Teresina - PI, Sábado, 14 de Março de 2026
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Daniel Vorcaro troca advogado após prisão mantida no STF e pode considerar delação

Com a mudança na equipe jurídica, o advogado Pierpaolo Bottini deixa a defesa de Vorcaro. Bottini era contrário ao uso da delação premiada como estratégia no processo.

 

Foto de Daniel Vorcaro na prisão | ReproduçãoFoto de Daniel Vorcaro na prisão | Foto: Reprodução

Após o Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria, nesta sexta-feira (13), para manter a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, a defesa do empresário passou por uma mudança que pode abrir caminho para uma possível delação premiada no caso envolvendo o banco Master.

Vorcaro passará a ser defendido pelo advogado José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, um dos criminalistas mais renomados do país. O advogado já declarou publicamente que considera a delação premiada um instrumento legítimo de defesa, posição que expôs em entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, no ano passado.

Com a mudança na equipe jurídica, o advogado Pierpaolo Bottini deixa a defesa de Vorcaro. Bottini era contrário ao uso da delação premiada como estratégia no processo.

A substituição ocorreu logo após a decisão da Segunda Turma do STF, que formou maioria para manter o banqueiro preso. Nos bastidores, advogados que acompanham o caso avaliam que a manutenção da prisão aumenta a pressão sobre Vorcaro e reforça a possibilidade de um acordo de colaboração com as autoridades.

Ao longo da semana, houve pressão política para tentar evitar uma eventual delação premiada e para reverter a prisão do banqueiro no Supremo. Com a decisão da Corte, porém, o cenário mudou e a troca na defesa passou a ser vista como um movimento que pode abrir espaço para essa estratégia.

Na quinta-feira (12), após visitar Vorcaro, a defesa afirmou que não havia qualquer negociação de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A informação foi divulgada pelo blog da jornalista Julia Duailibi.

Em nota enviada ao blog da jornalista Andreia Sadi, os advogados afirmaram: “A defesa de Daniel Vorcaro declara que são inverídicas as notícias relacionadas à iniciativa de tratativas de delação premiada. Essa informação jamais partiu de qualquer dos advogados envolvidos no caso, e sua divulgação tem o único objetivo de prejudicar o exercício da defesa neste momento sensível.”

Apesar da negativa pública, no meio jurídico é considerada concreta a possibilidade de que a estratégia de colaboração premiada venha a ser discutida. Também nesta sexta-feira, o STF formou maioria para manter a decisão que autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero e determinou a prisão de Vorcaro.

O relator do caso, o ministro André Mendonça, foi o primeiro a votar e afirmou que o banqueiro integraria uma “perigosa organização criminosa armada”. O voto foi acompanhado pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques. Ainda falta o voto do ministro Gilmar Mendes.

Na decisão, Mendonça também determinou a manutenção da prisão de outros investigados: Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro; Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que morreu após, segundo a Polícia Federal, atentar contra a própria vida após a prisão; e Marilson Roseno da Silva.

O ministro Dias Toffoli, que integra a Segunda Turma do STF, declarou-se suspeito para participar do julgamento por foro íntimo. Toffoli era o relator original das investigações sobre fraudes bilionárias envolvendo o banco Master, mas deixou a relatoria após a Polícia Federal apresentar um relatório apontando conexões entre ele e Vorcaro.

Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março. Ele foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília, onde passa por um período de adaptação que pode durar até 20 dias.

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