A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro só deve passar a endossar publicamente a campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República após uma retratação do filho primogênito de Jair Bolsonaro.
A posição se dá em meio a um aumento da pressão por parte de aliados do presidenciável, com destaque para o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, para que figuras do PL façam gestos mais enfáticos em direção à campanha de Flávio. Os recados foram direcionados principalmente ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), mas, nos bastidores, outros nomes, como o da própria Michelle, foram tratados como alvos da mensagem.
Na última quinta-feira (2), Eduardo foi às redes sociais para pedir que seus apoiadores não votem em candidatos que não apoiem o irmão. “Pense em seu candidato nesta eleição a senador, deputado federal ou estadual. Vá no perfil da rede social dele. Não tem apoio ao Flávio? Descarte-o, ainda que do PL, e avise-o disso”, escreveu.
Com mais de 8 milhões de seguidores no Instagram, Michelle, que deve ser candidata ao Senado pelo Distrito Federal, não tem usado suas redes como plataforma para a candidatura e jamais compareceu aos atos políticos de Flávio Bolsonaro. A ex-primeira-dama é considerada um importante ativo eleitoral junto ao público evangélico e feminino, que é mais refratário ao senador.
Enquanto silencia sobre a campanha do filho Zero Um, Michelle já defendeu diversas candidaturas em suas redes, como a da deputada Carol de Toni (PL-SC) ao Senado. Além disso, em meio aos atritos com os familiares, ela recentemente compartilhou vídeos produzidos por Nikolas Ferreira e pelo senador Espiridião Amin (PP-SC), adversário de Carlos Bolsonaro na disputa pelo Senado.
Aliados de Michelle lembram que a ex-primeira-dama foi “atacada” por Flávio em dezembro do ano passado, quando o senador a chamou de “autoritária” e “constrangedora” após ela criticar a aliança do PL com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. O episódio, ressaltam, não seria o único em que ela teria sido ofendida pelo senador.
Agora, porém, aliados tentam fazer uma aproximação entre os dois para que uma “boa conversa” seja capaz de apaziguar a relação e focar na campanha eleitoral – o esperado é que do encontro saia um pedido de desculpas por parte de Flávio Bolsonaro.
Além disso, pessoas próximas a Michelle acreditam que um pedido de Jair Bolsonaro pelo reforço na candidatura do filho possa ajudar a convencer a ex-primeira-dama a aplacar a crise interna.
Em carta divulgada em março, quando ainda cumpria pena em regime fechado, Bolsonaro chegou a escrever que lamentava as críticas da própria direita “a alguns colegas e à minha esposa”. Ele também disse que pediu para que Michelle só entrasse na política depois de março.
Interlocutores da ex-primeira-dama justificam que isso ainda não aconteceu até o momento porque ela está focada em cuidar da saúde do marido, que foi transferido para o regime domiciliar após ter um agravamento de seu quadro de saúde.
Fonte: Portal CidadeVerde.
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