{"id":22664,"date":"2026-06-02T12:03:14","date_gmt":"2026-06-02T15:03:14","guid":{"rendered":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=22664"},"modified":"2026-06-02T12:03:14","modified_gmt":"2026-06-02T15:03:14","slug":"endometriose-mulher-leva-20-anos-para-receber-diagnostico-e-alerta-para-sintoma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=22664","title":{"rendered":"Endometriose: mulher leva 20 anos para receber diagn\u00f3stico e alerta para sintoma"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/cidadeverde.com\/assets\/uploads\/colecoes\/2\/2026\/06\/kauanne.jpg\" alt=\"kauanne.jpg\" \/><\/p>\n<p>Durante anos, a administradora Kauane Faria Barros, hoje com 34 anos, ouviu a mesma resposta nos consult\u00f3rios: era \u201cnormal\u201d.\u00a0<strong>O fluxo menstrual intenso, os epis\u00f3dios frequentes de anemia, o cansa\u00e7o extremo e at\u00e9 a necessidade de trocar de roupa v\u00e1rias vezes ao dia foram tratados como parte de uma rotina feminina comum.<\/strong>\u00a0N\u00e3o eram.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria come\u00e7ou ainda na adolesc\u00eancia, por volta dos 14 anos. Desde a primeira menstrua\u00e7\u00e3o, os sinais como sangramento excessivo, presen\u00e7a de co\u00e1gulos e impactos diretos na rotina escolar j\u00e1 existiam. \u201cEu levava uma muda de roupa na mochila. J\u00e1 precisei sair por \u00faltimo da sala para n\u00e3o constranger ningu\u00e9m\u201d, lembra. Apesar dos sinais evidentes, exames de imagem n\u00e3o apontavam altera\u00e7\u00f5es, o que dificultava a investiga\u00e7\u00e3o e adiava respostas.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o com a irm\u00e3, dois anos mais nova, tornava tudo ainda mais confuso.\u00a0<strong>Com sintomas diferentes, ela recebeu o diagn\u00f3stico de endometriose ainda na juventude. Kauane, n\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEu tinha todos os sintomas cl\u00ednicos, mas nada aparecia nos exames. Ent\u00e3o, os m\u00e9dicos diziam que estava tudo bem.\u201d Sem respostas, vieram as tentativas de tratamento padr\u00e3o, como o uso cont\u00ednuo de anticoncepcionais. No caso dela, sem sucesso. \u201c<strong>Cheguei a ficar tr\u00eas meses menstruada direto<\/strong>. N\u00e3o resolvia e ainda piorava minha qualidade de vida\u201d, relata.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ao longo dos anos, a falta de diagn\u00f3stico impactou n\u00e3o apenas a sa\u00fade f\u00edsica, mas tamb\u00e9m a vida social e profissional. Faltas no trabalho eram justificadas como enxaquecas. Convites eram recusados. \u201cEu simplesmente evitava sair nos primeiros dias do ciclo. Sabia que n\u00e3o ia dar conta.\u201d<\/p>\n<p>O sangramento severo\u00a0<strong>causava anemia profunda, cansa\u00e7o extremo e uma suposta &#8220;s\u00edndrome do intestino irrit\u00e1vel&#8221; que, descobriu-se anos depois, eram focos da doen\u00e7a pressionando o sistema digestivo<\/strong>. Foi apenas na vida adulta, ao morar com o atual marido, que o alerta acendeu. &#8220;Ele me dizia: &#8216;n\u00e3o \u00e9 normal o quanto voc\u00ea sangra&#8217;. Ele via a toalha, a cama manchada e foi o primeiro a me incentivar a buscar novos m\u00e9dicos&#8221;, conta.<\/p>\n<p>A jornada, por\u00e9m, foi frustrante.\u00a0<strong>Cinco especialistas depois, a resposta era sempre a mesma. O cen\u00e1rio se tornou cr\u00edtico quando o casal decidiu engravidar.\u00a0<\/strong>Ap\u00f3s um ano de tentativas frustradas e diagn\u00f3sticos de \u2018infertilidade sem causa\u2019, uma indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica para uso de horm\u00f4nios desnecess\u00e1rios fez surgir\u00a0<strong>um tumor ovariano de quatro cent\u00edmetros<\/strong>.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Eu estava desesperada. Tinha um tumor e ningu\u00e9m me dava respostas. Foi quando conheci uma ginecologista que salvou a minha vida e a minha sanidade&#8221;. Diferentemente das abordagens anteriores, a m\u00e9dica decidiu investigar a fundo, mesmo diante de exames pouco conclusivos.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cEla me disse, com seguran\u00e7a, que eu tinha endometriose. Foi a primeira vez que algu\u00e9m me ouviu de verdade\u201d, conta Kauane. Embora apresentasse sintomas t\u00edpicos da doen\u00e7a, os exames de imagem identificaram apenas um foco m\u00ednimo, praticamente impercept\u00edvel, localizado entre o intestino e o reto. Como ela j\u00e1 passaria por uma cirurgia para retirada de um tumor benigno, a equipe m\u00e9dica decidiu aproveitar o procedimento para tratar tamb\u00e9m essa suspeita inicial de endometriose.<\/p>\n<p>A real dimens\u00e3o do problema, por\u00e9m, s\u00f3 ficou evidente durante a opera\u00e7\u00e3o. Ao iniciar a cirurgia, os m\u00e9dicos constataram que a doen\u00e7a estava muito mais avan\u00e7ada do que indicavam os exames, com m\u00faltiplos focos espalhados por \u00f3rg\u00e3os como \u00fatero, intestino e reto. \u201cO que parecia pequeno estava espalhado em v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os: \u00fatero, intestino, reto. Era muito mais avan\u00e7ado do que qualquer exame mostrava.<\/p>\n<p>A cirurgia retirou os focos da doen\u00e7a e reconstruiu a regi\u00e3o afetada. O resultado foi imediato e transformador. \u201cEu nunca soube o que era menstruar sem sofrimento. Depois da cirurgia, tudo mudou. Nunca mais tive anemia, dores intensas ou problemas intestinais\u201d, conta. Tr\u00eas meses ap\u00f3s o procedimento, veio outra surpresa, a gravidez. \u201cFoi exatamente como a m\u00e9dica disse. Eu nem acreditei.\u201d<\/p>\n<h2><strong>A doen\u00e7a invis\u00edvel que vai muito al\u00e9m da c\u00f3lica<\/strong><\/h2>\n<p>A hist\u00f3ria de Kauane \u00e9 retrato de um problema que ainda afeta uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva no mundo, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), e pode levar anos para ser diagnosticada.<\/p>\n<p>\u201cO diagn\u00f3stico demora, em m\u00e9dia, de cinco a 12 anos. Nesse per\u00edodo, muitas mulheres passam por v\u00e1rios especialistas e recebem respostas equivocadas\u201d, afirma a ginecologista Georgia Fontes Cintra, Coordenadora do N\u00facleo de Ginecologia.A especialista explica que a endometriose pode comprometer diferentes sistemas do organismo, com repercuss\u00f5es que extrapolam a sa\u00fade ginecol\u00f3gica. Alguns estudos sugerem, ainda, associa\u00e7\u00e3o com maior risco cardiovascular, como infarto e AVC. J\u00e1 no campo imunol\u00f3gico, observa-se associa\u00e7\u00e3o com doen\u00e7as autoimunes, como o l\u00fapus.<\/p>\n<p>Altera\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas tamb\u00e9m s\u00e3o descritas, especialmente na forma como o c\u00e9rebro processa a dor, enquanto o sistema digestivo pode ser afetado por sintomas como distens\u00e3o abdominal, constipa\u00e7\u00e3o e n\u00e1useas. Na esfera mental, os impactos incluem maior predisposi\u00e7\u00e3o \u00e0 depress\u00e3o, ansiedade e at\u00e9 comportamento autolesivo \u2013 pr\u00e1tica de causar dano ao pr\u00f3prio corpo de forma intencional.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA dor cr\u00f4nica, a inflama\u00e7\u00e3o e at\u00e9 altera\u00e7\u00f5es hormonais influenciam diretamente o c\u00e9rebro. Em alguns casos, o risco de transtornos mentais pode ser at\u00e9 tr\u00eas vezes maior\u201d, refor\u00e7a a m\u00e9dica. Estima-se que entre 25% e 50% das mulheres com infertilidade tenham a doen\u00e7a, o que faz com que muitos diagn\u00f3sticos ocorram durante a investiga\u00e7\u00e3o para engravidar.<\/p><\/blockquote>\n<p>Sinais frequentemente subestimados, como fadiga intensa, dist\u00farbios do sono, altera\u00e7\u00f5es intestinais e dor ao evacuar ou urinar durante a menstrua\u00e7\u00e3o podem indicar endometriose \u2013 especialmente quando seguem um padr\u00e3o c\u00edclico. \u201cMesmo com exames normais, a condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser descartada. O olhar cl\u00ednico \u00e9 fundamental\u201d, refor\u00e7a a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Os impactos v\u00e3o al\u00e9m da sa\u00fade e atingem tamb\u00e9m, de forma silenciosa, a vida profissional. \u201cA endometriose tem um impacto importante \u2013 e muitas vezes invis\u00edvel \u2013 no trabalho\u201d, afirma a especialista. Estudos mostram que a maior parte do custo da doen\u00e7a est\u00e1 na perda de produtividade. \u201cEm alguns casos, a capacidade de trabalho pode cair quase pela metade.\u201d<\/p>\n<p>Embora avan\u00e7os cient\u00edficos apontem para uma doen\u00e7a complexa, ligada a fatores gen\u00e9ticos, imunol\u00f3gicos e inflamat\u00f3rios, o principal desafio ainda \u00e9 o diagn\u00f3stico precoce. \u201cA gente precisa parar de normalizar a dor. Menstrua\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve incapacitar\u201d, finaliza Georgia.<\/p>\n<p>Hoje, com a qualidade de vida restabelecida, Kauane transforma a pr\u00f3pria trajet\u00f3ria em um alerta para outras mulheres. \u201cN\u00e3o aceite que a dor \u00e9 normal. Se algo est\u00e1 errado, procure outro m\u00e9dico, investigue. Eu demorei mais de 20 anos para ser ouvida.\u201d E complementa: \u201cEu achava que viver daquele jeito era comum. N\u00e3o \u00e9, e n\u00e3o precisa ser\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Portal CidadeVerde.<br \/>\nConfira esta e outras mat\u00e9rias na \u00edntegra pelo link: https:\/\/cidadeverde.com\/noticias\/457047\/endometriose-mulher-leva-20-anos-para-receber-diagnostico-e-alerta-para-sintoma<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante anos, a administradora Kauane Faria Barros, hoje com 34 anos, ouviu a mesma resposta nos consult\u00f3rios: era \u201cnormal\u201d.\u00a0O fluxo menstrual intenso, os epis\u00f3dios frequentes de anemia, o cansa\u00e7o extremo e at\u00e9 a necessidade de trocar de roupa v\u00e1rias vezes ao dia foram tratados como parte de uma rotina feminina comum.\u00a0N\u00e3o eram. 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