{"id":10674,"date":"2025-10-06T12:18:28","date_gmt":"2025-10-06T15:18:28","guid":{"rendered":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=10674"},"modified":"2025-10-06T12:18:28","modified_gmt":"2025-10-06T15:18:28","slug":"uma-em-cada-seis-criancas-de-ate-6-anos-foi-vitima-de-racismo-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fatoelado.com\/?p=10674","title":{"rendered":"Uma em cada seis crian\u00e7as de at\u00e9 6 anos foi v\u00edtima de racismo no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cidadeverde.com\/assets\/uploads\/colecoes\/2\/2025\/10\/crian%C3%A7a.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Uma em\u00a0cada seis crian\u00e7as de at\u00e9 6 anos de idade foi v\u00edtima de racismo no Brasil. As creches e pr\u00e9-escolas s\u00e3o os locais onde ocorreu\u00a0a maior parte desses crimes. Os dados s\u00e3o do Panorama da Primeira Inf\u00e2ncia: o impacto do racismo, pesquisa nacional encomendada ao Datafolha pela Funda\u00e7\u00e3o Maria Cecilia Souto Vidigal &#8211;\u00a0organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil que trabalha pela causa da primeira inf\u00e2ncia -,\u00a0divulgada nesta segunda-feira (6).<\/p>\n<p>A pesquisa ouviu 2.206 pessoas, sendo 822 respons\u00e1veis pelo cuidado de beb\u00eas e crian\u00e7as de 0 a 6 anos. Os dados foram coletados em abril deste ano, por meio de entrevistas presenciais realizadas em pontos de grande fluxo populacional.<\/p>\n<p>Os dados coletados mostram que 16% dos respons\u00e1veis por crian\u00e7as de at\u00e9 6 anos afirmam que elas j\u00e1 sofreram discrimina\u00e7\u00e3o racial. A discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 maior quando os respons\u00e1veis s\u00e3o tamb\u00e9m pessoas de pele preta ou parda. Entre elas, esse \u00edndice chega a 19%, enquanto entre crian\u00e7as com respons\u00e1veis de pele branca\u00a0a porcentagem \u00e9 10%.<\/p>\n<p>Separados por idade, 10% dos cuidadores de crian\u00e7as de at\u00e9 3 anos de idade afirmam que os beb\u00eas e crian\u00e7as sofreram racismo e 21% daqueles com crian\u00e7as de idade\u00a0entre 4 e 6 anos relatam\u00a0que elas foram v\u00edtimas desse crime.<\/p>\n<h2><strong>Onde ocorreram os casos\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p>A pesquisa revela\u00a0ainda que creches e pr\u00e9-escolas foram os ambientes mais citados como locais onde crian\u00e7as j\u00e1 sofreram discrimina\u00e7\u00e3o racial &#8211;\u00a054% dos cuidadores afirmam que as crian\u00e7as vivenciaram situa\u00e7\u00f5es desse tipo em unidades de educa\u00e7\u00e3o infantil, sendo 61% na pr\u00e9-escola e 38%\u00a0nas creches.<\/p>\n<p>Pouco menos da metade dos entrevistados, 42%, afirmam\u00a0que o crime ocorreu em espa\u00e7os p\u00fablicos, como na rua, pra\u00e7a ou parquinho; cerca de 20%\u00a0dizem que ocorreu no bairro, na comunidade, no condom\u00ednio ou vizinhan\u00e7a; e 16% contam que ocorreu na fam\u00edlia. Espa\u00e7os privados, como shopping, com\u00e9rcio e clube, aparecem entre os locais citados por 14% dos entrevistados, seguidos por servi\u00e7os de sa\u00fade ou assistenciais (6%) e por igrejas, templos e espa\u00e7os de culto (3%).<\/p>\n<p>Segundo a CEO da Funda\u00e7\u00e3o Maria Cecilia Souto Vidigal, Mariana Luz, a escola \u00e9 o primeiro espa\u00e7o de socializa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, \u00e9 onde ela passa grande parte do tempo\u00a0\u00e9 que deveria ser de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um espa\u00e7o social\u00a0que, pelas nossas pe\u00e7as legislativas, deveria ser um dever nosso, da sociedade, que a escola seja um espa\u00e7o de prote\u00e7\u00e3o e de desenvolvimento. \u00c9 muito cr\u00edtico a gente combater o racismo desde o ber\u00e7o, desde uma mulher gr\u00e1vida, na verdade, para que ela n\u00e3o sofra racismo na gravidez. Agora, com o beb\u00ea, com uma crian\u00e7a pequena,\u00a0\u00e9 ainda mais contundente a necessidade de combate ao racismo estrutural, para que ele n\u00e3o aconte\u00e7a nunca, mas sobretudo nessa fase da vida que \u00e9 onde o maior pico de desenvolvimento est\u00e1 acontecendo\u201d, diz.<\/p>\n<p>Quando perguntados sobre como percebem o racismo praticado contra beb\u00eas e crian\u00e7as, a maior parte dos respons\u00e1veis entrevistados (63%) acredita que pessoas pretas e pardas s\u00e3o tratadas de forma diferente por causa da cor da pele, do tipo de cabelo e de outras caracter\u00edsticas f\u00edsicas.\u00a0Outros 22% acreditam que, embora exista racismo, \u00e9 raro que crian\u00e7as na primeira inf\u00e2ncia, ou seja, com idade at\u00e9 6 anos, sejam v\u00edtimas desse crime. Na outra ponta, 10%\u00a0acreditam que a sociedade brasileira praticamente n\u00e3o \u00e9 racista e 5%\u00a0desconhecem o assunto.<\/p>\n<p>\u201cO primeiro passo em qualquer grande desafio \u00e9 a gente reconhecer que \u00e9 uma sociedade racista e combater isso com veem\u00eancia\u201d, diz Mariana Luz. Segundo ela, as escolas devem ter protocolos para lidar com essas situa\u00e7\u00f5es, que incluam a formaliza\u00e7\u00e3o das den\u00fancias e a forma\u00e7\u00e3o de todos os profissionais que atuam na institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPara todo mundo saber o que fazer, cada escola, primeiro, tem que qualificar o corpo dos professores, dos diretores, dos supervisores, dos auxiliares, de toda essa rede que lida no dia a dia com as crian\u00e7as. Tamb\u00e9m a gest\u00e3o, desde a secretaria municipal de Educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 estadual, at\u00e9 o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Precisa ser um conjunto grande de todo mundo atuando nessa mesma dire\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta.<\/p>\n<h2><strong>Impactos do racismo<\/strong><\/h2>\n<p>O estudo mostra que o racismo sofrido por beb\u00eas e crian\u00e7as tem impacto no desenvolvimento delas. \u201cO racismo \u00e9 um dos fatores que comp\u00f5em as chamadas experi\u00eancias adversas na\u00a0inf\u00e2ncia, viv\u00eancias que exp\u00f5em a crian\u00e7a ao estresse t\u00f3xico, que interferem em sua sa\u00fade f\u00edsica e socioemocional e no seu desenvolvimento integral\u201d, afirma o texto.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa, creches e pr\u00e9-escolas s\u00e3o os espa\u00e7os de maior oportunidade de preven\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o contra a discrimina\u00e7\u00e3o. Para isso, \u00e9 fundamental que a educa\u00e7\u00e3o infantil conte com profissionais preparados e materiais adequados para a educa\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 dever de toda a sociedade reconhecer e combater o racismo e promover uma educa\u00e7\u00e3o antirracista desde cedo, como determina a Lei n\u00ba 10.639\/2003, garantindo prote\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as na primeira inf\u00e2ncia contra qualquer forma de discrimina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia\u201d, diz o estudo.<\/p>\n<p>A Lei 10.639\/2003 estabelece que os conte\u00fados referentes \u00e0 hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira sejam ministrados no \u00e2mbito de todo o curr\u00edculo escolar, ou seja, em todas as etapas de ensino, da educa\u00e7\u00e3o infantil ao ensino m\u00e9dio. A\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/educacao\/noticia\/2023-04\/mais-de-70-das-cidades-nao-cumprem-lei-do-ensino-afro-brasileiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lei, no entanto, n\u00e3o \u00e9 cumprida<\/a>. Uma pesquisa divulgada em 2023 mostra que sete em cada dez secretarias municipais de Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o realizaram nenhuma a\u00e7\u00e3o ou poucas a\u00e7\u00f5es para implementa\u00e7\u00e3o do ensino da hist\u00f3ria e da cultura afro-brasileira nas escolas.<\/p>\n<p>Mariana Luz complementa que os dados revelam\u00a0a import\u00e2ncia de uma educa\u00e7\u00e3o antirracista desde a primeira inf\u00e2ncia, tanto para proteger as crian\u00e7as negras e ind\u00edgenas, quanto para educar as crian\u00e7as brancas desde pequenas.<\/p>\n<p>\u201cO fato de a primeira inf\u00e2ncia ser a maior fase de desenvolvimento, tamb\u00e9m precisa ser um momento inicial de combate ao racismo e de prote\u00e7\u00e3o dessas crian\u00e7as, mas tamb\u00e9m de educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as brancas e do corpo docente, de todo o corpo de professores, para que a gente consiga combater o racismo estrutural\u201d.<\/p>\n<h2><strong>Racismo \u00e9 crime<\/strong><\/h2>\n<p>De acordo com a\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2024-11\/preconceito-e-discriminacao-atingem-70-dos-negros-aponta-pesquisa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lei n\u00ba 7.716\/1989<\/a>, racismo \u00e9 crime no Brasil.\u00a0A lei regulamenta trecho da Constitui\u00e7\u00e3o Federal que tornou o racismo inafian\u00e7\u00e1vel e imprescrit\u00edvel.<\/p>\n<p>A Lei n\u00ba 14.532, sancionada pelo presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva em janeiro de 2023, aumenta a pena para a inj\u00faria relacionada \u00e0\u00a0ra\u00e7a, cor, etnia ou proced\u00eancia nacional.\u00a0Com a norma, quem proferir ofensas que desrespeitem algu\u00e9m, seu decoro, sua honra, seus bens ou sua vida poder\u00e1 ser punido com reclus\u00e3o de 2 a 5 anos. A pena poder\u00e1 ser dobrada se o crime for cometido por duas ou mais pessoas.<\/p>\n<p>As v\u00edtimas de racismo devem registrar boletim de ocorr\u00eancia na Pol\u00edcia Civil. \u00c9 importante tomar nota da situa\u00e7\u00e3o, citar testemunhas que tamb\u00e9m possam identificar o agressor. Em caso de agress\u00e3o f\u00edsica, a v\u00edtima precisa fazer exame de corpo de delito logo ap\u00f3s a den\u00fancia e n\u00e3o deve limpar os machucados, nem trocar de roupa \u2013 essas evid\u00eancias podem servir como provas da agress\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>Fonte: Portal CidadeVerde.<br \/>\nConfira esta e outras mat\u00e9rias na \u00edntegra pelo link: https:\/\/cidadeverde.com\/noticias\/443148\/uma-em-cada-seis-criancas-de-ate-6-anos-foi-vitima-de-racismo-no-pais<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma em\u00a0cada seis crian\u00e7as de at\u00e9 6 anos de idade foi v\u00edtima de racismo no Brasil. 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