O terminal é um dos principais pontos de escoamento do chamado Arco Norte, mas enfrenta sobrecarga durante o pico da colheita.
Caminhoneiros relatam drama vivenciado sob condições precárias. | Foto: Reprodução/TV CAO transporte da safra de grãos voltou a expor fragilidades estruturais no Brasil. No porto de Miritituba, no Pará, caminhoneiros que levam soja para exportação relatam uma rotina marcada por longas esperas e falta de condições básicas. O terminal é um dos principais pontos de escoamento do chamado Arco Norte, mas enfrenta sobrecarga durante o pico da colheita.
No período mais crítico, a fila de veículos chegou a cerca de 45 quilômetros, avançando por trechos da BR-163, rodovia estratégica que conecta o Centro-Oeste à região Norte.
ESPERA PROLONGADA E FALTA DE ESTRUTURA
Motoristas descrevem uma situação de extrema precariedade. Há registros de profissionais que permaneceram até três dias aguardando para descarregar a carga, sem acesso a itens essenciais como água potável, banheiros ou locais adequados para descanso.
A realidade nas estradas tem exigido improviso. Alguns caminhoneiros recorreram a igarapés para banho e utilizaram áreas de mata como alternativa diante da ausência de sanitários. A alimentação também se tornou um desafio, dependendo muitas vezes de mantimentos levados na viagem ou de doações pontuais.
Um dos relatos aponta que um motorista ficou cerca de dois dias parado na rodovia, aguardando autorização para entrada no porto. Outro informou ter enfrentado aproximadamente 40 horas na fila, seguidas de mais 12 horas dentro do terminal até concluir a descarga.
IMPACTO NO AGRONEGÓCIO
A situação ocorre no auge da colheita de soja, quando milhares de caminhões deixam estados produtores, como Mato Grosso, em direção aos portos da região amazônica. A concentração de veículos nesse período intensifica os gargalos logísticos e compromete a eficiência do escoamento.
Além do transtorno operacional, o cenário pressiona toda a cadeia do agronegócio, elevando custos e reduzindo a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.
PREJUÍZOS PARA CAMINHONEIROS
Para os transportadores, o problema vai além do desgaste físico. A espera nas filas não é remunerada na maioria dos contratos de frete, o que significa perda direta de renda.
Cada dia parado representa prejuízo, especialmente em um momento estratégico como a safra, quando há maior volume de trabalho. Enquanto os ganhos ficam estagnados, despesas com combustível, alimentação e manutenção continuam se acumulando.
PROBLEMA RECORRENTE
O cenário não é novo e se repete anualmente entre janeiro e março, período de maior fluxo nas rotas de exportação. A falta de infraestrutura adequada nos acessos e terminais do Arco Norte segue como um dos principais entraves logísticos do país, evidenciando a necessidade de investimentos e planejamento para evitar novos episódios de colapso. As informações são do Compre Rural.
