{"id":26028,"date":"2026-10-26T22:15:56","date_gmt":"2026-10-27T01:15:56","guid":{"rendered":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=26028"},"modified":"2026-10-26T22:15:56","modified_gmt":"2026-10-27T01:15:56","slug":"pessoas-com-dermatite-atopica-tem-maior-risco-de-depressao-e-ansiedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=26028","title":{"rendered":"Pessoas com dermatite at\u00f3pica t\u00eam maior risco de depress\u00e3o e ansiedade"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/cidadeverde.com\/assets\/uploads\/colecoes\/2\/2026\/01\/3QMkpzM1kDZ0UmOt92YuwWah12ZAN3YzVWdnlmck9mchJXYiJXYipTO4YjMwQDOyMTM6cmbw5iYxITY2UGMwIWNwkDZ4YDNxcTOmNzMxczY4MmN5QGM0YkMlQGM0YkMlkDN1EDNGJTJxcTM0kDM0QTMx8VL1ETLf9VLwITLfpDM.png\" alt=\"pele coceira corpo.png\" \/><\/p>\n<p>Uma em cada cinco pessoas com dermatite at\u00f3pica tem depress\u00e3o, propor\u00e7\u00e3o duas vezes maior que a observada na popula\u00e7\u00e3o geral. O risco de ansiedade tamb\u00e9m \u00e9 maior, segundo revis\u00e3o da literatura publicada no Journal of Clinical Medicine, em 2024.<\/p>\n<p>A dermatite at\u00f3pica \u00e9 uma doen\u00e7a inflamat\u00f3ria cr\u00f4nica, n\u00e3o contagiosa e de origem gen\u00e9tica. Provoca ressecamento e sensibilidade da pele, al\u00e9m de les\u00f5es avermelhadas e prurido (coceira intensa). No Brasil, levantamento citado em protocolo do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade apontou preval\u00eancia de 2,3%.<\/p>\n<p>Pietro Medeiros, 8, de Cachoeirinha (RS), recebeu o diagn\u00f3stico de um quadro grave no Hospital de Cl\u00ednicas de Porto Alegre (HCPA). Com o tempo, tamb\u00e9m desenvolveu depress\u00e3o e ansiedade.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Ele n\u00e3o sa\u00eda da cama nem caminhava. Pense como \u00e9 acordar e dormir sentindo dor e coceira, n\u00e3o conseguir tomar banho nem vestir roupa&#8221;, conta a m\u00e3e, Dioneli Medeiros.<\/p><\/blockquote>\n<p>Na escola, um colega que teve escabiose (sarna humana) disse ter contra\u00eddo a condi\u00e7\u00e3o de Pietro, repetindo o que ouvira do pai. Segundo Dioneli, uma professora tamb\u00e9m perguntou se a dermatite era contagiosa. Depois dos epis\u00f3dios, o menino n\u00e3o queria mais ir \u00e0s aulas.<\/p>\n<p>A desinforma\u00e7\u00e3o aparece tamb\u00e9m fora da escola. Pesquisa do Datafolha realizada em 2020, a pedido da farmac\u00eautica AbbVie, ouviu 1.001 pessoas sobre dermatite at\u00f3pica. Entre os entrevistados, 30% acreditavam que a doen\u00e7a era contagiosa e 47% a associavam \u00e0 falta de higiene. Para 36%, pessoas com les\u00f5es vis\u00edveis n\u00e3o deveriam sair de casa, estudar ou trabalhar.<\/p>\n<p>A dermatologista Rosana Lazzarini, primeira-secret\u00e1ria da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia), afirma que a coceira pode prejudicar o sono e afetar o desempenho nos estudos e no trabalho. Quando as les\u00f5es s\u00e3o vis\u00edveis, o impacto pode alcan\u00e7ar tamb\u00e9m a vida social.<\/p>\n<p>No HCPA, Pietro iniciou acompanhamento psicol\u00f3gico e psiqui\u00e1trico. \u00c0 medida que os sintomas melhoraram, voltou \u00e0 escola e \u00e0s brincadeiras, embora ainda apresente les\u00f5es. &#8220;Eu gosto de brincar de futebol, gosto de brincar na rua, gosto de qualquer coisa&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga Tarcila Cicchini, que trabalhou por mais de 30 anos com pacientes dermatol\u00f3gicos no Hospital das Cl\u00ednicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo), diz que a doen\u00e7a n\u00e3o deve ocupar o centro da vida de quem convive com ela. &#8220;A dermatite at\u00f3pica n\u00e3o pode ser o carro-chefe da vida de um paciente, nem da fam\u00edlia.&#8221;<\/p>\n<p>O sofrimento, por\u00e9m, pode alcan\u00e7ar tamb\u00e9m os cuidadores. Dioneli conta que desenvolveu depress\u00e3o e ansiedade durante o tratamento do filho. &#8220;Eu achava que eu era uma p\u00e9ssima m\u00e3e.&#8221;<\/p>\n<p>Pessoas pr\u00f3ximas atribu\u00edam a piora da dermatite de Pietro ao estresse da m\u00e3e. Vizinhos chamavam de &#8220;manha&#8221; a resist\u00eancia do menino aos banhos e \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de cremes. Alguns chegaram a sugerir que ela batesse nele.<\/p>\n<p>Um dos estudos citados na revis\u00e3o de 2024 identificou depress\u00e3o em 29,3% dos pais de crian\u00e7as com dermatite at\u00f3pica. No grupo de compara\u00e7\u00e3o, a propor\u00e7\u00e3o foi de 20,3%.<\/p>\n<h2><strong>Dermatite at\u00f3pica na vida adulta<\/strong><\/h2>\n<p>Em Uberl\u00e2ndia (MG), Rebecca Castelo Branco, 27, trabalha como maquiadora h\u00e1 nove anos, mas n\u00e3o se maquia h\u00e1 meses. Segundo ela, os cosm\u00e9ticos ressaltam as les\u00f5es no rosto e dificultam a hidrata\u00e7\u00e3o da pele.<\/p>\n<p>Durante um evento de beleza, Rebecca se afastou dos outros profissionais para chorar. &#8220;Quando eu me olho no espelho, vejo essa doen\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>A maquiadora, que tamb\u00e9m tem depress\u00e3o e ansiedade, passou a restringir o conv\u00edvio a pessoas conhecidas. Evita ainda relacionamentos amorosos at\u00e9 se sentir melhor com a pr\u00f3pria apar\u00eancia.<\/p>\n<p>Rebecca faz terapia com uma psic\u00f3loga particular, mas reduziu a frequ\u00eancia das sess\u00f5es para conseguir pagar o tratamento dermatol\u00f3gico. Pelo SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade), aguarda uma consulta psiqui\u00e1trica.<\/p>\n<p>Cicchini afirma que a psicoterapia pode ajudar pacientes a recuperar a confian\u00e7a e a lidar com vergonha, preconceito e dificuldades nas rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga tamb\u00e9m participa de grupos da Associa\u00e7\u00e3o de Apoio \u00e0 Dermatite At\u00f3pica. Neles, pacientes e familiares compartilham experi\u00eancias e recebem orienta\u00e7\u00f5es de profissionais de sa\u00fade. Os encontros s\u00e3o gratuitos e ocorrem em diferentes cidades.<\/p>\n<p>Rebecca conta que m\u00e9dicos j\u00e1 atribu\u00edram sua dermatite a fatores emocionais, embora ela n\u00e3o perceba essa rela\u00e7\u00e3o. &#8220;J\u00e1 aconteceu de eu estar superfeliz e a pele estar rachando&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Para ela, essas explica\u00e7\u00f5es refor\u00e7avam a sensa\u00e7\u00e3o de que era respons\u00e1vel pelas pioras.<br \/>\nLazzarini explica que o estresse pode aumentar a coceira e agravar as les\u00f5es, mas n\u00e3o causa, sozinho, a dermatite at\u00f3pica.<\/p>\n<p>A dermatologista alerta que problemas de sa\u00fade mental e o des\u00e2nimo diante da demora na melhora podem comprometer a continuidade do tratamento. Alguns pacientes passam meses ou anos sem retornar \u00e0s consultas.<\/p>\n<p>Pesquisadores ainda investigam se a pr\u00f3pria inflama\u00e7\u00e3o causada pela dermatite at\u00f3pica contribui para o desenvolvimento de transtornos mentais. Ainda n\u00e3o est\u00e1 claro qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o nesse processo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Portal CidadeVerde.<br \/>\nConfira esta e outras mat\u00e9rias na \u00edntegra pelo link: https:\/\/cidadeverde.com\/saude\/465316\/pessoas-com-dermatite-atopica-tem-maior-risco-de-depressao-e-ansiedade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma em cada cinco pessoas com dermatite at\u00f3pica tem depress\u00e3o, propor\u00e7\u00e3o duas vezes maior que a observada na popula\u00e7\u00e3o geral. O risco de ansiedade tamb\u00e9m \u00e9 maior, segundo revis\u00e3o da literatura publicada no Journal of Clinical Medicine, em 2024. A dermatite at\u00f3pica \u00e9 uma doen\u00e7a inflamat\u00f3ria cr\u00f4nica, n\u00e3o contagiosa e de origem gen\u00e9tica. 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