Teresina - PI, Domingo, 05 de Abril de 2026
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Fungo devasta mangueiras na Potycabana e acende alerta para risco de acidentes

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Quem passa pelo Parque Potycabana, na zona Leste de Teresina, já percebe de longe um cenário preocupante: mangueiras de grande porte com a folhagem completamente seca e sinais claros de deterioração. Pelo menos quatro árvores estão em estado crítico, com risco de tombar, o que acende um alerta tanto ambiental quanto de segurança para frequentadores do espaço.

O problema, no entanto, não é recente. Segundo especialistas, os sinais da doença já eram observados há anos, mas a situação se agravou e hoje é visível mesmo para quem não entra no parque.

De acordo com o entomologista da Embrapa, Paulo Henrique, a causa está associada a uma doença fúngica conhecida como “seca da mangueira”.

“O que está acontecendo com essa mangueira é uma doença que a gente chama de seca da mangueira. Essa doença é transmitida por um besouro, que o nome científico dele é Hypocryphalus mangiferae. Ele é um vetor de um fungo que causa esse dano, essa seca da mangueira”, explicou.

Foto: Gorete Santos/TV Cidade Verde

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O especialista detalha que o inseto, apesar de pequeno, com cerca de um milímetro, tem papel fundamental na disseminação da doença.

“O besouro procura a mangueira para se reproduzir. Quando ele chega, faz um orifício muito pequeno na casca e introduz esse fungo. A partir daí, o fungo passa a parasitar a planta. Na realidade, quem mata a mangueira não é o besouro, mas o fungo”, ressaltou.

O pesquisador da Embrapa, Cândido Athayde, especializado em fitopatologia, explica que o fungo se instala nos vasos internos da planta, impedindo a circulação de água e nutrientes.

“Chegando ao interior da planta, o fungo coloniza os vasos e destrói a capacidade de conduzir a seiva. Com isso, a planta começa a ter dificuldade de levar água para as folhas e passa a secar como forma de proteção”, afirmou.

Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com

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Segundo ele, o avanço da doença pode ser rápido, principalmente em períodos de estiagem.

“De repente, a pessoa passa e vê a planta murcha. Em uma semana, já há ramos secos e, em menos de um mês, ela pode estar completamente seca, principalmente no período mais seco”, disse.

Além do impacto ambiental, o problema também representa risco à população. Árvores mortas ou com estrutura comprometida podem cair ou ter galhos desprendidos.

“Pode tombar, o galho pode cair. Então, é um risco”, alertou Cândido Athayde.

Diagnóstico antigo e problema persistente

Foto: Gorete Santos/TV Cidade Verde

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O cenário atual já havia sido identificado anteriormente. Em 2017, a administração do parque solicitou uma avaliação técnica à Embrapa, que confirmou a presença da doença em diferentes espécies, incluindo mangueiras, angico-branco e palmeiras.

“Nós coletamos as amostras e encaminhamos ao laboratório. Lá, fizemos todo o processamento e produzimos um laudo com recomendações de controle. Esse material foi enviado à Secretaria do Meio Ambiente e à coordenação do parque para providências”, lembrou Athayde.

Mesmo assim, quase uma década depois, o problema persiste e, segundo os especialistas, pode ter se espalhado por outras áreas da cidade.

“Esse problema está disseminado na cidade toda. Talvez isso motive uma mobilização da prefeitura no sentido de fazer esse tratamento geral na cidade”, destacou.

Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com

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Há solução?

De acordo com os pesquisadores, o controle da doença depende, principalmente, da identificação precoce. Em estágio inicial, é possível conter o avanço com poda dos galhos contaminados.

“No primeiro sintoma, já se reconhece a ocorrência da praga e se faz a poda, eliminando o ramo afetado, queimando ou enterrando”, explicou Athayde.

No entanto, quando a árvore atinge o estágio observado no parque, não há mais recuperação.

“A planta chegando nesse estágio é irreversível. É morte, não tem jeito. O que resta é eliminar para reduzir a presença da praga na área”, afirmou.

Foto: Gorete Santos/TV Cidade Verde

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Para quem tem mangueiras em casa, uma alternativa simples é o uso de armadilhas com álcool para atrair o besouro.

“Esse inseto é atraído pelo cheiro do álcool. Uma forma de controle é colocar armadilhas com álcool etílico, até mesmo com garrafas PET”, orientou Paulo Henrique.

O uso de inseticidas, segundo ele, deve ser a última opção, devido aos riscos e impactos, especialmente em ambientes domésticos.

Medidas devem ser adotadas

Diante da situação, a direção do Parque Potycabana informou que vai adotar medidas para remover as mangueiras comprometidas e realizar o replantio de novas árvores.

 

Fonte: Portal CidadeVerde.
Confira esta e outras matérias na íntegra pelo link: https://cidadeverde.com/noticias/452955/fungo-devasta-mangueiras-na-potycabana-e-acende-alerta-para-risco-de-acidentes

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