{"id":25728,"date":"2026-10-13T16:41:45","date_gmt":"2026-10-13T19:41:45","guid":{"rendered":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=25728"},"modified":"2026-10-13T16:41:45","modified_gmt":"2026-10-13T19:41:45","slug":"estudo-aponta-cinco-estrategias-para-reduzir-hesitacao-vacinal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=25728","title":{"rendered":"Estudo aponta cinco estrat\u00e9gias para reduzir hesita\u00e7\u00e3o vacinal"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/cidadeverde.com\/assets\/uploads\/colecoes\/2\/2026\/08\/vacina-ampola-agulha.jpeg\" alt=\"vacina-ampola-agulha.jpeg\" \/><\/p>\n<p>O enfrentamento da hesita\u00e7\u00e3o vacinal depende da combina\u00e7\u00e3o de cinco estrat\u00e9gias: comunica\u00e7\u00e3o adaptada a diferentes p\u00fablicos, combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, capacita\u00e7\u00e3o de profissionais de sa\u00fade, amplia\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 imuniza\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para gestantes.<\/p>\n<p>\u00c9 o que aponta um estudo publicado nesta segunda-feira (12) na revista Epidemiologia e Servi\u00e7os de Sa\u00fade. O trabalho reuniu 48 revis\u00f5es sistem\u00e1ticas publicadas entre 2012 e 2024 sobre interven\u00e7\u00f5es para reduzir a hesita\u00e7\u00e3o vacinal em adultos e gestantes, incluindo dados referentes \u00e0s vacinas contra Covid, influenza, HPV, hepatite B, coqueluche e pneumococo.<\/p>\n<p>Segundo os autores, as medidas tendem a funcionar melhor quando aplicadas em conjunto e adaptadas \u00e0s necessidades de cada popula\u00e7\u00e3o. A s\u00edntese foi elaborada a partir de uma chamada p\u00fablica do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para orientar pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>A primeira estrat\u00e9gia \u00e9 adaptar a comunica\u00e7\u00e3o a diferentes p\u00fablicos. As campanhas devem considerar as caracter\u00edsticas socioculturais de cada grupo e explicar os benef\u00edcios individuais da vacina\u00e7\u00e3o e sua import\u00e2ncia para a prote\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p>Isso pode incluir informa\u00e7\u00f5es em outros idiomas para migrantes, linguagem simples sobre a seguran\u00e7a dos imunizantes e participa\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as comunit\u00e1rias e religiosas. Influenciadores digitais tamb\u00e9m podem ampliar o alcance das mensagens.<\/p>\n<p>&#8220;Cada popula\u00e7\u00e3o, cada comunidade, vai sofrer barreiras diferentes para se vacinar&#8221;, afirma Ana Paula da Costa Marques, professora de microbiologia do Instituto de Bioci\u00eancias da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e uma das autoras do estudo. As estrat\u00e9gias devem considerar &#8220;as caracter\u00edsticas do grupo que se pretende trabalhar e qual \u00e9 o objetivo&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>A segunda estrat\u00e9gia \u00e9 combater a desinforma\u00e7\u00e3o. Segundo o estudo, autoridades e profissionais de sa\u00fade podem responder a conte\u00fados falsos nas redes sociais e divulgar informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas em linguagem acess\u00edvel. O trabalho tamb\u00e9m aponta a import\u00e2ncia de prevenir a dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es enganosas, com medidas como monitoramento e pol\u00edticas regulat\u00f3rias.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito melhor prevenir a desinforma\u00e7\u00e3o do que trabalhar nela depois que ela j\u00e1 foi disseminada&#8221;, afirma Marques.<\/p>\n<p>O pediatra Juarez Cunha, diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imuniza\u00e7\u00f5es), afirma que a falta de confian\u00e7a nas vacinas, nos profissionais e nas institui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m pode afastar a popula\u00e7\u00e3o da imuniza\u00e7\u00e3o. Por isso, afirma, \u00e9 importante identificar os fatores que interferem na vacina\u00e7\u00e3o em cada localidade para definir as medidas mais adequadas.<\/p>\n<p>A terceira estrat\u00e9gia \u00e9 capacitar os profissionais de sa\u00fade de forma cont\u00ednua. Os treinamentos devem abordar conhecimentos sobre imuniza\u00e7\u00e3o e habilidades de comunica\u00e7\u00e3o, para que os profissionais consigam conversar com a popula\u00e7\u00e3o de forma clara e acolhedora.<\/p>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o direta durante o atendimento tamb\u00e9m pode influenciar a decis\u00e3o de se vacinar. Para Marques, o v\u00ednculo entre profissionais e pacientes \u00e9 importante. Cunha acrescenta que os profissionais precisam estar bem informados para responder \u00e0s d\u00favidas, tanto nas unidades de sa\u00fade quanto nas redes sociais.<\/p>\n<p>Para Rosane Orth Argenta, gestora de sa\u00fade e CEO da Sa\u00fade Livre Vacinas, rede privada de cl\u00ednicas de imuniza\u00e7\u00e3o, a recomenda\u00e7\u00e3o de vacina precisa partir do profissional, sem esperar a iniciativa do paciente.<\/p>\n<p>&#8220;O profissional n\u00e3o deve apenas esperar que o paciente pergunte sobre a vacina\u00e7\u00e3o. Ele precisa avaliar o calend\u00e1rio vacinal e recomendar as vacinas indicadas&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A quarta estrat\u00e9gia \u00e9 ampliar o acesso \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o. Nem toda pessoa que deixa de se vacinar est\u00e1 recusando a imuniza\u00e7\u00e3o. Em alguns casos, a dificuldade \u00e9 log\u00edstica, como a falta de tempo para comparecer a uma unidade de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Hor\u00e1rios estendidos, atendimento aos fins de semana, unidades m\u00f3veis e oferta de doses em escolas, empresas e universidades podem reduzir essas barreiras.<\/p>\n<p>A quinta frente \u00e9 voltada a gestantes e pu\u00e9rperas. O estudo recomenda esclarecer d\u00favidas sobre poss\u00edveis efeitos adversos para a m\u00e3e e o beb\u00ea e oferecer vacinas durante o pr\u00e9-natal e nas maternidades, com orienta\u00e7\u00f5es e materiais explicativos.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Quanto mais tiver essa rela\u00e7\u00e3o do profissional de sa\u00fade com a gestante, indicando, recomendando a vacina\u00e7\u00e3o, melhor&#8221;, afirma Marques.<\/p><\/blockquote>\n<p>As recomenda\u00e7\u00f5es s\u00e3o apresentadas em um momento de recupera\u00e7\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o infantil no Brasil. Em 2026, o pa\u00eds deixou a lista dos 20 com maior n\u00famero de crian\u00e7as &#8220;zero-dose&#8221;, segundo estimativas da OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) e do Unicef (Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia).<\/p>\n<p>S\u00e3o consideradas zero-dose as crian\u00e7as que n\u00e3o receberam a primeira dose da vacina contra difteria, t\u00e9tano e coqueluche. No Brasil, a prote\u00e7\u00e3o \u00e9 oferecida pela pentavalente, que tamb\u00e9m previne hepatite B e infec\u00e7\u00f5es por Haemophilus influenzae tipo b.<\/p>\n<p>Em 2025, 50 mil crian\u00e7as estavam nessa situa\u00e7\u00e3o, ante 255 mil em 2024. Para Marques, a recupera\u00e7\u00e3o das coberturas vacinais \u00e9 importante diante do risco de reintrodu\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as que haviam deixado de circular de forma sustentada. Quando elas se tornam menos frequentes, parte da popula\u00e7\u00e3o pode deixar de reconhecer sua gravidade e os riscos da queda da imuniza\u00e7\u00e3o, diz.<\/p>\n<p>Guatemala, M\u00e9xico, Estados Unidos, Peru e Canad\u00e1 concentravam 99,5% dos casos confirmados de sarampo em 2026. Em novembro de 2025, a transmiss\u00e3o end\u00eamica foi restabelecida no Canad\u00e1, levando a regi\u00e3o das Am\u00e9ricas a perder o status de livre da circula\u00e7\u00e3o end\u00eamica do sarampo, em meio a um crescimento do movimento antivacina.<\/p>\n<p>No Brasil, at\u00e9 5 de outubro, foram registrados 52 casos importados, sendo 41 em S\u00e3o Paulo, dez no Amazonas e um no Rio de Janeiro, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. O pa\u00eds mant\u00e9m o status de livre da circula\u00e7\u00e3o end\u00eamica, recuperado em novembro de 2024. A cobertura da primeira dose da tr\u00edplice viral chegou a 93,1% em 2025, abaixo da meta de 95%.<\/p>\n<p>O projeto Sa\u00fade P\u00fablica tem apoio da Umane, associa\u00e7\u00e3o civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Portal CidadeVerde.<br \/>\nConfira esta e outras mat\u00e9rias na \u00edntegra pelo link: https:\/\/cidadeverde.com\/saude\/464583\/estudo-aponta-cinco-estrategias-para-reduzir-hesitacao-vacinal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O enfrentamento da hesita\u00e7\u00e3o vacinal depende da combina\u00e7\u00e3o de cinco estrat\u00e9gias: comunica\u00e7\u00e3o adaptada a diferentes p\u00fablicos, combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, capacita\u00e7\u00e3o de profissionais de sa\u00fade, amplia\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 imuniza\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para gestantes. \u00c9 o que aponta um estudo publicado nesta segunda-feira (12) na revista Epidemiologia e Servi\u00e7os de Sa\u00fade. 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