{"id":19247,"date":"2026-03-24T12:25:00","date_gmt":"2026-03-24T15:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=19247"},"modified":"2026-03-24T12:25:00","modified_gmt":"2026-03-24T15:25:00","slug":"subnotificados-casos-de-oropouche-atingem-2-da-populacao-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=19247","title":{"rendered":"Subnotificados, casos de Oropouche atingem 2% da popula\u00e7\u00e3o brasileira"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/cidadeverde.com\/assets\/uploads\/colecoes\/2\/2026\/03\/240718-mosquito-culicoides-paraensis1-800x600_01-mosquito-febreoropouche.jpg\" alt=\"mosquito-febreoropouche\" \/><\/p>\n<p>Dados sobre a Febre do Oropouche divulgados nesta ter\u00e7a-feira (24) indicam que a incid\u00eancia real da doen\u00e7a \u00e9 muito superior \u00e0s ocorr\u00eancias notificados, com at\u00e9 200 casos reais para cada epis\u00f3dio conhecido.<\/p>\n<p>Entre 1960 e 2025 a doen\u00e7a j\u00e1 infectou 9,4 milh\u00f5es de pessoas na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, das quais ao menos 5,5 milh\u00f5es no Brasil.<\/p>\n<p>A febre do Oropouche \u00e9 transmitida aos humanos pela picada de mosquitos do tipo Culicoides paraensis, conhecido na Regi\u00e3o Norte como maruim ou mosquito-p\u00f3lvora.<\/p>\n<p>Os dados foram reunidos por um cons\u00f3rcio de pesquisadores da University of Kentucky, Universidade de S\u00e3o Paulo, Universidade Estadual de Campinas e Funda\u00e7\u00e3o Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam).<\/p>\n<blockquote><p>\u201c[A doen\u00e7a] tem um ciclo silvestre muito bem esclarecido e, mais recentemente, a gente tem observado ciclos urbanos nas capitais, o que era pouco comum at\u00e9 pouco tempo\u201d, explicou o diretor de Opera\u00e7\u00f5es do Instituto Todos pela Sa\u00fade, Vanderson Sampaio.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ele acrescentou que, pelo fato de a maior parte da popula\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o ter contato com a doen\u00e7a, \u00e9 prov\u00e1vel que ela possa avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sabemos ainda qual a quantidade de casos graves dessa doen\u00e7a nem condi\u00e7\u00f5es de saber agora, pois temos um n\u00famero muito baixo de casos registrados.\u201d<\/p>\n<p>Para investigar a exist\u00eancia de ant\u00edgenos, como indicativo de que as pessoas tiveram contato com a doen\u00e7a, foram investigados dados sorol\u00f3gicos em amostras sangue coletadas em tr\u00eas momentos distintos (novembro de 2023, junho de 2024 e novembro de 2024).<\/p>\n<p>Com o resultado foi poss\u00edvel afirmar que o alcance do surto de 2023 para 2024 foi semelhante ao do surto anterior no estado, em 1980-1981. Em ambos, o alcance em Manaus foi de cerca de 12,5%, chegando pr\u00f3ximo de 15% no estado.<\/p>\n<h2><strong>Surtos<\/strong><\/h2>\n<p>O estudo revisou ainda os registros de surtos da doen\u00e7a, encontrando 32 deles desde a identifica\u00e7\u00e3o da febre, em 1955, no Brasil, Peru, Guiana Francesa e Panam\u00e1. Somente no Brasil foram identificados 19 surtos.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 poss\u00edvel sim a gente desenvolver t\u00e9cnicas de rastreio. Uma delas \u00e9 a de vigil\u00e2ncia de s\u00edndromes febris, analisando amostras dos pacientes a partir de an\u00e1lise gen\u00e9tica\u201d, destacou o especialista.<\/p><\/blockquote>\n<p>Manaus \u00e9 o principal centro da regi\u00e3o amaz\u00f4nica na dispers\u00e3o da doen\u00e7a. Com sua popula\u00e7\u00e3o na casa de 2 milh\u00f5es de pessoas e grande conex\u00e3o, inclusive a\u00e9rea, com outras cidades, age como um polo de dispers\u00e3o, determinante para a expans\u00e3o da doen\u00e7a para outros centros, como Esp\u00edrito Santo e Rio de Janeiro, bastante impactados em 2024.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, a diferen\u00e7a entre casos confirmados e n\u00famero real de infec\u00e7\u00f5es pode ser explicada pelo acesso limitado a servi\u00e7os de sa\u00fade na bacia amaz\u00f4nica e pela prov\u00e1vel alta propor\u00e7\u00e3o de casos assintom\u00e1ticos ou leves, que os pesquisadores estimam que possa ser a grande maioria dos casos da doen\u00e7a, uma caracter\u00edstica at\u00e9 ent\u00e3o sem evid\u00eancias claras.<\/p>\n<p>Nesta d\u00e9cada foram registrados mais de 30 mil casos, com o avan\u00e7o de uma variante do v\u00edrus por toda a Am\u00e9rica Latina e Caribe, dado que segundo o estudo indica uma subnotifica\u00e7\u00e3o not\u00e1vel de todos os servi\u00e7os de sa\u00fade da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A infec\u00e7\u00e3o pode provocar um quadro febril semelhante ao da dengue e outras arboviroses, o que dificulta ainda mais a identifica\u00e7\u00e3o e tratamento corretos. Os casos graves, geralmente aqueles que s\u00e3o corretamente diagnosticados, podem evoluir para doen\u00e7a neurol\u00f3gica, complica\u00e7\u00f5es materno-fetais e morte.<\/p>\n<h2><strong>Tratamento<\/strong><\/h2>\n<p>Atualmente, n\u00e3o existem vacinas licenciadas nem antivirais espec\u00edficos dispon\u00edveis, embora haja estudos nesta d\u00e9cada sobre a efic\u00e1cia de acridonas (mol\u00e9culas isoladas a partir de um tipo de alcatr\u00e3o) na doen\u00e7a, como o da pesquisadora Clarita Avilla, da Unesp de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa, anticorpos adquiridos h\u00e1 d\u00e9cadas ainda s\u00e3o capazes de neutralizar a cepa recente do v\u00edrus, o que sugere imunidade de longa dura\u00e7\u00e3o. Ainda assim, os pesquisadores alertam que, sem interven\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, novos surtos continuar\u00e3o ocorrendo em regi\u00f5es onde o vetor esteja presente.<\/p>\n<p>O grupo publica tamb\u00e9m nesta ter\u00e7a-feira (24) um segundo estudo, que identifica a predomin\u00e2ncia do v\u00edrus em \u00e1reas rurais e florestais, sendo os casos de transmiss\u00e3o de mosquitos urbanos, como o Aedes aegypti, uma minoria.<\/p>\n<p>Neste trabalho os autores afirmam que as estrat\u00e9gias de controle vetorial focadas em mosquitos urbanos n\u00e3o s\u00e3o suficientes para conter a transmiss\u00e3o da doen\u00e7a, exigindo esfor\u00e7os adicionais de vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica em \u00e1reas de contato com mata degradada.<\/p>\n<p>\u201cAo identificar quem j\u00e1 foi infectado, conseguimos prever com maior precis\u00e3o quais popula\u00e7\u00f5es permanecem em risco para futuros surtos\u201d, afirma o professor Allyson Guimar\u00e3es Costa, da Universidade Federal do Amazonas e do Hemoam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Portal CidadeVerde.<br \/>\nConfira esta e outras mat\u00e9rias na \u00edntegra pelo link: https:\/\/cidadeverde.com\/noticias\/453033\/subnotificados-casos-de-oropouche-atingem-2-da-populacao-brasileira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados sobre a Febre do Oropouche divulgados nesta ter\u00e7a-feira (24) indicam que a incid\u00eancia real da doen\u00e7a \u00e9 muito superior \u00e0s ocorr\u00eancias notificados, com at\u00e9 200 casos reais para cada epis\u00f3dio conhecido. 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