação ao último pleito: “Não tem eleição fácil.”
Ainda assim, ao comparar contextos, destacou: “A eleição que era uma missão impossível foi a de 2022. A gente estava fora do governo, o país nos destroços e o governo usando tudo o que tinha (para vencer). Teve o tal do Auxílio Brasil, a Polícia Rodoviária Federal impedindo as pessoas de votar, questionamentos sobre fraudes nas urnas. Eleição difícil foi a de 2022.”
Ele concluiu que o ambiente atual tende a ser menos adverso: “Acho que ela vai se dar num ambiente e numa condição melhor.”
DISPUTA POLARIZADA
Wellington Dias também avaliou o grau de competitividade de Flávio Bolsonaro e reforçou o caráter acirrado da disputa: “(Flávio) vai ter que ser testado nas urnas. É a primeira candidatura (presidencial) dele. Nada de sapato alto, nada de já ganhou.”
O ministro ainda criticou o que chamou de práticas do campo adversário: “É uma eleição, sim, polarizada. É uma eleição em que, infelizmente, tem um lado para o qual vale tudo. Pode mentir, ficar o tempo todo dizendo: ‘Eu sou contra isso, eu sou contra aquilo. Nós vamos varrer o PT’.”
Apesar disso, demonstrou confiança: “A possibilidade de vitória é real. Agora, a ordem é trabalhar e trabalhar muito, e respeitar sua excelência, o povo. Ela que toma a decisão das urnas.”
PROJEÇÃO PARA 2026
Ao final, Dias afirmou que o cenário para 2026 pode ser mais promissor do que o enfrentado anteriormente: “Em 2026 há uma possibilidade (de vitória) melhor do que 2022.”
Ele atribuiu essa avaliação a indicadores sociais e econômicos, destacando avanços durante o atual governo: “Tínhamos um nível de pobreza que chegava na casa dos 37% da população e a gente reduziu o patamar para 20%. Temos os níveis de pobreza e pobreza extrema mais baixos da história. A classe média, que vinha decaindo, voltou a crescer.”
Encerrando, o ministro reforçou o papel do eleitor na decisão final e a aposta na candidatura de Lula: “A juventude quer saber: ‘Eu estou estudando, dando um duro danado. Quando eu me formar, vai ter vaga para mim?’ Quem é que pode oferecer isso? É Luiz Inácio Lula da Silva.”
