{"id":6156,"date":"2023-10-11T08:15:44","date_gmt":"2023-10-11T11:15:44","guid":{"rendered":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=6156"},"modified":"2023-10-11T08:15:44","modified_gmt":"2023-10-11T11:15:44","slug":"comissao-da-camara-aprova-projeto-de-lei-que-proibe-casamento-homoafetivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=6156","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da C\u00e2mara aprova projeto de lei que pro\u00edbe casamento homoafetivo"},"content":{"rendered":"<p>Por 12 votos a 5, a Comiss\u00e3o de Previd\u00eancia, Assist\u00eancia Social, Inf\u00e2ncia, Adolesc\u00eancia e Fam\u00edlia da C\u00e2mara dos Deputados aprovou um projeto de lei que pro\u00edbe o casamento homoafetivo e a uni\u00e3o est\u00e1vel entre pessoas do mesmo sexo e cria uma outra modalidade de uni\u00e3o civil.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-99584\" src=\"https:\/\/revistaaz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/lgbtqia-bandeira-scaled.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" srcset=\"https:\/\/revistaaz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/lgbtqia-bandeira-scaled.jpg 2560w, https:\/\/revistaaz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/lgbtqia-bandeira-500x281.jpg 500w, https:\/\/revistaaz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/lgbtqia-bandeira-800x449.jpg 800w, https:\/\/revistaaz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/lgbtqia-bandeira-1536x862.jpg 1536w, https:\/\/revistaaz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/lgbtqia-bandeira-2048x1150.jpg 2048w\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1437\" \/><\/p>\n<p>O tema vem sendo discutido na comiss\u00e3o desde o dia 29 de agosto. A obstru\u00e7\u00e3o da base governista, minorit\u00e1ria no colegiado, e pedidos de vista, ou seja, mais tempo de an\u00e1lise do texto, t\u00eam travado o avan\u00e7o do tema na C\u00e2mara. Uma das vit\u00f3rias da minoria foi a realiza\u00e7\u00e3o de uma audi\u00eancia p\u00fablica para debater o assunto.<\/p>\n<p>Na \u00faltima sess\u00e3o sobre o projeto, no m\u00eas passado, o relator, deputado Pastor Eurico (PL-PE), pediu mais tempo para apresentar uma nova vers\u00e3o do parecer. Isso foi feito por meio de um voto complementar apresentado minutos antes da abertura da sess\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Entenda o projeto<\/strong><\/p>\n<p>O texto votado pro\u00edbe qualquer uni\u00e3o de pessoas do mesmo sexo e cria a possibilidade de que elas possam constituir \u201cuni\u00e3o homoafetiva por meio de contrato em que disponham sobre suas rela\u00e7\u00f5es patrimoniais\u201d.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, a uni\u00e3o homoafetiva, de acordo com o documento, entraria em um novo dispositivo legal, \u201ca fim de permitir que pessoas do mesmo sexo possam, exclusivamente para fins patrimoniais, constituir uni\u00e3o homoafetiva por meio de contrato\u201d.<\/p>\n<p>Pelo texto, as partes de uma uni\u00e3o homoafetiva s\u00e3o consideradas \u201ccontratantes\u201d, a uni\u00e3o em si denominada como \u201ccontrato\u201d e os dispositivos \u201ccasamento\u201d e \u201cuni\u00e3o est\u00e1vel\u201d ficam restritos \u00e0s rela\u00e7\u00f5es heterossexuais.<\/p>\n<p>\u201cQualquer lei ou norma que preveja uni\u00e3o est\u00e1vel ou casamento homoafetivo representa afronta direta \u00e0 literalidade do texto constitucional\u201d, diz Pastor Eurico.<\/p>\n<p>\u00c0 CNN, Pastor Eurico afirmou que a mudan\u00e7a no relat\u00f3rio era necess\u00e1ria depois do avan\u00e7o das discuss\u00f5es na comiss\u00e3o e da realiza\u00e7\u00e3o de audi\u00eancias p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Para ele, o texto abrange as reivindica\u00e7\u00f5es de todos os lados, uma vez que garante os direitos civis das uni\u00f5es homoafetivas e mant\u00e9m a institui\u00e7\u00e3o do casamento como prev\u00ea a Constitui\u00e7\u00e3o, que, segundo Eurico, seria uma uni\u00e3o entre homens e mulheres, al\u00e9m de proteger os direitos dos templos religiosos.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da base governista, o texto foi apresentado em cima da hora e, al\u00e9m disso, apresenta termos que tratam as pessoas da comunidade LGBTQIA+ como \u201ccidad\u00e3os de segunda categoria\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, usaria termos considerados \u201cultrapassados e homof\u00f3bicos\u201d na reda\u00e7\u00e3o do projeto de lei.<\/p>\n<p>O bloco tamb\u00e9m reclama que os acordos firmados n\u00e3o foram cumpridos, como a cria\u00e7\u00e3o de um grupo de trabalho com representantes dos dois lados para debater o texto, e que seria necess\u00e1rio tempo para a leitura e discuss\u00e3o do novo documento apresentado.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, com um artif\u00edcio do regimento interno, ao apresentar as altera\u00e7\u00f5es do relat\u00f3rio como um voto complementar, e n\u00e3o um texto substitutivo, a mat\u00e9ria foi enviada diretamente para vota\u00e7\u00e3o, sem a possibilidade de discuss\u00e3o ou apresenta\u00e7\u00e3o de emendas.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 vilipendiar o parlamento. Voc\u00eas querem modificar o C\u00f3digo Civil em 15 minutos. Infelizmente, o que alguns est\u00e3o fazendo aqui \u00e9 rasgar a Constitui\u00e7\u00e3o Federal, rasgar os direitos humanos. Eu n\u00e3o consigo entender tanta maldade. O que a gente t\u00e1 vendo aqui \u00e9 um retrocesso de 15 anos\u201d, contestou a deputada Laura Carneiro (PSD-RJ).<\/p>\n<p>Como protesto, os deputados fizeram obstru\u00e7\u00e3o, na tentativa de adiar a vota\u00e7\u00e3o, e deixaram o plen\u00e1rio, voltando depois de algumas horas para registrar o posicionamento contr\u00e1rio ao projeto.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7a no projeto e tramita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O projeto de lei original foi apresentado em 2007 pelo ent\u00e3o deputado federal Clodovil Hernandes, estilista e apresentador de televis\u00e3o que morreu em 2009.<\/p>\n<p>O projeto do Clodovil pretendia mudar o C\u00f3digo Civil para prever a possibilidade de que duas pessoas do mesmo sexo possam constituir uni\u00e3o homoafetiva por meio de contrato em que disponham sobre suas rela\u00e7\u00f5es patrimoniais.<\/p>\n<p>O relator, por\u00e9m, rejeitou todo o projeto original de Clodovil e adotou outro, de autoria dos ex-deputados Paes de Lira (SP) e Capit\u00e3o Assum\u00e7\u00e3o (ES).<\/p>\n<p>O texto acolhido, por sua vez, afirma que \u201cnos termos constitucionais, nenhuma rela\u00e7\u00e3o entre pessoas do mesmo sexo pode equiparar-se ao casamento ou a entidade familiar\u201d.<\/p>\n<p>Na justificativa do projeto, os dois deputados afirmaram que \u201caprovar o casamento homossexual \u00e9 negar a maneira pela qual todos os homens nascem neste mundo, e, tamb\u00e9m, \u00e9 atentar contra a exist\u00eancia da pr\u00f3pria esp\u00e9cie humana\u201d.<\/p>\n<p>Na leitura do relat\u00f3rio, Pastor Eurico disse que a Constitui\u00e7\u00e3o brasileira \u201cmitiga a possibilidade de casamento ou uni\u00e3o entre pessoas do mesmo sexo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO casamento \u00e9 entendido como um pacto que surge da rela\u00e7\u00e3o conjugal, e que, por isso, n\u00e3o cabe a interfer\u00eancia do poder p\u00fablico, j\u00e1 que o casamento entre pessoas do mesmo sexo \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 verdade do ser humano\u201d, afirmou Eurico.<\/p>\n<p>\u201cO que se pressup\u00f5e aqui \u00e9 que a palavra \u2018casamento\u2019 representa uma realidade objetiva e atemporal, que tem como ponto de partida e finalidade a procria\u00e7\u00e3o, o que exclui a uni\u00e3o entre pessoas do mesmo sexo\u201d, destacou.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio traz termos considerados ofensivos \u00e0 comunidade LGBTQIA+, como a utiliza\u00e7\u00e3o da palavra \u201chomossexualismo\u201d, que foi retirada da lista internacional de doen\u00e7as h\u00e1 33 anos pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), como maneira de combate \u00e0 homofobia.<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio, o Pastor Eurico usa trechos da b\u00edblia para legitimar a proibi\u00e7\u00e3o de casamento de pessoas do mesmo sexo, traz estudos psiqui\u00e1tricos \u2014 considerado por especialistas como ultrapassados \u2014 que condenam a homossexualidade, tratam-na como doen\u00e7a e afirmam que esta orienta\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 \u201ccontr\u00e1rio \u00e0 lei natural\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs atos homossexuais n\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o incapazes de gerar vida, mas, tamb\u00e9m, porque n\u00e3o prov\u00eam de uma verdadeira complementariedade sexual [\u2026]. Aqui n\u00e3o estamos falando de amor enquanto afeto, sentimento, prazer, mas enquanto doa\u00e7\u00e3o m\u00fatua para gera\u00e7\u00e3o de uma nova vida. O comportamento homossexual \u00e9, portanto, contr\u00e1rio ao car\u00e1ter pessoal do ser humano e, portanto, contr\u00e1rio \u00e0 lei natural\u201d, alega o texto.<\/p>\n<p>Muitos outros trechos da justificativa seguem desqualificando os relacionamentos homoafetivos. \u201cN\u00e3o importa o quanto dois homossexuais compartilhem uma cama e propriedades ou ganhos, o relacionamento deles n\u00e3o se parece em nada com um casamento em sua ess\u00eancia, pois falta a complementaridade corporal dos sexos \u2013 e o seu reflexo psicol\u00f3gico \u2013 e a consequente abertura \u00e0 vida e, portanto, falta o espec\u00edfico da efic\u00e1cia social do casamento como origem da fam\u00edlia\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Decis\u00e3o no STF<br \/>\nEm 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou as rela\u00e7\u00f5es entre pessoas do mesmo sexo \u00e0s uni\u00f5es est\u00e1veis entre homens e mulheres.<\/p>\n<p>Naquele ano, a Corte decidiu, por unanimidade, que um artigo do C\u00f3digo Civil deveria ser interpretado para garantir o reconhecimento de uni\u00f5es entre pessoas do mesmo sexo. A decis\u00e3o tamb\u00e9m considerou essas rela\u00e7\u00f5es como entidades familiares.<\/p>\n<p>Em 2013, o Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ) editou uma resolu\u00e7\u00e3o para obrigar a realiza\u00e7\u00e3o de casamentos homoafetivos em cart\u00f3rios do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Fonte: CNN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por 12 votos a 5, a Comiss\u00e3o de Previd\u00eancia, Assist\u00eancia Social, Inf\u00e2ncia, Adolesc\u00eancia e Fam\u00edlia da C\u00e2mara dos Deputados aprovou um projeto de lei que pro\u00edbe o casamento homoafetivo e a uni\u00e3o est\u00e1vel entre pessoas do mesmo sexo e cria uma outra modalidade de uni\u00e3o civil. 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