{"id":25026,"date":"2026-09-15T11:38:13","date_gmt":"2026-09-15T14:38:13","guid":{"rendered":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=25026"},"modified":"2026-09-15T11:38:13","modified_gmt":"2026-09-15T14:38:13","slug":"depressao-quando-a-tristeza-nao-e-apenas-coisa-da-idade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=25026","title":{"rendered":"Depress\u00e3o: quando a tristeza n\u00e3o \u00e9 apenas &#8220;coisa da idade&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/cidadeverde.com\/assets\/uploads\/colecoes\/2\/2025\/11\/dem%C3%AAncia_idoso_idade.jpg\" alt=\"dem\u00eancia_idoso_idade.jpg\" \/><\/p>\n<p>A ideia de que um idoso est\u00e1 triste porque envelheceu pode esconder um problema de sa\u00fade. Na terceira idade, a depress\u00e3o nem sempre se manifesta pela tristeza. Apatia, isolamento, dores persistentes, altera\u00e7\u00f5es no sono, apetite e mem\u00f3ria tamb\u00e9m podem indicar o quadro, ainda subdiagnosticado.<\/p>\n<p>No Brasil, cerca de 36 milh\u00f5es de pessoas t\u00eam 60 anos ou mais, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) estima que 15% das pessoas com 70 anos ou mais vivem com algum transtorno mental. Depress\u00e3o e ansiedade s\u00e3o comuns nessa faixa et\u00e1ria, mas frequentemente permanecem sem diagn\u00f3stico e tratamento.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Envelhecer envolve mudan\u00e7as e adapta\u00e7\u00f5es a perdas, mas a depress\u00e3o modifica a maneira como a pessoa vive&#8221;, afirma Luis Alberto Saporetti, geriatra.<\/p><\/blockquote>\n<p>Segundo o especialista, tristeza e depress\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos. &#8220;Tristeza \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o. Quando os sentimentos permanecem por muito tempo, \u00e9 preciso prestar aten\u00e7\u00e3o. Na depress\u00e3o, h\u00e1 perda de prazer, des\u00e2nimo, sensa\u00e7\u00e3o de culpa ou inutilidade e preju\u00edzo na vida cotidiana.&#8221;<\/p>\n<p>Dificultando o reconhecimento da depress\u00e3o na velhice, irritabilidade, falta de energia, apatia, ins\u00f4nia, perda de apetite, emagrecimento, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o e queixas f\u00edsicas podem ser sinais mais evidentes do que tristeza ou choro<\/p>\n<p>&#8220;A apatia merece aten\u00e7\u00e3o especial. \u00c9 aquela perda de iniciativa em que a pessoa vai deixando de fazer coisas que antes faziam parte da vida. Pode parar de cozinhar, cuidar do jardim, encontrar amigos, passear, cuidar da apar\u00eancia ou participar da fam\u00edlia&#8221;, afirma Saporetti.<\/p>\n<p>Sintomas f\u00edsicos tamb\u00e9m podem ser atribu\u00eddos automaticamente \u00e0 idade ou a doen\u00e7as existentes. Uma dor persistente pode ter causa org\u00e2nica, mas tamb\u00e9m ser agravada pela depress\u00e3o e vice-versa.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;A rela\u00e7\u00e3o entre dor cr\u00f4nica e depress\u00e3o \u00e9 de m\u00e3o dupla. A dor pode limitar a mobilidade, prejudicar o sono, reduzir atividades prazerosas e favorecer o isolamento. Ao mesmo tempo, a depress\u00e3o pode aumentar o sofrimento associado \u00e0 dor e dificultar a ades\u00e3o ao tratamento&#8221;, explica o m\u00e9dico.<\/p><\/blockquote>\n<p>Perda de mem\u00f3ria \u00e9 outro sinal que confunde familiares. Como a depress\u00e3o compromete a aten\u00e7\u00e3o e a tomada de decis\u00f5es, o idoso pode parecer mais lento cognitivamente e reclamar de esquecimentos. Depress\u00e3o e doen\u00e7as neurodegenerativas, como dem\u00eancias, podem coexistir e precisam ser diferenciadas por avalia\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p>&#8220;Quando existe uma mudan\u00e7a significativa da mem\u00f3ria, principalmente se \u00e9 progressiva ou prejudica atividades como administrar dinheiro, medicamentos, compromissos ou tarefas dom\u00e9sticas, \u00e9 necess\u00e1ria uma investiga\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Saporetti. Para o m\u00e9dico, a idade isoladamente n\u00e3o causa depress\u00e3o, mas sim as condi\u00e7\u00f5es nas quais a pessoa envelhece.<\/p>\n<h2><strong>Conviv\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 cuidado<\/strong><\/h2>\n<p>Manter v\u00ednculos sociais funciona como fator de prote\u00e7\u00e3o. Atividades comunit\u00e1rias, grupos de conviv\u00eancia, cursos, encontros com amigos, familiares, comunidades religiosas e voluntariado contribuem para o bem-estar. Mas, quando a depress\u00e3o est\u00e1 instalada, o idoso pode n\u00e3o ter disposi\u00e7\u00e3o para a vida social.<\/p>\n<p>&#8220;Estimular n\u00e3o significa obrigar. O idoso precisa, primeiro, ser ouvido. A insist\u00eancia, ainda que bem-intencionada, pode aumentar a culpa e o sofrimento&#8221;, explica Saporetti.<\/p>\n<p>A atividade f\u00edsica tamb\u00e9m ajuda na preven\u00e7\u00e3o e no tratamento. A OMS recomenda para adultos mais velhos pelo menos 150 minutos de atividade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa por semana, al\u00e9m de exerc\u00edcios de fortalecimento muscular, equil\u00edbrio e for\u00e7a.<\/p>\n<p>Para os familiares, mudan\u00e7as persistentes de comportamento devem servir de alerta. Deixar de fazer atividades que gostava, evitar pessoas, perder apetite, dormir mal, reclamar de dores ou perder a iniciativa exigem aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;\u00c9 importante escutar antes de aconselhar. O familiar pode oferecer ajuda concreta, como marcar uma consulta, acompanhar o idoso ou ajud\u00e1-lo a explicar ao profissional o que est\u00e1 acontecendo&#8221;, pondera o especialista.<\/p><\/blockquote>\n<p>O diagn\u00f3stico \u00e9 cl\u00ednico e considera o hist\u00f3rico da pessoa, estado mental, condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, medicamentos e contexto psicossocial. O tratamento pode envolver psicoterapia, medicamentos ou a combina\u00e7\u00e3o das duas abordagens.<\/p>\n<p>&#8220;Envelhecer n\u00e3o significa perder a vontade de viver, nem viver triste e isolado. Quando o sofrimento se prolonga, apaga o interesse pela vida e reduz a autonomia, n\u00e3o devemos simplesmente dizer que \u00e9 da idade&#8221;, diz Saporetti.<\/p>\n<h2><strong>Autonomia tamb\u00e9m \u00e9 parte do envelhecimento saud\u00e1vel<\/strong><\/h2>\n<p>A promo\u00e7\u00e3o do envelhecimento saud\u00e1vel passa por preservar a autonomia e a capacidade funcional, que re\u00fane as habilidades f\u00edsicas e mentais para realizar atividades do dia a dia. Essa \u00e9 uma das propostas do Mova-se, projeto do S\u00edrio-Liban\u00eas criado em sintonia com as diretrizes da D\u00e9cada do Envelhecimento Saud\u00e1vel da ONU.<\/p>\n<p>O programa oferece atividades f\u00edsicas para pessoas com 60 anos ou mais e busca contribuir para que mantenham a independ\u00eancia. As atividades s\u00e3o definidas a partir das necessidades individuais, identificadas em avalia\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas que consideram aspectos f\u00edsicos, cognitivos, psicol\u00f3gicos, nutricionais e sensoriais.<\/p>\n<p>&#8220;O envelhecimento saud\u00e1vel tamb\u00e9m envolve preservar a autonomia e a capacidade de realizar as atividades do dia a dia. Por isso, quando mudan\u00e7as come\u00e7am a comprometer a rotina, a independ\u00eancia ou o interesse pela vida, \u00e9 importante olhar para al\u00e9m da idade, escutar o idoso e buscar ajuda&#8221;, finaliza Saporetti.<\/p>\n<p><strong>Confira quatro dicas para identificar sinais da depress\u00e3o na terceira idade:<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o atribua mudan\u00e7as \u00e0 idade<\/strong><\/p>\n<p>Apatia, isolamento, perda de interesse, dores persistentes, altera\u00e7\u00f5es no sono e no apetite ou problemas de mem\u00f3ria n\u00e3o devem ser tratados simplesmente como consequ\u00eancias do envelhecimento.<\/p>\n<p><strong>Escute antes de aconselhar<\/strong><\/p>\n<p>Converse com o idoso sem julgamentos ou cobran\u00e7as. Em vez de dizer que ele precisa &#8220;reagir&#8221; ou &#8220;pensar positivo&#8221;, pergunte como ele est\u00e1 se sentindo e mostre disponibilidade para ajudar.<\/p>\n<p><strong>Procure avalia\u00e7\u00e3o profissional<\/strong><\/p>\n<p>Mudan\u00e7as no comportamento, humor, sono, apetite ou mem\u00f3ria devem ser investigadas. Depress\u00e3o pode coexistir com outras doen\u00e7as e precisa de diagn\u00f3stico adequado.<\/p>\n<p><strong>Mantenha v\u00ednculos e uma rotina ativa, sem pressionar<\/strong><\/p>\n<p>Conviv\u00eancia social e atividade f\u00edsica podem contribuir para a sa\u00fade mental, mas o est\u00edmulo deve respeitar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Portal CidadeVerde.<br \/>\nConfira esta e outras mat\u00e9rias na \u00edntegra pelo link: https:\/\/cidadeverde.com\/saude\/462914\/depressao-quando-a-tristeza-nao-e-apenas-coisa-da-idade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ideia de que um idoso est\u00e1 triste porque envelheceu pode esconder um problema de sa\u00fade. Na terceira idade, a depress\u00e3o nem sempre se manifesta pela tristeza. Apatia, isolamento, dores persistentes, altera\u00e7\u00f5es no sono, apetite e mem\u00f3ria tamb\u00e9m podem indicar o quadro, ainda subdiagnosticado. 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