{"id":1198,"date":"2022-01-04T11:34:20","date_gmt":"2022-01-04T11:34:20","guid":{"rendered":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=1198"},"modified":"2022-01-04T11:34:20","modified_gmt":"2022-01-04T11:34:20","slug":"30-dos-jovens-brasileiros-nao-estudam-e-nem-trabalham-afirma-consultoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=1198","title":{"rendered":"30% dos jovens brasileiros n\u00e3o estudam e nem trabalham, afirma consultoria"},"content":{"rendered":"<p>O sonho de Gabriela Novazzi, de 27 anos, \u00e9 conseguir um emprego para dar uma vida melhor ao filho, de 3 anos. Ela nunca teve um trabalho fixo, com carteira assinada. Apenas bicos que consegue em eventos. Desde 2016, quando foi obrigada a abandonar a faculdade de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica por quest\u00f5es financeiras, Gabriela n\u00e3o estuda nem trabalha. &#8220;Era minha m\u00e3e que me ajudava nos estudos, mas ela ficou sem trabalho e parou de pagar a universidade&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Sem experi\u00eancia, ela est\u00e1 \u00e0 procura de qualquer oportunidade de entrar no mercado de trabalho. Mas a busca n\u00e3o tem sido f\u00e1cil. &#8220;A maioria das empresas exige uma experi\u00eancia anterior. \u00c9 uma dificuldade&#8221;, diz. Al\u00e9m de dar estabilidade ao filho, Gabriela tamb\u00e9m sonha em terminar a faculdade. &#8220;Nunca \u00e9 tarde para recome\u00e7ar.&#8221;<\/p>\n<p>Gabriela faz parte de um contingente de jovens de at\u00e9 29 anos que cresceu muito nos \u00faltimos tempos. S\u00e3o os chamados &#8220;nem-nem&#8221;, um grupo de pessoas que nem estuda nem trabalha. Segundo a consultoria IDados, at\u00e9 o segundo trimestre de 2021, essa popula\u00e7\u00e3o representava 30% dos jovens dessa faixa et\u00e1ria. Isso significa 12,3 milh\u00f5es de pessoas, cifra que supera a popula\u00e7\u00e3o da B\u00e9lgica.<\/p>\n<p>O n\u00famero de nem-nem teve um salto durante a pandemia, em 2020. Em 2021, os n\u00fameros recuaram um pouco, mas continuam acima do n\u00edvel pr\u00e9-covid 19. S\u00e3o quase 800 mil pessoas a mais ante o primeiro semestre de 2019 &#8211; quando o grupo representava 27,9% dos jovens at\u00e9 29 anos. O problema \u00e9 que desde 2012 o n\u00famero est\u00e1 em crescimento. Naquela \u00e9poca, os nem-nem eram 25% da faixa et\u00e1ria (ou 10 milh\u00f5es).<\/p>\n<p><strong>GARGALO<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Isso representa uma inefici\u00eancia enorme para o Estado, j\u00e1 que muitas dessas pessoas tiveram um investimento p\u00fablico por tr\u00e1s&#8221;, diz a pesquisadora da consultoria, Ana Tereza Pires, respons\u00e1vel pelo levantamento. Al\u00e9m da quest\u00e3o econ\u00f4mica, tem tamb\u00e9m o lado individual de cada um dos jovens, sem experi\u00eancia.<\/p>\n<p>A cada ano, diz ela, novos estudantes se formam e n\u00e3o conseguem ser absorvidos no mercado, o que cria um bols\u00e3o de nem-nem. Sem emprego nem renda, eles n\u00e3o conseguem estudar e muitos param no meio do caminho, como no caso de Gabriela. Segundo Ana Tereza, terminar a faculdade numa fase de recess\u00e3o pode ter reflexos para toda a vida profissional. Os que conseguem emprego podem ter sal\u00e1rios mais achatados comparados a quem se forma durante a expans\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Mesmo para quem j\u00e1 conseguiu emprego, a crise \u00e9 um problema, porque pune primeiro os mais jovens, que t\u00eam menos experi\u00eancia e recebem menos. As empresas preferem garantir a perman\u00eancia dos profissionais especializados e de dif\u00edcil contrata\u00e7\u00e3o. Sem contar que os mais jovens representam um custo menor na rescis\u00e3o<\/p>\n<p><strong>EDUCA\u00c7\u00c3O E PIB<\/strong><\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do presidente da Trevisan Escola de Neg\u00f3cios, Vandyck Silveira, a situa\u00e7\u00e3o dos jovens \u00e9 resultado de uma s\u00e9rie de quest\u00f5es. A primeira est\u00e1 associada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. &#8220;Temos uma escola de ensino fundamental e m\u00e9dio de p\u00e9ssima qualidade, que n\u00e3o prepara o estudante para nada.&#8221; O problema, para ele, n\u00e3o \u00e9 por falta de investimento. Mas por investimento errado.<\/p>\n<p>Soma-se a isso o baixo crescimento da economia. Desde 2013, o Pa\u00eds n\u00e3o consegue encontrar o caminho da retomada consistente. Entre 2017 e 2019, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu numa m\u00e9dia de 1,4% ao ano &#8211; resultado muito abaixo da capacidade. &#8220;Para empregar todos os jovens que entram no mercado de trabalho, o Brasil precisaria crescer, pelo menos, 3% ao ano&#8221;, diz Silveira. &#8220;Estamos ficando definitivamente para tr\u00e1s.&#8221;<\/p>\n<p>Para especialistas, o crescimento dos nem-nem significa perda de produtividade e de capital humano. Para Marcelo Neri, diretor do FGV Social, o Brasil teve na pandemia o maior contingente da hist\u00f3ria de jovens nem-nem. Mas esse porcentual deve cair pela metade at\u00e9 o final do s\u00e9culo, resultado da demografia. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, essa gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 sacrificando o presente e o futuro. &#8220;Logo, o futuro do Pa\u00eds est\u00e1 comprometido pela falta de quantidade e pelo tratamento de baixa qualidade dado \u00e0 juventude &#8221; As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal O Estado de S. Paulo.<\/p>\n<p>Fonte: Estad\u00e3o Conte\u00fado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sonho de Gabriela Novazzi, de 27 anos, \u00e9 conseguir um emprego para dar uma vida melhor ao filho, de 3 anos. Ela nunca teve um trabalho fixo, com carteira assinada. Apenas bicos que consegue em eventos. 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