{"id":20842,"date":"2026-04-26T10:41:57","date_gmt":"2026-04-26T13:41:57","guid":{"rendered":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=20842"},"modified":"2026-04-26T10:41:57","modified_gmt":"2026-04-26T13:41:57","slug":"ar-poluido-aumenta-risco-de-cancer-e-ameaca-avanco-no-combate-a-doenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=20842","title":{"rendered":"Ar polu\u00eddo aumenta risco de c\u00e2ncer e amea\u00e7a avan\u00e7o no combate \u00e0 doen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/cidadeverde.com\/assets\/uploads\/colecoes\/2\/2026\/04\/ar_poluido.jpg\" alt=\"ar_poluido.jpg\" \/><\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o prolongada \u00e0 polui\u00e7\u00e3o do ar est\u00e1 associada a um aumento significativo no risco de desenvolver e morrer de c\u00e2ncer, segundo novo relat\u00f3rio da UICC (Union for International Cancer Control), a mais antiga e maior organiza\u00e7\u00e3o global dedicada ao combate \u00e0 doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O documento, divulgado nesta semana, amplia o entendimento sobre os impactos da polui\u00e7\u00e3o al\u00e9m da j\u00e1 conhecida rela\u00e7\u00e3o com o c\u00e2ncer de pulm\u00e3o e aponta para desigualdades marcantes na distribui\u00e7\u00e3o desses riscos.<\/p>\n<p>De acordo com o levantamento, a exposi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua a part\u00edculas finas (PM2,5) eleva em 11% o risco geral de desenvolver c\u00e2ncer e em 12% o risco de morte pela doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Entre os tipos mais afetados est\u00e3o c\u00e2ncer de f\u00edgado e colorretal, com aumentos de incid\u00eancia de 32% e 18%, respectivamente. A mortalidade tamb\u00e9m cresce de forma desigual: o risco de morte por c\u00e2ncer de mama sobe 20%, por c\u00e2ncer de f\u00edgado, 14%, e por c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, 13%.<\/p>\n<p>Os dados refor\u00e7am que a polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica atua como um fator de risco &#8220;multic\u00e2ncer&#8221;, conceito ainda pouco explorado em pesquisas anteriores. O estudo, conduzido pelo The George Institute for Global Health, re\u00fane evid\u00eancias de 42 meta-an\u00e1lises publicadas entre 2019 e 2024.<\/p>\n<p>&#8220;Fizemos grandes avan\u00e7os na redu\u00e7\u00e3o das mortes por c\u00e2ncer, mas o ar polu\u00eddo est\u00e1 minando silenciosamente esse progresso&#8221;, afirma Cary Adams, CEO da UICC. A entidade foi fundada em 1933, \u00e9 sediada em Genebra (Su\u00ed\u00e7a) e re\u00fane mais de 1.100 organiza\u00e7\u00f5es-membro em mais de 170 pa\u00edses. &#8220;\u00c9 um risco que afeta desproporcionalmente mulheres, crian\u00e7as e pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza&#8221;, refor\u00e7a.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o para o papel das part\u00edculas maiores (PM10), associadas a um aumento de 10% no risco geral de c\u00e2ncer e a eleva\u00e7\u00f5es espec\u00edficas na mortalidade por c\u00e2ncer de pulm\u00e3o (13%) e de mama (11%).<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda indica\u00e7\u00f5es que relacionam a absor\u00e7\u00e3o prolongada de PM2,5 a um risco 63% maior de c\u00e2ncer cerebral. O dado, ainda preliminar, preocupa especialistas pela capacidade dessas part\u00edculas de penetrar na corrente sangu\u00ednea e atingir o c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>As disparidades sociais aparecem como um dos pontos centrais do estudo. Mulheres expostas \u00e0 polui\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, especialmente em contextos de uso de combust\u00edveis s\u00f3lidos para cozinhar e aquecer, t\u00eam risco at\u00e9 69% maior de desenvolver c\u00e2ncer de pulm\u00e3o.<\/p>\n<p>Trabalhadores ao ar livre e popula\u00e7\u00f5es que vivem pr\u00f3ximas a \u00e1reas industriais &#8211;frequentemente comunidades de baixa renda&#8211; tamb\u00e9m enfrentam n\u00edveis mais altos de exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda concentram a maior parte desse impacto. Al\u00e9m de lidarem com maior polui\u00e7\u00e3o, disp\u00f5em de menos recursos para preven\u00e7\u00e3o e tratamento, o que agrava tanto os desfechos de sa\u00fade quanto as desigualdades econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o global de casos de c\u00e2ncer &#8211;de 20 milh\u00f5es em 2022 para 35 milh\u00f5es at\u00e9 2050&#8211; tende a pressionar ainda mais esses sistemas de sa\u00fade, segundo o documento.<\/p>\n<p>Apesar do cen\u00e1rio preocupante, o relat\u00f3rio sustenta que h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis e j\u00e1 testadas. Medidas como a transi\u00e7\u00e3o para a energia limpa, o fortalecimento de padr\u00f5es de emiss\u00e3o para transporte e ind\u00fastria e o redesenho urbano com foco em mobilidade ativa podem reduzir a exposi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Exemplos concretos incluem iniciativas como os &#8220;superblocos&#8221; de Barcelona (Espanha), cujo conceito central \u00e9 criar c\u00e9lulas urbanas onde a prioridade m\u00e1xima \u00e9 do pedestre e do ciclista, transformando ruas que antes eram dominadas por carros em \u00e1reas de lazer, conviv\u00eancia e espa\u00e7os verdes.<\/p>\n<p>O programa de ruas abertas em Bogot\u00e1 (Col\u00f4mbia), que tamb\u00e9m priorizam pedestres e ciclistas e reduzem o tr\u00e1fego de ve\u00edculos, \u00e9 outro exemplo citado no relat\u00f3rio. Essas pol\u00edticas t\u00eam sido associadas \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o de mortes evit\u00e1veis e \u00e0 melhoria da qualidade do ar.<\/p>\n<p>A implementa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, ainda \u00e9 limitada. Embora mais de 140 pa\u00edses possuam padr\u00f5es de qualidade do ar, apenas cerca de um ter\u00e7o deles os aplica de forma efetiva. Para os autores, a lacuna entre regulamenta\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o mant\u00e9m popula\u00e7\u00f5es inteiras expostas a riscos evit\u00e1veis.<\/p>\n<p>Entre as recomenda\u00e7\u00f5es do relat\u00f3rio est\u00e3o a ado\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es alinhados \u00e0s diretrizes da OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade), a amplia\u00e7\u00e3o do monitoramento da qualidade do ar &#8211;especialmente em regi\u00f5es mais vulner\u00e1veis&#8211; e a integra\u00e7\u00e3o de metas ambientais aos planos nacionais de controle do c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>&#8220;Ar limpo \u00e9 urgentemente necess\u00e1rio para conter o aumento esperado de casos de c\u00e2ncer nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, especialmente em pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda. Sem isso, d\u00e9cadas de investimento em pesquisa e tratamento ser\u00e3o comprometidas&#8221;, afirma Nina Renshaw, chefe de sa\u00fade do Clean Air Fund, que apoiou o estudo.<\/p>\n<p>&#8220;Os benef\u00edcios da a\u00e7\u00e3o ser\u00e3o medidos em vidas salvas, tratamentos bem-sucedidos e redu\u00e7\u00e3o de custos para os sistemas de sa\u00fade&#8221;, diz. A Clean Air Fund \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o filantr\u00f3pica global que trabalha com governos, empresas e pesquisadores para combater a polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e garantir ar limpo.<\/p>\n<p>Para o patologista Paulo Saldiva, professor titular da USP e que h\u00e1 mais de 30 anos pesquisa os efeitos da polui\u00e7\u00e3o do ar na sa\u00fade, o relat\u00f3rio representa uma mudan\u00e7a importante na forma de entender os riscos ambientais \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>Segundo ele, diferentemente de agentes isolados&#8211;como ars\u00eanico ou rad\u00f4nio&#8211;, a polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica \u00e9 um &#8220;conjunto complexo de exposi\u00e7\u00f5es&#8221;, o que torna sua avalia\u00e7\u00e3o mais desafiadora, mas tamb\u00e9m mais pr\u00f3xima da realidade vivida nas grandes cidades.<\/p>\n<p>Esse reconhecimento, ressalta, ganhou for\u00e7a ap\u00f3s a classifica\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o do ar como carcin\u00f3geno pela Ag\u00eancia Internacional de Pesquisa em C\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Saldiva ressalta que as evid\u00eancias j\u00e1 s\u00e3o robustas no caso do c\u00e2ncer de pulm\u00e3o: estima-se que entre 12% e 15% dos casos estejam associados \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica \u00e0 polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele observa ainda que esse tipo de c\u00e2ncer apresenta caracter\u00edsticas espec\u00edficas, como maior incid\u00eancia de adenocarcinomas em regi\u00f5es perif\u00e9ricas do pulm\u00e3o, com padr\u00e3o molecular distinto &#8211;frequentemente ligado a muta\u00e7\u00f5es no receptor do fator de crescimento epid\u00e9rmico (EGFR). Esse perfil refor\u00e7a a liga\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica entre a polui\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O professor afirma que tamb\u00e9m h\u00e1 ind\u00edcios crescentes de associa\u00e7\u00e3o com outros tipos de c\u00e2ncer, embora ainda sem consenso cient\u00edfico definitivo.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio da UICC, segundo ele, avan\u00e7a justamente ao reunir essas evid\u00eancias emergentes, o que pode influenciar futuras regula\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas p\u00fablicas. A tend\u00eancia, diz Saldiva, \u00e9 que novos estudos ampliem a lista de doen\u00e7as relacionadas \u00e0 polui\u00e7\u00e3o do ar.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, ainda que existam lacunas, o conjunto atual de dados j\u00e1 \u00e9 suficiente para justificar a\u00e7\u00f5es imediatas, sobretudo porque, diferentemente de outros fatores de risco, a polui\u00e7\u00e3o do ar n\u00e3o \u00e9 uma escolha individual, mas um problema coletivo que exige resposta coordenada de governos e pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Portal CidadeVerde.<br \/>\nConfira esta e outras mat\u00e9rias na \u00edntegra pelo link: https:\/\/cidadeverde.com\/noticias\/454941\/ar-poluido-aumenta-risco-de-cancer-e-ameaca-avanco-no-combate-a-doenca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A exposi\u00e7\u00e3o prolongada \u00e0 polui\u00e7\u00e3o do ar est\u00e1 associada a um aumento significativo no risco de desenvolver e morrer de c\u00e2ncer, segundo novo relat\u00f3rio da UICC (Union for International Cancer Control), a mais antiga e maior organiza\u00e7\u00e3o global dedicada ao combate \u00e0 doen\u00e7a. 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