{"id":18398,"date":"2026-03-06T11:11:26","date_gmt":"2026-03-06T14:11:26","guid":{"rendered":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=18398"},"modified":"2026-03-06T11:11:26","modified_gmt":"2026-03-06T14:11:26","slug":"coracao-das-mulheres-principal-causa-de-morte-ainda-e-subdiagnosticada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=18398","title":{"rendered":"Cora\u00e7\u00e3o das mulheres: principal causa de morte ainda \u00e9 subdiagnosticada"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/cidadeverde.com\/assets\/uploads\/colecoes\/2\/2026\/03\/mulher_infarto_dor_coracao.jpg\" alt=\"mulher_infarto_dor_coracao.jpg\" \/><\/p>\n<p>Mesmo liderando as estat\u00edsticas de mortalidade no pa\u00eds, as doen\u00e7as cardiovasculares seguem invisibilizadas no p\u00fablico feminino. Sintomas at\u00edpicos, sobrecarga emocional e lacunas hist\u00f3ricas na ci\u00eancia contribuem para diagn\u00f3sticos tardios e maior risco de complica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No imagin\u00e1rio coletivo, o c\u00e2ncer ainda \u00e9 visto como o maior vil\u00e3o da sa\u00fade feminina. No entanto, s\u00e3o as doen\u00e7as cardiovasculares que ocupam\u00a0<strong>o primeiro lugar entre as causas de morte no Brasil, respondendo por cerca de 30% a 32% dos \u00f3bitos.\u00a0<\/strong>Ainda assim, o risco card\u00edaco das mulheres continua subestimado tanto socialmente quanto, em alguns casos, clinicamente.<\/p>\n<p>O alerta ganha for\u00e7a neste Dia Internacional da Mulher, quando a discuss\u00e3o sobre sa\u00fade integral precisa incluir, com urg\u00eancia, o cora\u00e7\u00e3o feminino. \u201cO sistema cardiovascular da mulher \u00e9 diferente do homem, e a ci\u00eancia s\u00f3 recentemente come\u00e7ou a dar mais aten\u00e7\u00e3o a essas diferen\u00e7as\u201d, explica a Dra. Bianca Prezepiorski, m\u00e9dica cardiologista. \u201cOs grandes estudos e diretrizes da cardiologia foram baseados majoritariamente em homens. Ainda n\u00e3o temos estudos t\u00e3o robustos quanto dever\u00edamos sobre as especificidades do cora\u00e7\u00e3o feminino.\u201d<\/p>\n<p>Segundo a especialista, h\u00e1 diferen\u00e7as anat\u00f4micas e hormonais relevantes. \u201cAnatomicamente, o cora\u00e7\u00e3o da mulher \u00e9 menor do que o do homem, mesmo quando ambos t\u00eam o mesmo peso e altura. As art\u00e9rias tamb\u00e9m s\u00e3o mais finas. Isso significa que o cora\u00e7\u00e3o feminino pode se sobrecarregar mais ao longo da vida\u201d, detalha.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o endot\u00e9lio \u2014 camada interna dos vasos sangu\u00edneos \u2014 responde de maneira distinta aos horm\u00f4nios femininos, apresentando caracter\u00edsticas inflamat\u00f3rias e imunol\u00f3gicas pr\u00f3prias. \u201cS\u00e3o v\u00e1rias nuances que ainda est\u00e3o sendo compreendidas\u201d, acrescenta.<\/p>\n<h2><strong>Sintomas menos cl\u00e1ssicos, diagn\u00f3stico mais tardio<\/strong><\/h2>\n<p>Um dos principais fatores que contribuem para o subdiagn\u00f3stico est\u00e1 na forma como o infarto se manifesta nas mulheres.<\/p>\n<p>\u201cExiste diferen\u00e7a, e isso \u00e9 um dos grandes problemas\u201d, afirma a cardiologista. \u201cNos homens, os sintomas costumam ser cl\u00e1ssicos: dor intensa no peito, em aperto, que pode irradiar para o bra\u00e7o ou mand\u00edbula, acompanhada de sensa\u00e7\u00e3o iminente de morte. Esses sinais fazem com que o homem procure atendimento rapidamente.\u201d<\/p>\n<p>J\u00e1 no p\u00fablico feminino, o quadro pode ser mais silencioso e inespec\u00edfico.<strong>\u00a0Cansa\u00e7o extremo, falta de ar, dor no est\u00f4mago, n\u00e1useas, mal-estar generalizado e desconforto leve no peito<\/strong>\u00a0est\u00e3o entre os sintomas mais comuns.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cMuitas vezes a mulher interpreta como algo que comeu, nervosismo ou ansiedade. E infelizmente, em alguns casos, at\u00e9 o pr\u00f3prio atendimento m\u00e9dico pode demorar a valorizar esses sintomas como infarto\u201d, alerta. \u201cEssa diferen\u00e7a faz com que o diagn\u00f3stico seja mais tardio.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<h2><strong>Fatores femininos ainda fora das tabelas de risco<\/strong><\/h2>\n<p>O subdiagn\u00f3stico n\u00e3o se explica por um \u00fanico motivo. Para a especialista, trata-se de um conjunto de fatores hist\u00f3ricos e estruturais.<\/p>\n<p>\u201cDurante d\u00e9cadas, os estudos cl\u00ednicos inclu\u00edram mais homens do que mulheres. Isso criou uma percep\u00e7\u00e3o equivocada de que o infarto era mais masculino\u201d, observa. \u201cHoje a ci\u00eancia est\u00e1 come\u00e7ando a corrigir isso, mas ainda faltam ajustes importantes.\u201d<\/p>\n<p>Entre eles, a inclus\u00e3o de fatores espec\u00edficos da sa\u00fade feminina nas avalia\u00e7\u00f5es de risco cardiovascular. Hist\u00f3rico de pr\u00e9-ecl\u00e2mpsia, diabetes gestacional, parto prematuro, menopausa precoce, uso de anticoncepcionais e hist\u00f3rico hormonal s\u00e3o vari\u00e1veis que impactam diretamente o cora\u00e7\u00e3o da mulher, mas que nem sempre aparecem nas tabelas tradicionais.<\/p>\n<p>\u201cEsses fatores impactam o risco cardiovascular, mas nem sempre entram nos escores utilizados na pr\u00e1tica cl\u00ednica\u201d, ressalta.<\/p>\n<h2><strong>Estresse cr\u00f4nico e tripla jornada: um \u201cle\u00e3o\u201d di\u00e1rio<\/strong><\/h2>\n<p>A realidade social tamb\u00e9m pesa. A dupla ou tripla jornada, trabalho, filhos, cuidados com a casa e com familiares, tem impacto biol\u00f3gico mensur\u00e1vel.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO estresse cr\u00f4nico \u00e9 como viver com um \u2018le\u00e3o imagin\u00e1rio\u2019 atr\u00e1s de voc\u00ea o tempo todo. O organismo libera constantemente cortisol e adrenalina\u201d, explica a m\u00e9dica. \u201cNa pr\u00e1tica, esse \u2018le\u00e3o\u2019 pode ser trabalho, filhos, casa, cuidado com pais idosos e press\u00f5es emocionais.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>O impacto, segundo ela, pode ser ainda maior nas mulheres. \u201cO endot\u00e9lio feminino \u00e9 mais sens\u00edvel aos horm\u00f4nios do estresse. Por isso, biologicamente, o impacto cardiovascular pode ser maior na mulher do que no homem sob o mesmo n\u00edvel de estresse.\u201d<\/p>\n<h2><strong>Menopausa: ponto de virada no risco card\u00edaco<\/strong><\/h2>\n<p>A menopausa marca uma mudan\u00e7a significativa no comportamento cardiovascular feminino. At\u00e9 essa fase, o estrog\u00eanio exerce efeito protetor sobre o sistema cardiovascular. \u201cA menopausa n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a, mas representa uma mudan\u00e7a importante. Quando a mulher entra nessa fase, ela perde essa prote\u00e7\u00e3o hormonal\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esse per\u00edodo, s\u00e3o comuns o aumento da press\u00e3o arterial, maior ac\u00famulo de gordura abdominal, eleva\u00e7\u00e3o do LDL (colesterol ruim), redu\u00e7\u00e3o do HDL (colesterol bom) e maior sensibilidade ao estresse. \u201cPor isso, o risco cardiovascular passa a se igualar ou at\u00e9 superar o dos homens. \u00c9 fundamental que, nessa fase, a mulher fa\u00e7a acompanhamento cardiol\u00f3gico regular.\u201d<\/p>\n<h2><strong>Mudan\u00e7a de mentalidade e preven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>Para enfrentar o cen\u00e1rio, \u00e9 necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a em m\u00faltiplos n\u00edveis. \u201cPrecisamos de mais pesquisas espec\u00edficas em mulheres, maior aten\u00e7\u00e3o aos sintomas at\u00edpicos, valoriza\u00e7\u00e3o das queixas femininas nas emerg\u00eancias e conscientiza\u00e7\u00e3o da sociedade de que doen\u00e7a cardiovascular \u00e9 a principal causa de morte feminina\u201d, pontua.<\/p>\n<p>A cardiologista refor\u00e7a que o cuidado preventivo n\u00e3o deve se limitar \u00e0 sa\u00fade ginecol\u00f3gica. \u201cAssim como o exame ginecol\u00f3gico preventivo faz parte da rotina, a avalia\u00e7\u00e3o cardiol\u00f3gica tamb\u00e9m deve fazer. A mulher precisa procurar cardiologista para preven\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas ginecologista.\u201d<\/p>\n<p>No Dia Internacional da Mulher, o alerta \u00e9 claro: reconhecer os sinais, compreender as diferen\u00e7as e investir em preven\u00e7\u00e3o s\u00e3o atitudes que salvam vidas.<\/p>\n<p>\u201cPreven\u00e7\u00e3o salva vidas\u201d, conclui a Dra. Bianca Prezepiorski.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Portal CidadeVerde.<br \/>\nConfira esta e outras mat\u00e9rias na \u00edntegra pelo link: https:\/\/cidadeverde.com\/noticias\/451973\/coracao-das-mulheres-principal-causa-de-morte-ainda-e-subdiagnosticada<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo liderando as estat\u00edsticas de mortalidade no pa\u00eds, as doen\u00e7as cardiovasculares seguem invisibilizadas no p\u00fablico feminino. Sintomas at\u00edpicos, sobrecarga emocional e lacunas hist\u00f3ricas na ci\u00eancia contribuem para diagn\u00f3sticos tardios e maior risco de complica\u00e7\u00f5es. 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