{"id":16576,"date":"2026-01-26T00:06:14","date_gmt":"2026-01-26T03:06:14","guid":{"rendered":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=16576"},"modified":"2026-01-26T00:06:14","modified_gmt":"2026-01-26T03:06:14","slug":"infeccoes-por-hanseniase-caem-com-expansao-da-saude-de-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=16576","title":{"rendered":"Infec\u00e7\u00f5es por hansen\u00edase caem com expans\u00e3o da sa\u00fade de fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/cidadeverde.com\/assets\/uploads\/colecoes\/2\/2026\/01\/hansen%C3%ADase_pele.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>O n\u00famero de novos diagn\u00f3sticos de hansen\u00edase no Brasil caiu 29% nos 11 anos entre 2014 e 2024, segundo dados do Sinan (Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos e Notifica\u00e7\u00e3o), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Foram 31.064 casos em 2014, contra 22.129 em 2024, que fecha as estat\u00edsticas de anos completos dispon\u00edveis no sistema. Os dados mostram queda gradual entre os anos, com acelera\u00e7\u00e3o do decl\u00ednio partir de 2019, com o in\u00edcio da pandemia da Covid .<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o reflete um refor\u00e7o da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria em regi\u00f5es do pa\u00eds com defici\u00eancias hist\u00f3ricas de atendimento na sa\u00fade b\u00e1sica, segundo a m\u00e9dica de fam\u00edlia e comunidade Larissa Bordalo, mestre em sa\u00fade da fam\u00edlia pela UFMA (Universidade Federal do Maranh\u00e3o) e membro da Sociedade Brasileira de Medicina de Fam\u00edlia e Comunidade.<\/p>\n<p>Segundo ela, os dados cont\u00eam algum grau de subnotifica\u00e7\u00e3o, em raz\u00e3o da pandemia da Covid-19. Contudo, s\u00e3o positivos e apontam para uma queda percebida na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria &#8211;com tend\u00eancia para continuar.<\/p>\n<p>Ainda assim, o Brasil ocupa o segundo lugar no mundo em n\u00fameros absolutos de casos novos da doen\u00e7a, atr\u00e1s apenas da \u00cdndia. Conhecida pejorativamente por lepra durante muitos anos, a hansen\u00edase \u00e9 uma das mais antigas doen\u00e7as catalogadas, datada de 1873. Este domingo (25) marca o Dia Mundial Contra a Hansen\u00edase.<\/p>\n<p>A data serve para conscientizar sobre a necessidade de combater a enfermidade, classificada como &#8220;negligenciada&#8221; por especialistas.<\/p>\n<p>&#8220;A doen\u00e7a est\u00e1, sim, em queda, mas a hansen\u00edase \u00e9 sistematicamente menos priorizada nos planejamentos de sa\u00fade dos governos, inclusive do Brasil&#8221;, afirma Arthur Fernandes, m\u00e9dico de fam\u00edlia e respons\u00e1vel pela resid\u00eancia em medicina de fam\u00edlia e comunidade da Secretaria de Estado de Sa\u00fade do Distrito Federal.<\/p>\n<p>Embora o SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade) ofere\u00e7a tratamento e medica\u00e7\u00e3o contra a doen\u00e7a, Fernandes destaca que o sistema costuma priorizar enfermedidades com maior potencial de gravidade, ainda que a hansen\u00edase possa causar danos de mobilidade severos. &#8220;Trata-se de uma doen\u00e7a centen\u00e1ria e com f\u00e1cil potencial de ser eliminada. Por que n\u00e3o refor\u00e7ar o combate?&#8221;, questiona.<\/p>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, no ano passado o Brasil registrou 20,6 mil casos de hansen\u00edase, por\u00e9m os dados s\u00e3o preliminares. A pasta afirma que foram distribu\u00eddos 3,4 milh\u00f5es de medicamentos, incluindo mais de 390 mil esquemas de poliquimioterapia, e que pretende alcan\u00e7ar 87% de munic\u00edpios sem novos casos aut\u00f3ctones em menores de 15 anos por pelo menos cinco anos consecutivos, uma meta alinhada \u00e0 estrat\u00e9gia global da OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade). &#8220;Atualmente, 80,6% dos munic\u00edpios j\u00e1 atingem esse indicador&#8221;, afirma em nota.<\/p>\n<p>As estat\u00edsticas do Sinan mostram que a queda \u00e9 maior entre crian\u00e7as e adolescentes. Na faixa et\u00e1ria de 0 a 4 anos, a redu\u00e7\u00e3o \u00e9 de 80%, de 170 para 34 casos nos primeiro e \u00faltimo ano, respectivamente.<\/p>\n<p>Em idades entre 5 e 9 anos, o recuo foi de 58%; na faixa et\u00e1ria dos 10 aos 14 anos, a redu\u00e7\u00e3o \u00e9 de aproximadamente 62%, a maior entre todos os grupos et\u00e1rios, saindo de 1.532 casos para 584. A \u00fanica faixa que apresentou alta foi a de pessoas com mais de 80 anos, com aumento em torno de 4,5% -embora a varia\u00e7\u00e3o indique estabilidade ao longo dos anos.<\/p>\n<p>A despeito do n\u00famero positivo, avan\u00e7os se fazem necess\u00e1rios no combate \u00e0 doen\u00e7a, end\u00eamica em algumas regi\u00f5es do pa\u00eds, dizem os especialistas.<\/p>\n<p>&#8220;Temos focos de muita persist\u00eancia, como no Maranh\u00e3o, por exemplo. Desde 2013, com o in\u00edcio do Mais M\u00e9dicos, comunidades antes desassistidas passaram a ter contato com equipes de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. A estrat\u00e9gia mais eficaz de combate \u00e0 hansen\u00edase est\u00e1 justamente a\u00ed, na avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, na jornada do paciente, no acompanhamento da medica\u00e7\u00e3o prescrita&#8221;, explica Larissa.<\/p>\n<p>Os especialistas lembram que a doen\u00e7a \u00e9 mais prevalente em \u00e1reas com maior vulnerabilidade social e menor acesso \u00e0 sa\u00fade. Homens, pessoas com baixa escolaridade e de baixa renda correspondem aos maiores percentuais, conforme os dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz realiza atualmente testes da primeira vacina contra a hansen\u00edase do mundo. Desenvolvido pela Acess to Advanced Health Institute (AAHI), instituto de biotecnologia dos Estados Unidos, o imunizante demonstrou ter aplica\u00e7\u00e3o segura entre participantes do estudo naquele pa\u00eds. E, caso obtenha bons resultados, pode ser incorporado no Plano Nacional de Imuniza\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ando o combate \u00e0 doen\u00e7a.<\/p>\n<p>A hansen\u00edase \u00e9 uma doen\u00e7a infecciosa cr\u00f4nica, causada pela bact\u00e9ria Mycobacterium leprae, que atinge principalmente a pele, os nervos perif\u00e9ricos, os olhos e as vias a\u00e9reas superiores.<\/p>\n<p>A transmiss\u00e3o ocorre, em geral, pelo contato pr\u00f3ximo e prolongado com uma pessoa doente sem tratamento, por meio de got\u00edculas eliminadas ao falar, tossir ou espirrar. N\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a de transmiss\u00e3o f\u00e1cil, nem se pega por aperto de m\u00e3o, abra\u00e7o ou uso compartilhado de objetos, por exemplo.<\/p>\n<p>Identificar os sintomas \u00e9 um desafio, porque muitas vezes a doen\u00e7a avan\u00e7a de forma silenciosa. &#8220;As pessoas dificilmente v\u00e3o associar uma pequena mancha a essa doen\u00e7a&#8221;, diz Fernandes. O diagn\u00f3stico precoce \u00e9 fundamental para conter danos e cessar a transmiss\u00e3o. Uma vez identificada, a pessoa contaminada \u00e9 retirada do que especialistas chamam de ciclo de infec\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que n\u00e3o possa mais transmitir.<\/p>\n<p>O projeto Sa\u00fade P\u00fablica tem apoio da Umane, associa\u00e7\u00e3o civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Portal CidadeVerde.<br \/>\nConfira esta e outras mat\u00e9rias na \u00edntegra pelo link: https:\/\/cidadeverde.com\/noticias\/449595\/infeccoes-por-hanseniase-caem-com-expansao-da-saude-de-familia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de novos diagn\u00f3sticos de hansen\u00edase no Brasil caiu 29% nos 11 anos entre 2014 e 2024, segundo dados do Sinan (Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos e Notifica\u00e7\u00e3o), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. 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