Projeto de R$ 189 milhões busca autonomia espacial com tecnologia brasileira
Brasil tenta lançar foguete orbital próprio na base de Alcântara até final de 2026 | Foto: ReproduçãoO Brasil prepara uma nova tentativa de lançar um foguete orbital com tecnologia nacional e base própria até 2026. O projeto, avaliado em R$ 189 milhões, prevê o desenvolvimento do Microlançador Brasileiro (MLBR), com capacidade de colocar pequenos satélites em órbita a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão.
Projeto aposta em tecnologia nacional
O foguete está sendo desenvolvido por um consórcio de empresas brasileiras, sob liderança da Cenic Engenharia, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Agência Espacial Brasileira (AEB).
Com cerca de 12 metros de altura e peso de 12 toneladas na plataforma de lançamento, o equipamento será movido a combustível sólido e contará com três motores. O objetivo é transportar cargas de até 40 quilos, voltadas principalmente para satélites de pequeno porte.
O diretor da Cenic, Ralph Corrêa, destacou o potencial do projeto.
“O veículo terá doze toneladas na rampa [de lançamento] para conseguir levar em órbita uma carga com apenas 40 quilos. Com esses pequenos satélites dá para fazer um monte de coisa hoje em dia. Isso é um mercado bilionário”, afirmou.
Base de Alcântara é estratégica
O lançamento está previsto para ocorrer no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), considerado uma das melhores bases do mundo por sua localização próxima à linha do Equador. Essa característica permite economia de combustível e maior eficiência nas operações espaciais.
Segundo Ralph Corrêa, essa vantagem coloca o Brasil em posição privilegiada.
“O Brasil é privilegiado em termos de lançamento, com uma base geográfica magnífica”, destacou.

Brasil tenta lançar foguete orbital próprio na base de Alcântara até final de 2026 – Foto: Divulgação
Histórico de tentativas anteriores
O país já realizou outras tentativas de alcançar o lançamento orbital com tecnologia própria. Em 1997, houve o primeiro teste do Veículo Lançador de Satélites (VLS), que não teve sucesso.
No ano seguinte, o Brasil precisou recorrer a um foguete norte-americano para colocar um satélite em órbita. Em 1999, uma nova tentativa também foi interrompida após falha técnica no segundo estágio do foguete. Desde então, iniciativas foram retomadas de forma gradual, com novos projetos e parcerias.
Objetivo é autonomia no espaço
A proposta do MLBR é garantir ao Brasil autossuficiência no acesso ao espaço, reduzindo a dependência de outros países para o lançamento de satélites. O foco também está no crescimento do mercado espacial, especialmente na área de pequenos satélites, que tem ganhado destaque global.
A iniciativa faz parte de um cenário mais amplo de investimentos em tecnologia e inovação, com expectativa de posicionar o Brasil de forma mais competitiva na indústria espacial nos próximos anos.
