{"id":2184,"date":"2022-05-02T18:07:36","date_gmt":"2022-05-03T01:07:36","guid":{"rendered":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=2184"},"modified":"2022-05-02T18:07:36","modified_gmt":"2022-05-03T01:07:36","slug":"mortes-em-casa-por-cancer-e-doencas-cardiovasculares-crescem-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=2184","title":{"rendered":"Mortes em casa por c\u00e2ncer e doen\u00e7as cardiovasculares crescem na pandemia"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Cidadeverde.com\u00a0<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2185\" src=\"http:\/\/fatoelado.com\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/ccfcbcfee52b6494be2e4298573bfc20.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/fatoelado.com\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/ccfcbcfee52b6494be2e4298573bfc20.jpg 800w, https:\/\/fatoelado.com\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/ccfcbcfee52b6494be2e4298573bfc20-300x200.jpg 300w, https:\/\/fatoelado.com\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/ccfcbcfee52b6494be2e4298573bfc20-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p>As mortes em domic\u00edlio por doen\u00e7as que n\u00e3o s\u00e3o classificadas como Covid tiveram um salto durante a pandemia. C\u00e2ncer, doen\u00e7as cardiovasculares e causas mal definidas foram as principais patologias que influenciaram no crescimento dos n\u00fameros absolutos.<\/p>\n<p>Em 2020, foram 319.319 \u00f3bitos para todas as causas de mortes domiciliares, o que representa um aumento de 20,7% em rela\u00e7\u00e3o ao ano de 2019, com 264.628 \u00f3bitos registrados.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 2021, foi observado um aumento de 18% em rela\u00e7\u00e3o a 2019. As mortes domiciliares por Covid n\u00e3o fazem parte desse quantitativo. A base de dados 2021 foi liberada em mar\u00e7o e ainda deve sofrer revis\u00e3o, podendo aumentar o quantitativo.<\/p>\n<p>O levantamento exclusivo foi realizado com dados do SIM (Sistema de Informa\u00e7\u00e3o sobre Mortalidade) pela Vital Strategies, organiza\u00e7\u00e3o global composta por especialistas e pesquisadores com atua\u00e7\u00e3o junto a governos, a pedido da reportagem.<\/p>\n<p>F\u00e1tima Marinho, m\u00e9dica epidemiologista e especialista s\u00eanior da Vital Strategies, disse que chama a aten\u00e7\u00e3o que os picos de mortes domiciliares aconteceram um pouco depois dos picos de Covid-19.<\/p>\n<p>&#8220;Nesses per\u00edodos houve sobrecarga do sistema de sa\u00fade e diminui\u00e7\u00e3o da cobertura da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Muitas pessoas tentaram ir ao hospital e n\u00e3o conseguiram atendimento por conta da sobrecarga, outras nem tentaram&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Os dados apontam, por exemplo, um crescimento de mortes por c\u00e2ncer em ambientes domiciliares e uma redu\u00e7\u00e3o em ambientes hospitalares. Foram 42.460 \u00f3bitos em casa em 2020 contra 34.101 em 2019, crescimento de 24,51%. Em 2021, foram 39.843 mortes em domic\u00edlio.<\/p>\n<p>Os estados do Amazonas, Roraima, Piau\u00ed, Alagoas e Sergipe apresentaram maiores propor\u00e7\u00f5es de aumento de \u00f3bitos domiciliares por doen\u00e7as n\u00e3o classificadas como Covid.<\/p>\n<p>Marinho disse que muitos procedimentos foram cancelados e adiados, o que pode ter agravado a situa\u00e7\u00e3o e levado pacientes a morrerem em casa. Com o adiamento de procedimentos cir\u00fargicos alguns tumores oncol\u00f3gicos deixam de ser oper\u00e1veis, por exemplo, reduzindo a expectativa de vida do paciente.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica avalia que, em casos de c\u00e2ncer mais avan\u00e7ados, acontece de o paciente ir para casa e ter tratamentos paliativos. Durante a pandemia esse tipo de procedimento pode ter aumentado entre os casos que normalmente seriam tratados com interna\u00e7\u00e3o hospitalar.<\/p>\n<p>A aposentada Rosemari Vieira Rodrigues, 68, perdeu a filha Jessica Hellen Rodrigues, 28, em decorr\u00eancia de um c\u00e2ncer de f\u00edgado em setembro de 2020. A jovem faleceu em sua resid\u00eancia em Cascavel, Paran\u00e1, ap\u00f3s lutar por quatro anos e meio contra a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Rosemari conta que o tratamento da filha foi dificultado na pandemia e chegou a ser adiado algumas vezes pela dificuldade de \u00f4nibus, superlota\u00e7\u00e3o do hospital, medo de ir ao local e se infectar com coronav\u00edrus. Al\u00e9m de tudo, houve dificuldade financeira que piorou com a falta de trabalho.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia buscou atendimento em casa quando a jovem come\u00e7ou a passar mal, mas ele demorou quase uma hora para chegar -nesse tempo, ela morreu.<\/p>\n<p>&#8220;Foi um per\u00edodo muito dif\u00edcil, n\u00e3o tinha muito recurso. Ela poderia ter ido mais vezes ao hospital, mas tinha que pegar duas lota\u00e7\u00f5es para chegar l\u00e1, est\u00e1vamos com medo de pegar a doen\u00e7a [Covid] e quadro foi s\u00f3 piorando&#8221;, disse.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade foi procurado, mas n\u00e3o respondeu at\u00e9 o encerramento do texto.<\/p>\n<p>Diego Xavier, pesquisador do Instituto de Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica em Sa\u00fade da Fiocruz, afirma que os estados que apresentaram maior n\u00famero de mortes domiciliares s\u00e3o os que entraram em colapso no sistema de sa\u00fade.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas pessoas durante a pandemia recorriam ao hospital, encontravam a unidade lotada e acabavam indo para casa sem atendimento e falecendo em casa. A partir do momento em que h\u00e1 o colapso do sistema de sa\u00fade, as pessoas, independentemente da doen\u00e7a, n\u00e3o podem ser atendidas adequadamente e acabam morrendo&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Marinho acrescenta que hospitais e prontos socorros superlotados causaram tamb\u00e9m aumento das mortes card\u00edacas em domic\u00edlio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, parte dessas mortes em casa podem ter acontecido devido a casos de Covid que n\u00e3o foram identificados, e que acabaram registrados como por causa mal definida.<\/p>\n<p>Em 2020, no in\u00edcio da pandemia no Brasil, havia poucos testes de diagn\u00f3stico para Covid-19, o que contribuiu para o aumento das mortes por causa mal definida no domic\u00edlio e nos hospitais, crescimento que persistiu no ano seguinte.<\/p>\n<p>O grupo de doen\u00e7as que envolve transtornos mentais e comportamentais, apesar de ter um n\u00famero de \u00f3bitos menor que outros grupos, tamb\u00e9m apresentou um grande aumento nos \u00f3bitos domiciliares durante a pandemia.<\/p>\n<p>Chama a aten\u00e7\u00e3o que os \u00f3bitos domiciliares foram maiores que nos hospitais de abril de 2020 a julho de 2021. Neste grupo est\u00e3o inclu\u00eddas doen\u00e7as como depress\u00e3o, transtornos mentais e comportamentais devido ao uso do \u00e1lcool.<\/p>\n<p>Doen\u00e7as end\u00f3crinas, nutricionais e metab\u00f3licas, que t\u00eam como principal causa a diabetes, tiveram aumento das mortes em domic\u00edlios a partir de abril de 2020.<\/p>\n<p>Pacientes com consultas adiadas e exames cancelados podem ter tido a diabetes agravada por falta de interven\u00e7\u00e3o oportuna.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma morte evit\u00e1vel, poderia muitas vezes ter sido hospitalizado se houvesse vaga. Essas pessoas por algum motivo deixaram de fazer exames, consultas foram adiadas&#8221;, disse Marinho.<\/p>\n<p>Xavier acrescenta que \u00e9 prov\u00e1vel que as mortes em resid\u00eancia reduzam com o controle da pandemia. No entanto, ainda deve ocorrer um n\u00famero alto de mortes por c\u00e2ncer e outras doen\u00e7as porque o diagn\u00f3stico da doen\u00e7a tamb\u00e9m foi comprometido com a pandemia.<\/p>\n<p><em>Fonte: Folhapress<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Arquivo Cidadeverde.com\u00a0 As mortes em domic\u00edlio por doen\u00e7as que n\u00e3o s\u00e3o classificadas como Covid tiveram um salto durante a pandemia. C\u00e2ncer, doen\u00e7as cardiovasculares e causas mal definidas foram as principais patologias que influenciaram no crescimento dos n\u00fameros absolutos. 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