{"id":24030,"date":"2026-07-05T13:48:02","date_gmt":"2026-07-05T16:48:02","guid":{"rendered":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=24030"},"modified":"2026-07-05T13:48:02","modified_gmt":"2026-07-05T16:48:02","slug":"mosquito-da-dengue-pode-ignorar-repelente-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=24030","title":{"rendered":"Mosquito da dengue pode &#8220;ignorar&#8221; repelente, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/cidadeverde.com\/assets\/uploads\/colecoes\/2\/2025\/09\/dengue-freepik.jpg\" alt=\"dengue-freepik.jpg\" \/><\/p>\n<p>Um estudo conduzido por pesquisadores da Fran\u00e7a e dos Estados Unidos mostrou que o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, \u00e9 capaz de aprender com experi\u00eancias anteriores. Em laborat\u00f3rio, esse aprendizado fez com que os insetos passassem a aceitar o contato com o repelente depois de associarem seu cheiro \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A pesquisa, publicada em maio na revista cient\u00edfica Journal of Experimental Biology, investigou se insetos transmissores de doen\u00e7as conseguem aprender e memorizar informa\u00e7\u00f5es. Em diferentes estudos com mosquitos e percevejos transmissores da doen\u00e7a de Chagas, os cientistas observaram que esses insetos podem modificar o comportamento a partir de experi\u00eancias anteriores.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 R\u00e1dio Fran\u00e7a Internacional (RFI), o entom\u00f3logo Claudio Lazzari, do Centro Nacional de Pesquisa Cient\u00edfica da Fran\u00e7a (CNRS), detalhou os experimentos realizados com f\u00eameas do Aedes aegypti. A equipe utilizou o DEET (N,N-dietil-3-metilbenzamida), um dos repelentes mais utilizados e considerados mais eficazes, desenvolvido na d\u00e9cada de 1940.<\/p>\n<p>Os pesquisadores, no entanto, fazem um alerta: os resultados foram obtidos em condi\u00e7\u00f5es de laborat\u00f3rio e n\u00e3o significam que o repelente deixou de funcionar nem que os mosquitos estejam desenvolvendo resist\u00eancia ao produto na natureza.<\/p>\n<h2><strong>Como os cientistas &#8220;treinaram&#8221; o mosquito<\/strong><\/h2>\n<p>Para descobrir se os mosquitos eram capazes de aprender, os pesquisadores utilizaram um m\u00e9todo cl\u00e1ssico da psicologia experimental baseado na associa\u00e7\u00e3o entre est\u00edmulos. \u00c9 o mesmo princ\u00edpio usado em experimentos em que um animal aprende que o toque de uma campainha indica que a comida est\u00e1 chegando.<\/p>\n<p>No caso do mosquito, por\u00e9m, havia um desafio. Diferentemente do som da campainha, o repelente desperta uma rea\u00e7\u00e3o natural de fuga. Para contornar, os pesquisadores inverteram a l\u00f3gica do experimento. Primeiro, ofereciam alimento ao mosquito e, em seguida, apresentavam o repelente. Depois de repetir esse processo diversas vezes, os insetos passaram a associar o cheiro do produto \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Os mosquitos estavam t\u00e3o estimulados a se alimentar que aceitaram o repelente sem escapar. Para eles, a comida e o cheiro do repelente eram percebidos ao mesmo tempo&#8221;, explicou Claudio Lazzari. O comportamento foi o mesmo independentemente do alimento oferecido aos insetos. &#8220;Testamos com sangue, mas tamb\u00e9m com a\u00e7\u00facar, j\u00e1 que os mosquitos t\u00eam alimenta\u00e7\u00e3o dupla: consomem tanto n\u00e9ctar de flores quanto sangue. Nos dois casos, o sangue e o a\u00e7\u00facar foram capazes de modificar o comportamento dos mosquitos diante do repelente&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Durante os experimentos, cada f\u00eamea de Aedes aegypti era colocada em um tubo isolado. O sangue era oferecido atr\u00e1s de uma membrana que imitava a pele humana e permitia que o mosquito se alimentasse normalmente. Depois de quatro picadas, o repelente era aplicado por dez segundos, com intervalos de cinco minutos entre cada etapa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de controlar o momento da aplica\u00e7\u00e3o do repelente, a equipe tamb\u00e9m mediu a quantidade de alimento ingerida pelos insetos. &#8220;Depois, controlamos a quantidade de alimento ingerida pelo mosquito cronometrando o tempo. Como os mosquitos comem, em m\u00e9dia, a uma taxa semelhante, conseguimos associar dura\u00e7\u00e3o e volume&#8221;, explicou o neurocientista Clement Vinauger.<\/p>\n<h2>\n<strong>O que os pesquisadores descobriram<\/strong><\/h2>\n<p>Cerca de 30 mosquitos participaram do estudo. De acordo com Claudio Lazzari, os experimentos foram repetidos durante meses para garantir a confiabilidade dos resultados.<\/p>\n<p>Ao final dos testes, os pesquisadores conclu\u00edram que, ap\u00f3s serem condicionados a associar o cheiro do repelente \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, os mosquitos passaram a reagir de forma diferente ao produto.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da mudan\u00e7a de comportamento, a equipe analisou o que acontecia no c\u00e9rebro dos insetos usando t\u00e9cnicas de imagem e eletrofisiologia, m\u00e9todo que registra a atividade el\u00e9trica dos neur\u00f4nios.<\/p>\n<p>Segundo Vinauger, os testes mostraram que experi\u00eancias anteriores podem alterar a forma como o mosquito percebe determinados odores. Isso ajuda a explicar por que o comportamento do inseto mudou durante o experimento.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 nesse primeiro n\u00edvel de transmiss\u00e3o, ocorre integra\u00e7\u00e3o e modula\u00e7\u00e3o de como os odores s\u00e3o representados, dependendo de terem sido aprendidos ou n\u00e3o, ou de ter havido experi\u00eancia pr\u00e9via. Assim, temos uma ideia geral dos circuitos envolvidos nesse tipo de aprendizado&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Portal CidadeVerde.<br \/>\nConfira esta e outras mat\u00e9rias na \u00edntegra pelo link: https:\/\/cidadeverde.com\/noticias\/458783\/mosquito-da-dengue-pode-ignorar-repelente-diz-estudo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo conduzido por pesquisadores da Fran\u00e7a e dos Estados Unidos mostrou que o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, \u00e9 capaz de aprender com experi\u00eancias anteriores. 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